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Sindicato diz que construção atravessa problema de mão de obra “mais grave de sempre”

26 Outubro, 2023 | 16:23
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Viana TV
3 min. leitura

O Sindicato da Construção de Portugal disse esta quinta-feira que o setor enfrenta a “situação mais grave de sempre” de mão de obra e apontou que 70% dos estrangeiros que chegam ao país para a construção civil não têm experiência.

“Não tenho nada contra os trabalhadores estrangeiros, mas cerca de 70% dessa mão de obra não é aquela que o nosso país precisa, muitos desses trabalhadores nunca trabalharam no setor da construção civil e não é este tipo de mão de obra que Portugal quer para as grandes obras”, afirmou o presidente da Direção do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, em declarações à agência Lusa.

O dirigente sindical sublinhou que são necessárias medidas urgentes “para acabar com a situação mais grave de sempre no setor da construção civil” e adiantou que a estrutura vai pedir ainda hoje uma reunião com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, para abordar a questão do aumento dos trabalhadores informais no setor, que “retira milhões de euros” à Segurança Social.

“Eu oiço falar muito na televisão, governantes a encher a boca a dizer que vão construir isto, estas infraestruturas, aquelas, hospitais, estradas, caminhos de ferro. Não há trabalhadores para construir isso. Já não falo no aeroporto de Lisboa, que são precisos cerca de 20.000 trabalhadores”, realçou Albano Ribeiro.

O sindicato disse que a economia informal está a “tomar conta” do setor da construção civil, devido às redes de angariação de mão de obra, que classificou de “redes mafiosas”, que trazem rapidamente para o país trabalhadores oriundos de vários pontos do mundo, que “trabalham à hora, ou à peça, ou não descontam nada, ou descontam 15 dias por mês para a Segurança Social”.

“Esses trabalhadores, muitos deles, ficam nas mãos deles [dos angariadores], muito deles até lhes ficam com os passaportes e comem e dormem em espaços que não são para seres humanos, é lamentável que em pleno século XXI nós estejamos perante uma situação destas”, referiu o sindicalista.

Para o sindicato, uma das formas de combater esta questão passa por facilitar a vinda de estrangeiros que são formados pelas empresas de construção nos países de origem, nomeadamente Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), mas cujo processo para os trazer para Portugal é moroso.

Adicionalmente, prosseguiu, é necessário que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) atuem por todo o país, fiscalizando as pequenas obras, bem como apostar em centros de formação deste tipo de trabalhadores.

“À medida que a mão de obra vai envelhecendo no setor, não há trabalhadores a ser formados aqui, não há nenhuma entidade a formar operários, antigamente havia em todas as capitais de distrito um centro de formação, hoje não há nenhum”, apontou Albano Ribeiro.

Segundo o sindicato, nos últimos seis anos saíram do país cerca de 300.000 trabalhadores da construção civil, dos quais 16.000 são engenheiros civis. Para combater esta saída de mão de obra qualificada, o sindicato propõe que o salário de um carpinteiro, por exemplo, passe dos atuais 780 euros mensais para 950 euros, e que o de um engenheiro recém-formado passe dos atuais 1.100 euros para 1.300 euros.

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