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OPINIÃO: Aí Portugal, Portugal  

10 Outubro, 2025 | 11:55
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Paulo Gomes
2 min. leitura

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade das pessoas e na vontade do  povo. Estes princípios não são só palavras bonitas: mostram como a sociedade deve  funcionar e guiam decisões políticas e a ação de todos os cidadãos. 

Uma sociedade livre, justa e solidária precisa da participação de todos, respeito pelos  direitos de cada pessoa e atenção constante. Não podemos deixar que desigualdades,  corrupção ou discursos extremistas destruam estes valores. A democracia depende de  cada um de nós — não só de leis, mas de atitudes. 

A democracia não desaparece de repente. Vai-se desgastando quando há desinteresse,  desconfiança e quando aceitamos discursos autoritários. Partidos populistas de extrema direita dizem-se “anti-sistema”, mas são dos partidos mais do sistema que existem:  atacam direitos, espalham ódio e fragilizam a democracia. Não devemos apoiar partidos  anti-democráticos, mesmo que prometam soluções rápidas ou fáceis. Dizer que “só lá vai  com uma ditadura” mostra esquecimento: ditaduras não ensinam liberdade, só a tiram. 

A história ensina: perder direitos é muitas vezes irreversível. Surgem a normalização da  violência e da impunidade, o risco de poder concentrado e custos sociais e económicos  elevados. O medo trava a criatividade, a censura empobrece o pensamento e o isolamento  fecha portas ao futuro. 

É por isso que o 25 de Abril é tão importante. Homens e mulheres lutaram e arriscaram  tudo para conquistar a liberdade que hoje temos. Não podemos deixar que o esforço deles  seja perdido por indiferença ou desatenção. 

Existem formas melhores de proteger a democracia: educação cívica, transparência,  combate à corrupção e participação ativa. A participação começa com o voto, e as eleições  autárquicas são uma oportunidade de escolher quem vai gerir os concelhos de forma justa  e responsável, sem se deixar levar por populismos perigosos. 

Portugal dispõe de instrumentos fortes, como a Constituição, tribunais independentes e o  apoio europeu, para impedir concentrações de poder. Mas nenhuma lei protege uma  sociedade indiferente. 

Um povo que não conhece sua História está condenado a repeti-la.” A liberdade não é garantida — é um compromisso diário, e exige atenção e sobretudo  participação, incluindo nas urnas, para honrar aqueles que lutaram pelo 25 de Abril e  proteger a democracia de quem quer destruí-la.

Paulo Gomes

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