Às vezes, uma simples formatação num computador revela pequenos tesouros guardados no fundo do tempo. Fotografias antigas, pastas esquecidas, fragmentos de uma infância que, à distância, parecem pertencer a outro mundo — e talvez pertençam mesmo.

Volto aos anos 80. Era uma turma do 1.º ciclo. Os meus colegas vinham de todos os lados e de todas as realidades: filhos de pescadores, metalúrgicos, serralheiros (como o meu pai), professores, médicos, pequenos empresários. Uns moravam no bairro dos pescadores, outros na Ribeira, nos bairros sociais, nos Cabeços (como eu), ou nas ruas mais centrais da cidade. Na sala de aula, e depois nos recreios e ruas à volta da escola, convivíamos todos — brancos, branquinhos, morenos, moreninhos, ciganos e não ciganos, ricos e pobres. A diversidade não era tema: era vida.
Olhando para trás, sinto uma gratidão enorme por ter crescido nesse contexto. Foi uma pré-adolescência rica e cheia de aprendizagens que não vinham dos manuais escolares. A diferença era aceite, a convivência era natural. Discutíamos, jogávamos à bola, emprestávamos merendas. Havia desigualdades — muitas —, mas também havia uma espontaneidade no estar juntos, no reconhecer-se no outro, mesmo que tão diferente.
Hoje, olhando à volta, é difícil não sentir uma tristeza profunda. A sociedade parece ter desaprendido a conviver com a diferença. Há mais muros que pontes. O medo substituiu a curiosidade. O preconceito voltou a ser política. O ódio tem palco, voz, voto. O que antes se resolvia com um “brinca lá também”, resolve-se agora com exclusão, rotulagem, agressão — muitas vezes nas redes, outras nas urnas.
Estamos a regredir social e civilizacionalmente. E isso não se vê apenas nas políticas públicas ou nos discursos extremistas — vê-se no quotidiano, nas conversas de café, nos grupos de WhatsApp, no silêncio cúmplice perante a injustiça. Perdeu-se a empatia. Perdeu-se a alegria de aprender com o outro. E talvez seja esse o maior sinal do nosso tempo: confundimos segurança com isolamento, identidade com intolerância, e progresso com consumo.
Mas talvez haja ainda tempo de lembrar. Lembrar como era viver entre mundos diferentes sem que isso fosse problema. Lembrar o que nos tornava mais humanos e mais próximos. E talvez, só talvez, consigamos passar isso adiante — aos que vêm depois de nós — antes que seja tarde demais.
Paulo Gomes
A Citânia de Santa Luzia, em Viana do Castelo, recebeu, na noite de sábado, uma visita guiada especial integrada nas comemorações das Jornadas Europeias da Arqueologia, este ano subordinadas ao tema “A Arqueologia a acontecer”.
O filme promocional "O Legado em Cada Gesto", produzido pela VianaFestas para a Romaria d'Agonia 2025, foi distinguido com o prémio Best Film – Cultural Tourism na 10.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Turismo da Turquia, realizada em Ancara e que reuniu participantes de 35 países.
Viana do Castelo recebeu, nos dias 11 e 12 de junho, a 6.ª reunião do Comité de Direção e Técnico do projeto europeu Atlantic Sunset, iniciativa que reúne parceiros de vários países com o objetivo de promover alguns dos mais emblemáticos locais de observação do pôr do sol ao longo da fachada atlântica europeia.
Ponte da Barca prepara-se para receber, nos dias 26 e 27 de junho, a IV edição do Mercado do Vinho, um evento que volta a colocar os vinhos verdes, a gastronomia regional e a animação musical no centro das atenções. A iniciativa decorre na Praça Terras da Nóbrega e promete atrair centenas de visitantes ao concelho para um fim de semana dedicado aos sabores, tradições e identidade do território.
Todos nós já sentimos uma palpitação — um susto, um golo da nossa seleção, uma surpresa inesperada. Na maioria das vezes, tratou-se de situações passageiras e sem importância. Mas, nalguns casos, esse batimento irregular pôde ser sinal de uma arritmia, uma alteração do ritmo cardíaco que mereceu atenção.
O lugar de Portuzelo, na freguesia de Santa Marta, em Viana do Castelo, volta a celebrar as tradições com mais uma edição dos Santos Populares, promovida pela Associação de Moradores de Portuzelo.
A Igreja de São Pedro de Rubiães, em Paredes de Coura, foi palco de filmagens da televisão pública checa, no âmbito de uma série documental dedicada a Portugal que será exibida no programa "Bedekr", da Česká Televize.