A hemodiálise é um tratamento vital periódico que não pode ser interrompido. Em Portugal, milhares de pessoas dependem deste tratamento pelo menos três vezes por semana, durante várias horas, para substituir parcialmente a função dos rins.

Esta regularidade do tratamento é essencial para manter o equilíbrio do organismo e evitar complicações graves. A interrupção do tratamento, mesmo que por poucos dias, pode provocar acumulação de líquidos, aumento da tensão arterial, falta de ar, alterações perigosas dos níveis de substâncias no sangue e mal-estar intenso, podendo levar a situações de risco de vida. Esta realidade condiciona a vida profissional, familiar e social, tornando o planeamento de qualquer deslocação muito mais complexo do que para a maioria da população.
Para a maioria das pessoas, as férias representam descanso e liberdade. No entanto, para quem depende do tratamento de hemodiálise, viajar pode ser desafiante, exigindo uma preparação rigorosa e capacidade de adaptação para sair da chamada “zona de conforto” associada aos cuidados e à equipa de saúde já conhecidos.
Ainda existem barreiras que impedem muitas pessoas com doença renal de usufruírem plenamente do direito a férias. Encontrar uma unidade de hemodiálise disponível no destino pretendido nem sempre é fácil. A elevada procura, a limitação de vagas, constrangimentos ao nível dos transportes ou das acessibilidades e as diferenças na organização entre regiões podem transformar aquilo que deveria ser um momento de descanso numa verdadeira fonte de ansiedade.
É por isso que o planeamento antecipado é tão importante. Quanto mais cedo forem realizados os contactos entre a unidade de hemodiálise de origem e a unidade de destino, maiores serão as hipóteses de garantir uma vaga, horários compatíveis, a correta transmissão de informação clínica e uma transição segura do plano de cuidados entre equipas.
As pessoas em hemodiálise têm o mesmo direito ao lazer, ao descanso e ao convívio familiar que qualquer outro cidadão. As férias não são um luxo, são uma componente importante do bem-estar físico e emocional de cada pessoa. A possibilidade de viajar contribui para combater o isolamento, reduzir o impacto psicológico da doença crónica e melhorar a qualidade de vida.
Para as pessoas com doença renal crónica que desejam viajar, deixo algumas recomendações práticas:
Fale com a sua equipa de saúde para obter aconselhamento e preparar a sua viagem com segurança.
Boas férias!
Por Cristina Pires, Clinical Services Specialist South na DaVita Portugal.
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