A Câmara de Viana do Castelo aprovou a suspensão parcial do Plano de Urbanização da Cidade (PUC) e estabeleceu medidas preventivas para permitir a construção de uma fábrica de 50 milhões de euros que irá empregar 500 trabalhadores.

De acordo com a proposta apresentada pelo presidente da câmara na reunião ordinária do executivo municipal, aquela medida abrange uma área de 13,1 hectares situada maioritariamente na freguesia de Darque, a um quilómetro a sul do porto comercial e a nascente do acesso a este, na antiga Estrada Nacional (EN) 13-3.
A suspensão do PUC naquela área de solo urbano terá um prazo de dois anos, prorrogável por mais um.
Em causa está o investimento anunciado no início deste mês pelo consórcio formado pelo grupo norueguês CTS e empresa norte-americana Eaton.
A unidade ficará instalada em terrenos situados nas freguesias de Darque e Vila Nova de Anha, e irá produzir, por ano, 400 toneladas de Unidades de Distribuição de Energia Elétrica (ePOD), para o mercado mundial de data center.
Luís Nobre disse que o investimento é “muito relevante, tanto para o concelho como para o país”, e “uma oportunidade de regeneração de um espaço situado em área urbana”, até agora marcado pela “precariedade”, referindo-se a um acampamento entretanto desmantelado para a construção de blocos habitacionais financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“Com este projeto de verdadeira regeneração, conseguimos pôr fim a uma ocupação que envergonhava qualquer cidade que se quer afirmar nacional e internacionalmente”, destacou, adiantando que o projeto industrial começou a ser “trabalho em finais de julho de 2024.
Em resposta à vereadora da CDU, Cláudia Marinho, Luís Nobre garantiu o envolvimento das autarquias daquelas freguesias na avaliação do projeto industrial.
A análise deste ponto da ordem de trabalhos motivou uma discussão acesa entre o presidente da câmara e o vereador do PSD, Paulo Vale, que votou contra por considerar tratar-se de “uma zona de enquadramento paisagística que prevê construção de moradias isoladas unifamiliares e familiares” e por entender que a instalação da fábrica “numa área sensível que irá criar impactos negativos na fauna e flora”.
O vereador independente Eduardo Teixeira disse não se sentir “confortável” por não ter havido “consulta pública” deste projeto, que considerou ter sido tratado de “forma apressada”, e também votou contra.
A vereadora do CDS-PP, Ilda Araújo Novo, também levantou dúvidas sobre “o impacto ambiental e nas condições de vida” da população, mas na votação absteve-se, o mesmo sentido de voto da vereadora da CDU.
Na resposta, Luís Nobre disse admirar “o esforço” que a oposição faz “para dizer não” a todos os projetos de investimento que “criam riqueza no concelho”.
Garantiu que durante o processo de análise do projeto participaram, entre outras entidades, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
“Parece que estou a cometer um crime ambiental (…) que sou um Trump, um ditador. O que é isto? (…) Garanto que se fosse indústria pesada não ficava naquele local (…). Cumprimos a lei em todo este processo”, garantiu.
A decisão hoje tomada será submetida à apreciação da Assembleia Municipal.
A nova fábrica da empresa NordicEpod, que resulta da parceria entre o grupo norueguês CTS e a norte-americana Eaton, vai produzir equipamentos pré-fabricados de transformação de energia para ‘data centers’ e vai iniciar a laboração em fevereiro de 2026, criando 500 postos de trabalho diretos com mão-de-obra qualificada, sobretudo engenheiros.
Com um total de construção de 21 mil metros quadrados, a área de produção ficará instalada em 12 mil metros quadrados.
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O programa regional NORTE 2030 aprovou, em abril, 64,4 milhões de euros em investimentos no Norte do país, dos quais 36 milhões são cofinanciados por fundos europeus, no âmbito de 62 operações que abrangem 47 beneficiários.
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