Utentes do autocarro Viana do Castelo-Porto alertaram hoje para a ausência de soluções para os 200 euros mensais da deslocação e para uma “equidade tarifária” com o praticado no país, apesar da “disponibilidade” manifestada por várias entidades.
A reivindicação é feita numa carta aberta dirigida aos presidentes das câmaras do Porto e de Viana do Castelo, da Área Metropolitana do Porto (AMP) e da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, a que a Lusa teve acesso.
“Da mesma maneira que foi possível, em poucos dias, encontrar uma solução para a ligação rodoviária direta de Braga ao Porto, via A3, solicitamos que, volvidos mais de 15 dias de se terem manifestado favoráveis à criação de uma carreira inter-regional Porto–Viana do Castelo pela A28, ponham em prática aquilo que já todos acordaram e devolvam às populações a possibilidade de utilizarem transportes públicos em condições de equidade” com o resto do país, afirmam os utentes.
Os passageiros lamentam que “nestes três meses de 2024” se assista “ao total abandono da promoção das deslocações pendulares em transportes públicos entre Viana do Castelo e o Porto, com cada vez mais utilizadores a fazerem uso do automóvel particular, a abandonar os estudos e os empregos ou a ficarem à mercê da precariedade dos preços e das carreiras dos operadores privados, atento o custo de 170 euros a mais [relativamente a 2023]”, num total de 200 euros mensais, assinalam os utentes.
Os passageiros lembram que na “reunião promovida pelo presidente da Câmara do Porto com o presidente da Câmara de Viana do Castelo”, a 11 de março, “todas as entidades se manifestaram disponíveis para encontrar uma solução que permita a mobilidade em transporte público entre Viana do Castelo e Porto em condições de equidade tarifária com o praticado na generalidade do país”.
“Apesar da urgência da situação, desconhecem-se quaisquer desenvolvimentos até à presente data”, lamentam.
Os utentes assinalam que o problema foi “criado pela Câmara de Viana do Castelo, quando, em janeiro, decidiu reduzir para metade o apoio concedido aos utilizadores da carreira rodoviária Viana–Esposende–Porto, sem a existência de qualquer alternativa e sem ter desenvolvido quaisquer diligências no sentido de assegurar um serviço público de transporte coletivo de baixo custo, à semelhança do que existe na generalidade do país e em particular na região Norte”.
“Em sentido contrário, a Câmara de Esposende, reconhecendo a falta de alternativas e necessidade de promover efetivamente a utilização de transporte público, manteve o seu apoio inalterado, registando com sucesso o aumento contínuo de utilizadores”.
A 11 de março, os presidentes das câmara do Porto e de Viana do Castelo remeteram para a AMP e para a CIM Alto Minho uma solução para o autocarro inter-regional, comprometendo-se a apoiá-la financeiramente.
O autarca do Porto, Rui Moreira, indicou que o apoio será não só formal mas também financeiro: “Podemos encontrar forma de lançar um serviço inter-regional, como temos com Braga, e a partir daí encontrarmos forma de, entre nós, dividirmos o que for o défice tarifário”.
Questionado sobre quando será possível alcançar um acordo para uma solução, Rui Moreira disse não poder exigir à CIM do Alto Minho e à AMP que “resolvam o assunto amanhã”, mas se quiserem “resolvem rapidamente”, tal como sucedeu com a linha para Braga.
“Só precisamos de uma coisa: que não compliquem. Se não complicarem, resolve-se rapidamente”, asseverou.
Em janeiro, os utilizadores do autocarro expresso pela autoestrada A28 entre Viana do Castelo e o Porto, que pagavam 88 euros mensais, passaram a pagar 171,60 euros (22 dias x 2 viagens x 3,90 euros), devido a uma redução do apoio dado pela Câmara de Viana do Castelo.
A 30 de janeiro pediram ajuda ao presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) na implementação de um “passe único”, reivindicado desde 2019.
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