Logo
Nacional

Centenas de professores em protesto no “último grito” antes das eleições

17 Fevereiro, 2024 | 19:41
Partilhar
Viana TV
4 min. leitura

Centenas de professores de todo o país estão hoje a manifestar-se em frente ao parlamento, em Lisboa, naquele que consideram "o último grito" pela escola pública antes das eleições.

À frente do protesto, que desceu do Largo do Rato para São Bento, professores seguram uma grande tarja que diz “Marcha pela Educação” e o ‘slogan’ é gritado com musicalidade “1, 2, 3 já cá estamos outra vez, 4, 5, 6 estamos fartos outra vez, 7,8, 9 já ninguém nos demove”.

Vários cartazes trazem inscritas palavras de ordem em defesa da escola (“A educação é cara? Experimentem a ignorância”) e são comuns os cravos vermelhos a contrastar com ‘t-shirts’ pretas.

“Chamámos [a esta manifestação] ‘o último grito antes das eleições’. Mas não vai ser de todo o último grito da escola pública. Vai continuar a luta pelos alunos, pela escola pública, pela educação”, afirmou à Lusa Esperança Calçada, que veio de Viana do Castelo.

A professora de português e inglês traz ao peito um crachá com Mafalda, a personagem de banda desenhada de Quino, a gritar “Basta”, e carrega um bombo típico do Minho para animar a manifestação.

Esperança Calçada diz que se sente a repetir a cada protesto, mas tem de o fazer porque não há melhorias na educação e a sua principal reivindicação, além da recuperação do tempo do serviço, são as condições de trabalho nas escolas, dando o exemplo de não haver professores em número e competências adequadas para alunos com necessidades educativas especiais.

Francisco Marques, do Porto, contou à Lusa que é a sétima vez que se manifesta em Lisboa e que nem tem os 6 anos, 6 meses e 23 dias de tempo de serviço para recuperar, porque voltou à profissão mais recentemente, mas que o faz para reivindicar que a “educação deste país seja planificada como deve ser, que está em cacos”, sem professores e outros profissionais necessários, com instalações precárias e os professores sem exigência e a autoridade que devem ter.

“Acima dos salários, que são baixos, este problema é mais grave. Eu sinto-me muito mais desconsiderado pela ausência de exigência. Quando os professores deixarem de ser exigentes, deixarem de vir às manifestações, deixarem de exigir uma escola melhor, temos um país irremediavelmente hipotecado” afirmou.

O professor de Português considerou que os encarregados de educação tiveram já, eles próprios, um ensino facilitado pelo que também a sua exigência é cada vez menor.

“Há uns anos as pessoas não compreendiam as cartas das finanças, do banco, e pediam a um vizinho que lhas lesse. Nós vamos ter esse problema agora, mas as pessoas vão estar com o 12.º ano, não sabem ler, escrever, interpretar”, disse, considerando ainda um “escândalo” o modo como é tratado o ensino profissional, que deveria ser vocacional, e é usado pelos governantes como “escape para a não aprendizagem”.

Aliás, disse, os Governos usam sucessivamente “disfarces” para “para enganar as entidades externas e os portugueses” quanto aos resultados da educação.

Este protesto foi organizado por um grupo de professores, à parte de sindicatos, e foi divulgado em grupos e redes sociais. Ao megafone, vários professores apelaram à união da classe e que a luta não pertence a qualquer partido ou bandeira e que não parará até obter o reivindicado.

Vários partidos se fizeram representar, sendo Rui Tavares, do Livre, o único líder partidário presente.

À Lusa, Rui Tavares considerou essencial valorizar a profissão de professor até para que os jovens tenham vontade de ir para a carreira.

“O Livre está aqui para dizer que Portugal precisa de fazer um contrato com o seu futuro. Os partidos democráticos têm de oferecer um horizonte de progresso para o país”, afirmou, considerando que não se consegue resolver os problemas nos primeiros meses, mas é possível negociar acordos quer com professores quer com outros setores (hoje frente ao Parlamento também houve manifestação de oficiais da justiça).

Pelo Chega, Gabriel Mithá Ribeiro disse que os professores precisam de melhores condições laborais, menos burocracia e ter capacidade de disciplina. Afirmou ainda que o Chega quer reduzir horários e currículos e, com isso, racionalizar a despesa, “sem prejudicar quem está na carreira”.

Do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo considerou essencial “virar a página da conflitualidade dentro da escola pública” e valorizar os professores, até para a carreira ser atrativa.

 

Fotografia: Augusto Lemos

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Cultura 13 Maio, 2026

Viana do Castelo recebe espetáculo “Zombi Manifiesto” no âmbito do FITEI 2026

O concelho de Viana do Castelo volta a integrar a programação do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), que decorre entre 13 e 24 de maio, com a apresentação do espetáculo “Zombi Manifiesto”, no próximo dia 20 de maio, às 21h30, no Teatro Municipal Sá de Miranda.

Internacional 13 Maio, 2026

NORTE 2030 injeta 64,4 milhões no Norte e apoia projeto de eficiência energética em Melgaço

O programa regional NORTE 2030 aprovou, em abril, 64,4 milhões de euros em investimentos no Norte do país, dos quais 36 milhões são cofinanciados por fundos europeus, no âmbito de 62 operações que abrangem 47 beneficiários.

Regional 13 Maio, 2026

Requalificação do Centro de Saúde de Barroselas avança após parecer jurídico

A Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou hoje a adjudicação da requalificação do Centro de Saúde de Barroselas à empresa classificada em segundo lugar no concurso público, após um parecer jurídico concluir que existiu um lapso nos serviços municipais relacionado com o prazo de pagamento da caução pela empresa inicialmente vencedora.

Internacional 13 Maio, 2026

AECT Rio Minho avança com Agendas Urbanas em cooperação transfronteiriça

O AECT Rio Minho realizou duas sessões de trabalho no âmbito do projeto REDE_GOV_MINHO, cofinanciado pelo programa europeu Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027, dedicadas à apresentação do plano de dinamização das futuras Agendas Urbanas do Rio Minho.

Nacional 13 Maio, 2026

PCP do Alto Minho realiza XII Assembleia Regional em Viana do Castelo

A Organização Regional de Viana do Castelo do Partido Comunista Português (PCP) realizou no passado dia 9 de maio a sua XII Assembleia, no Centro de Negócios e Congressos de Viana do Castelo.

Opinião 13 Maio, 2026

OPINIÃO: Doença Celíaca e a Saúde Hepática: uma ligação que não deve ser ignorada

A doença celíaca é uma doença crónica, de base imune, em que o consumo de glúten desencadeia uma reação do sistema imunitário que leva primariamente à lesão do intestino delgado. Esta entidade é diferente da alergia ao glúten e da “intolerância” ao glúten, das quais deve ser clínica e laboratorialmente distinguida.

Desporto 13 Maio, 2026

Vianense Rita Morgado sagra-se campeã nacional universitária de canoagem em C2 feminino

Montemor-o-Velho recebeu mais uma edição do Campeonato Nacional Universitário de Canoagem, uma prova marcada pela maior participação de sempre e por elevado nível competitivo.