O número global de mortes por AVC isquémico pode aumentar para 4,9 milhões até 2030, mas 90% dos casos poderiam ser evitados com o controlo dos fatores de risco, alertou a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

A SPAVC revela estes números, de um estudo a nível global, em vésperas do Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral, que se assinala anualmente a 29 de outubro, associando-se à campanha mundial “Seja Melhor do que o AVC”, que alerta para os fatores de risco modificáveis para uma doença que é a primeira causa de morte em Portugal.
Dados recentes do estudo internacional “Global Burden of Disease” indicam que o número global de mortes por AVC isquémico subiu de 2,04 milhões em 1990 para 3,29 milhões em 2019, sendo previsto que este valor cresça para 4,90 milhões até 2030, indica a SPAVC numa informação enviada hoje à agência Lusa.
A SPAVC volta este ano a juntar-se à campanha mundial da “World Stroke Organization”, sublinhando que 90% dos casos podem ser evitáveis com a alteração de comportamentos e incentivando os profissionais de saúde do país a realizarem ações de sensibilização de forma a aumentar o conhecimento da população sobre os fatores de risco para o AVC, sobretudo os modificáveis.
“À semelhança do Dia Nacional do Doente com AVC, que se celebra todos os anos a 31 de março, o Dia Mundial do AVC é uma “oportunidade de reforçar a conscientização sobre o que é o AVC, seus sinais e sintomas, quais os seus fatores de risco, e formas de prevenção e tratamento”, explica, na nota, a Liliana Pereira, embaixadora da SPAVC para esta data.
Sendo o AVC a principal causa de morte e incapacidade em adultos em Portugal, a educação pública torna-se fundamental para ajudar a população a reconhecer e agir adequadamente em caso de AVC, alerta a associação.
“Datas claramente definidas permitem que haja um esforço concertado de organizações, profissionais de saúde e aliados para divulgar as mensagens-chave e aumentar o conhecimento geral da população sobre o AVC”, afirma a especialista em Neurologia, sublinhando: “Uma parte significativa da prevenção do AVC está nas mãos de cada um de nós”.
Segundo a especialista, este mote “faz todo o sentido para a população portuguesa, porque vários destes fatores de risco, como a hipertensão arterial, o tabagismo, a dieta pouco saudável e a falta de atividade física, são frequentes”.
A sensibilização da população para as consequências do AVC, o conhecimento consistente dos principais fatores de risco modificáveis (sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, tabagismo, fibrilhação auricular, diabetes e consumo excessivo de bebidas alcoólicas) e não modificáveis (fatores genéticos individuais, hereditariedade, idade, raça ou sexo) e os sinais de alerta (desvio da face, falta de força num braço, dificuldade em falar) “são desde sempre uma prioridade da SPAVC”, que reforça a mensagem de que, perante sintomas de acidente, deve ligar-se para o número de emergência 112, ativando a Linha Verde do AVC.
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