Trabalham ‘online’ em Moledo, uma aldeia minhota junto à praia onde continuam “abertos ao mundo”, no ‘coworking’ idealizado por Lara Fernandes para partilhar “dificuldades e soluções”, até para momentos de bloqueio – às vezes basta “ir ver o mar”.
Profissionais de finanças, marketing, ‘design’ de moda ou tecnologias de informação juntaram-se à empreendedora de 39 anos que criou o Moledo Coworking em junho de 2023, oito anos depois de trocar o Porto pela aldeia do concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, e a produção televisiva pela dedicação plena à marca de jóias Le Love, fundada há quase 11 anos.
“As pessoas sentem-se bastante acolhidas. Acho que isso é que nos destaca. Não estamos todos num escritório e somos apenas colegas de trabalho. Aqui estamos num espaço de trabalho que nos permite sermos nós na totalidade, enquanto seres humanos”, defendeu a responsável.
No espaço de trabalho partilhado com janelas grandes, luz natural e vista sobre o oceano, Lara e os outros quatro ‘coworkers’ “residentes” – cinco, contando com o nómada digital suíço de 46 anos que fica por mais dois meses – não partilham apenas a sala e a mesa onde pousam o portátil.
Ali, trocam-se conselhos, ideias, medos e ambições sobre projetos futuros e, se alguém está a ter um dia difícil, saem todos de bicicleta deixando na porta o ‘post-it’ pré-escrito com o recado mais indicado: “Fomos a Âncora ver o mar” ou “Fui buscar a minha filha à escola”, entre outros.
“Somos mesmo bons nisso [dos dias difíceis]”, diz Lara, explicando que também partilham lanches, idas ao teatro ou outros momentos de lazer – estão todos fãs dos jogos do Lanhelas Futebol Clube e Lara até se fez sócia.
“Trocamos contactos, partilhamos dificuldades, encontramos soluções em conjunto. Estarmos juntos faz-nos evoluir mais rapidamente do que se estivermos sozinhos a trabalhar a partir de casa”, diz Lara.
A responsável, natural de Caminha, assinala que trabalhar a partir de Moledo não a limita: “Não é por ter um espaço aqui que fico presa. Vendo para o Porto, Guimarães, Suíça, e trabalho tudo a partir daqui. É possível apostar na nossa terra. Dar uma oportunidade a nós e às pessoas de cá”.
Ângela Baptista, de 51 anos, auditora e consultora financeira para várias empresas, já passou o último inverno a viver e trabalhar em Moledo, depois de deixar o Porto, onde sentia que lhe faltava “tempo para parar”.
“Vivia no Porto e não estava a aproveitar nada. Não ia ao Parque da Cidade com medo do trânsito na Avenida da Boavista. É importante colocar o pé na terra e a mão na árvore. E estamos abertos ao mundo a partir daqui”, refere.
A também produtora de conteúdos de literacia financeira considera que “há muita oferta para desenvolver” a partir de Moledo, até pela proximidade à fronteira com Espanha.
Trabalho não lhe falta, já que conjuga o trabalho ‘online’ para empresas com vários ‘workshops’ de desenvolvimento pessoal e lançou recentemente o Clube do Livro do ‘coworking’, o Moledo Book Club (MBC), às quintas-feiras à tarde, em formato presencial e digital.
João Afonso, de 31 anos, de Lanhelas, Caminha, tirou a licenciatura de Contabilidade, a pós-graduação em Gestão de Empresas e trabalhou durante três anos no vizinho concelho de Vila Nova de Cerveira, mas ficou “cansado da rotina do escritório”.
Fez um curso de testador de ‘software’ para mudar de vida e trabalha agora maioritariamente ‘online’.
“Nos dias de trabalhar em casa, venho para a Lara. Em casa estamos muito sozinhos, eu prefiro conviver com mais pessoas, fazer contactos e amizades”, observa, manifestando-se apreciador dos “lanchinhos” das sextas-feiras.
Professor universitário aposentado e dono de uma empresa de marketing digital, José Magalhães, de 69 anos, divide a vida entre o Porto e Caminha e trabalha no ‘coworking’ de Moledo.
“Tendo o computador ao meu lado tenho o escritório. É a minha segunda roupa, é o meu posto de trabalho”, relata, feliz por conseguir agora “jantar em casa” e ter “mais liberdade de ação” do que quando dava aulas.
Tânia Cale, de 39 anos, praticante de surf e ex-profissional da área do turismo, está a desenvolver um projeto ainda secreto depois de ter tirado o curso de design de moda em Londres e desde novembro que é “residente” no ‘coworking’ de Moledo.
Mudou-se de Lisboa para Vila Praia de Âncora com a filha há quatro anos, trabalhava a partir de casa, mas sentiu vontade de “conhecer mais pessoas”.
No verão de 2023, o Moledo Coworking teve “mais de 40 pessoas com horários diversificados” e a sala polivalente já serviu para uma produção fotográfica para mulheres empreendedoras, no Dia da Mulher, e para um médico dar “uma aula para a Universidade de Madrid”, relata Lara.
Foto: Tiago Fernandes
Um em cada três doentes crónicos que falha a toma da medicação não comunica essa situação ao médico, sobretudo por não a considerar relevante. A conclusão é de um estudo recente sobre a adesão à terapêutica em doenças crónicas, que traça um retrato preocupante do comportamento dos doentes em Portugal.
A Escola Secundária de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, deu início às comemorações dos 20 anos da “Semana Maior” com uma sessão solene que reuniu a comunidade educativa.
Lanheses vai celebrar o Dia Mundial do Teatro com o espetáculo “Um morto muito vivo!”, do grupo Colectivo do Teatro aos Quartos, no Auditório Gabriel Gonçalves, no dia 28 de março, às 21h15.
Viana do Castelo assinalou, esta quarta-feira, o Dia do Gerontólogo com a realização da “Caminhada pela Longevidade: para todas as idades!”, iniciativa que reuniu dezenas de participantes num percurso por vários pontos emblemáticos da cidade.
O Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho promoveu uma ação de sensibilização centrada na prevenção das dependências e no combate ao consumo de drogas, envolvendo a comunidade escolar numa iniciativa que visou reforçar a segurança e o bem-estar dos alunos.
O Município de Viana do Castelo volta a aderir à Hora do Planeta, iniciativa internacional de sensibilização para as alterações climáticas que, em 2026, celebra 20 anos.
Várias estações e apeadeiros da Linha do Minho vão sofrer obras de ampliação das plataformas já este ano e ao longo de 2027, com o objetivo de garantir que os comboios Intercidades possam parar em segurança e com melhores condições para os passageiros.