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Quercus alerta: vulnerabilidade da paisagem continua a alimentar grandes incêndios

25 Julho, 2026 | 12:06
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Pedro Sérgio Xavier
3 min. leitura

A redução do número de incêndios e a melhoria da resposta operacional não evitaram que cerca de 271 mil hectares ardessem em Portugal em 2025. A Quercus alerta que a vulnerabilidade da paisagem continua por resolver e defende uma aposta mais forte na prevenção.

De acordo com o Relatório de Atividades de 2025 do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), foram registados 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001 e uma redução de 65% face à média observada entre 2001 e 2017.

Apesar da diminuição das ocorrências, a área ardida atingiu o quarto valor mais elevado desde 2001. Apenas 44 incêndios foram responsáveis por cerca de 91% dos 271 mil hectares consumidos pelas chamas.

Para a Quercus, os números mostram que reduzir as ignições não chega para travar os grandes incêndios. A associação ambientalista considera que Portugal permanece demasiado dependente do combate e ainda não concretizou uma política de prevenção assente na gestão permanente da paisagem.

O problema é particularmente visível nas serras do Centro e do Norte, onde grandes áreas contínuas de eucalipto e pinheiro-bravo, muitas vezes sem gestão, coexistem com o abandono das atividades agrícolas e pastoris.

Esta realidade cria, segundo a Quercus, autênticos “mares” de combustível, que facilitam a propagação rápida das chamas e aumentam a intensidade dos incêndios, sobretudo em períodos de condições meteorológicas extremas.

A associação reconhece progressos na coordenação entre entidades, no planeamento e na capacidade de resposta. No entanto, considera que a transformação da paisagem avançou a um ritmo mais lento.

O relatório aponta para uma taxa de execução de 53% do Programa Nacional de Ação 2020–2030. Os maiores atrasos continuam a verificar-se na valorização económica dos espaços rurais, organização da propriedade, criação de mosaicos agroflorestais, expansão do pastoreio extensivo e recuperação das áreas ardidas.

Em 2025 foram contabilizados cerca de 196 mil hectares intervencionados na gestão de combustível. Contudo, 62% desse valor corresponde à inclusão, pela primeira vez, de medidas agroflorestais e pastoris financiadas pelo Plano Estratégico da Política Agrícola Comum e pelo Fundo Ambiental.

A Quercus alerta que a quantidade de área intervencionada não permite, por si só, medir a eficácia das ações. É também necessário avaliar a localização, a continuidade e a manutenção das intervenções ao longo do tempo.

A organização ambientalista defende a criação de paisagens mais diversificadas, com áreas agrícolas e pastoris, florestas autóctones, galerias ripícolas e outras formações naturais adaptadas a cada território.

Em 2025, os incêndios rurais provocaram seis mortes, emitiram cerca de 3,6 milhões de toneladas de carbono e causaram prejuízos económicos diretos estimados em 85 milhões de euros.

Perante estes números, a Quercus pede financiamento estável e plurianual para a gestão do território e maior apoio às atividades económicas que permitam manter os espaços rurais de forma sustentável.

“A prevenção eficaz não se faz apenas combatendo melhor. Faz-se transformando e gerindo a paisagem antes de o fogo começar”, sustenta a associação.

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