A “Piróga Monoxila” cuja cronologia aponta para o período entre a segunda metade do século X e a primeira metade do século XI, classificada como Tesouro Nacional, já chegou ao Museu Municipal de Caminha.

Recorde-se que na altura do anuncio feito pela Câmara Municipal de Caminha, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo Luís Nobre, disse ter sido completamente “apanhado de surpresa” pelo anúncio de que a piroga encontrada há 39 anos no rio Lima iria integrar o espólio do museu de Caminha.
Designada Lima 1, a piroga remonta ao período entre a segunda metade do século X e a primeira metade do século XI.
Em junho passado, a Câmara de Caminha adiantou que a “piroga foi retirada do leito do rio Lima, em Viana do Castelo, no dia 02 de março de 1985, e transportada para um armazém pertencente à capitania local, onde passou despercebida”.
Viria a ser comprada por Raúl de Sousa, à época funcionário da Câmara de Caminha e pertencente ao grupo organizador do Museu Municipal de Caminha (MMC).

Ao todo, foram encontradas sete pirogas no rio Lima, classificadas como Conjunto de Interesse Nacional (CIN), tendo-lhes sido atribuída a designação de “tesouro nacional”, segundo decreto publicado em Diário da República, em junho de 2021.
Do conjunto, a descoberta da primeira piroga remonta a 1985 e a última a 2023.
As peças encontram-se no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), em Lisboa.
“Trata-se de um conjunto que, no contexto da Península Ibérica, não possui paralelo tendo em conta o número de embarcações envolvidas, constituindo um testemunho notável da navegação que se praticava no rio Lima desde a Idade do Ferro até à Baixa Idade Média, datações estas obtidas por radiocarbono”, é referido no documento que confirma a classificação.

A classificação foi proposta ao Governo, em 2020, pela DGPC.
As pirogas monóxilas são feitas a partir de um tronco de árvore, escavado para o efeito, sendo que este tipo de embarcação é conhecido, na Europa, desde a pré-história, mais precisamente desde o neolítico.
No caso das embarcações encontradas no rio Lima, as duas mais antigas estão “datadas por carbono 14, dos séculos IV/III Antes de Cristo”.
Para que esta operação fosse possível, a Câmara Municipal de Caminha “desenvolveu um longo processo, nunca desistiu, e aprovou um contrato com o Património Cultural, Instituto Público, que prevê a cedência temporária de bens culturais móveis, neste caso a “Piroga Monóxila”.
Está a ser preparada para poder ser exposta ao público.

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