Logo
Nacional

Quase metade das pessoas com doença rara não é seguida em centros de referência

29 Fevereiro, 2024 | 11:13
Partilhar
Viana TV
3 min. leitura

Quase metade das pessoas com doença rara não é acompanhada em centros de referência para a sua patologia, seja por desconhecimento, inexistência ou porque são acompanhados em consulta específica, revela um inquérito hoje divulgado no Dia Mundial das Doenças Raras.

O inquérito promovido pela União das Associações das Doenças Raras (RD-Portugal) decorreu em novembro de 2023 e envolveu mais de 200 doentes, disse à agência Lusa Raquel Marques, da direção da organização.

Segundo o estudo, 48% inquiridos não são acompanhados em Centros de Referência (CR), dos quais 19% dizem que estão a ser seguidos em consulta específica, 17% afirmam que não existe para a sua doença e 7% desconhecem a sua existência.

Apesar de existirem cerca de 30 hospitais de referência distribuídos por sete grupos de doenças raras, a sua existência não está devidamente divulgada e acessível ao doente, disse Raquel Marques, realçando a importância desta divulgação.

Por outro lado, notou, “nem todas as doenças raras ou grupos de doenças têm centro de referência definido e isso deixa algumas pessoas sem esses cuidados especializados na sua doença”.

O estudo aponta que um quarto dos inquiridos tem de percorrer desde a sua casa até ao hospital entre 20 a 50 quilómetros, 17,8% entre 50 a 100 e 12,7% mais de 100 quilómetros.

Raquel Marques observou que muitos destes doentes não têm as suas consultas agregadas nem marcadas para o mesmo dia.

“Cada vez que vão a um hospital para uma consulta vão na ambulância (…) acaba por se tornar dispendioso para o Estado e para a pessoa é muito complexo” porque tem que se deslocar várias vezes ao hospital durante um curto período de tempo e percorrer uma longa distância.

Alguns doentes têm consultas num hospital de proximidade, mas o problema é que muitas vezes falha a comunicação entre os profissionais que os acompanham e os especialistas do centro de referência.

“Isso refletiu-se no inquérito. Daí também [a necessidade] de uma melhor informatização para permitir a acessibilidade dos dados e facilitar a comunicação (…) para haver este intercâmbio e troca de informações, que é muito importante”, defendeu.

Mais de 70% dos doentes são acompanhados entre três a cinco consultas de especialidade, adianta o estudo, acrescentando que 91,8% têm consultas separadas e apenas 8,2% têm uma consulta multidisciplinar.

Oito em cada 10 inquiridos referem não existir tratamento diferenciado ou prioritário numa situação de emergência, refere o estudo, defendendo ser fundamental haver um ponto de contacto do doente com o CR onde é acompanhado para um direcionamento em caso agudo.

O inquérito destaca também que 86,7% dos cuidadores não têm acesso a apoio psicológico, defendendo ser fundamental garantir este apoio para que possam “enfrentar os desafios associados ao cuidado dos doentes”.

O inquérito faz parte do Relatório “Centros de Referência para as Doenças Raras e a Relação de Proximidade com as Redes Europeias de Referência”, que reúne os contributos resultantes da 2.ª Reunião do Conselho Científico, que decorreu em novembro de 2023, reunindo cerca de 70 especialistas.

Os especialistas defendem a criação de “uma estrutura multidisciplinar e abrangente que acompanhe o doente desde a infância até à idade adulta”, de uma carta de acolhimento ao novo doente, com informações sobre o CR e associações de doentes.

Defendem igualmente a criação da figura de um gestor de doente, como contacto direto com o CR, e a promoção da marcação de consultas multidisciplinares para evitar deslocações dos doentes a várias consultas em diferentes dias e potenciar a discussão de casos.

Consideram ainda que “a colaboração dos centros de referência com associações de doentes é vital, garantindo um modelo de gestão centrado no doente e facilitando o acesso a cuidados especializados”.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Nacional 1 Janeiro, 2026

Bryam é o primeiro bebé de 2026 a nascer no Hospital de Viana do Castelo

A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) registou, no dia 1 de janeiro, o primeiro nascimento de 2026. O bebé, de nome Bryam, nasceu às 00h06, por parto eutócico, apresentando um estado de saúde considerado bom.

Regional 31 Dezembro, 2025

Dezembro marca o fecho de um ano intenso em Viana do Castelo

Viana do Castelo fechou 2025 em grande destaque no panorama regional e nacional, com a realização do XXVII Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e o avanço da construção da nova ponte entre Deocriste e Nogueira, marcando um ano de dinamismo político, cultural e económico.

Regional 31 Dezembro, 2025

Cidade Desportiva, habitação e cultura marcam novembro de 2025 em Viana do Castelo

O mês de novembro ficou marcado, em Viana do Castelo e no Alto Minho, por uma forte atividade política, social, ambiental, cultural e desportiva, com destaque para o anúncio da Cidade Desportiva, que prevê a construção de dois novos campos sintéticos e a criação de um Performance Hub da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), afirmando o concelho como polo estratégico do desporto nacional.

Regional 31 Dezembro, 2025

Centro Cultural de Viana do Castelo pronto para Passagem de Ano mais aguardada da região

Viana do Castelo prepara-se para viver a passagem de ano mais aguardada da região. O New Year 2026, organizado pelo Santa Luzia Futebol Clube em parceria com a Collective, regressa pelo segundo ano consecutivo ao Centro Cultural de Viana do Castelo, prometendo uma noite de música, glamour e experiências exclusivas.

Regional 31 Dezembro, 2025

Outubro de 2025 marcado por reeleição de Luís Nobre como presidente da Câmara de Viana do Castelo

Luís Nobre, candidato do Partido Socialista, garantiu a reeleição para a presidência da Câmara Municipal de Viana do Castelo, alcançando 42,76% dos votos e mantendo cinco lugares no executivo. O resultado assegura a continuidade da equipa do mandato anterior e reforça a presença do PS na governação local.

Regional 31 Dezembro, 2025

Madeira dos passadiços da ecovia do Vez dá nova vida a abrigos para gatos em Arcos de Valdevez

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez está a reutilizar a madeira dos passadiços danificados da ecovia do rio Vez para substituir as casas abrigo das colónias de gatos do concelho, numa iniciativa que cruza sustentabilidade ambiental e bem-estar animal.

Regional 31 Dezembro, 2025

Arranque do Novo Mercado e do TuViana marcam setembro de 2025 em Viana do Castelo

Setembro ficou marcado pelo início de dois grandes projetos que vão transformar a cidade: o novo Mercado Municipal, com obras a arrancar no terreno do antigo prédio Coutinho, e o TuViana, o novo sistema de transportes urbanos 100% elétrico que começou a operar, melhorando a mobilidade no centro histórico, periferia e freguesias.