Cláudia Loureiro terminou a licenciatura em Gestão na Universidade Politécnica de Viana do Castelo depois de estudar em Macau e participar num projeto internacional apresentado no Equador. Aos 20 anos, concluiu o curso nos três anos previstos.

Quando ingressou na licenciatura em Gestão da Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (ESTG-UNIPVC), Cláudia Loureiro perspetivava um percurso académico relativamente convencional, eventualmente complementado por uma experiência Erasmus na Europa.
Três anos depois, a jovem natural de Ponte de Lima terminou o curso com um percurso marcado por duas experiências internacionais: um semestre de estudos em Macau e a participação num projeto de inovação apresentado no Equador.
“Macau e o Equador não estavam presentes nem nos meus sonhos mais loucos”, admite a recém-licenciada, que concluiu a formação dentro do prazo previsto, apesar das exigências associadas às duas experiências.
A oportunidade de estudar na Universidade Politécnica de Macau surgiu no final de março de 2025 e obrigou Cláudia Loureiro a tomar uma decisão rápida. Embora a mobilidade pudesse implicar o prolongamento da licenciatura, a estudante decidiu avançar.
“Não é todos os dias que se recebe a oportunidade de estudar num lugar tão diferenciador e, ao mesmo tempo, tão familiar”, recorda.
Durante o semestre, frequentou, em inglês, cinco unidades curriculares do curso de Administração de Empresas em Marketing, abrangendo áreas como comunicação, ética empresarial, publicidade e pesquisa de marketing.
A experiência permitiu-lhe contactar com outros métodos de ensino, assentes na avaliação contínua, em apresentações, exames e trabalhos de grupo. Fora da sala de aula, integrou a equipa de Dragon Boat da universidade e participou em atividades interculturais relacionadas com a cultura e as relações entre a China e os países de língua portuguesa.
A passagem por Macau representou também um importante exercício de autonomia e adaptação. Longe de casa, Cláudia teve de gerir processos desconhecidos, organizar o tempo e comunicar diariamente numa língua diferente.
“Macau ensinou-me, como pessoa, estudante e futura profissional, que conseguia gerir muito mais coisas do que aquilo que pensava”, sublinha.
Após regressar a Portugal, Cláudia Loureiro aceitou um novo desafio internacional e participou no SFERA Experience, programa promovido pela Universidad Camilo José Cela, de Madrid, que reúne estudantes e docentes de instituições de ensino superior de vários países ibero-americanos.
Durante quatro meses, integrou uma equipa que desenvolveu o “Norte Flex”, uma aplicação baseada em inteligência artificial destinada a ajudar trabalhadores do setor industrial a escolher percursos e meios de transporte mais sustentáveis, rápidos ou económicos.
O projeto previa ainda a atribuição de benefícios aos utilizadores que optassem por soluções de mobilidade sustentável.
Todo o trabalho foi desenvolvido em espanhol e incluiu a análise de estudos, a realização de entrevistas, a identificação das necessidades dos potenciais utilizadores e a avaliação da viabilidade e do impacto da proposta.
A participação no programa decorreu em simultâneo com as aulas, frequências e exames da licenciatura. O grupo realizava duas sessões online por semana, além do trabalho necessário para desenvolver e validar a aplicação.
O “Norte Flex” acabou selecionado para a fase final do SFERA Experience 2026, realizada no final de julho na Universidad San Francisco de Quito, no Equador.
A ESTG-UNIPVC esteve também representada pela estudante Jéssica Sá e pelos docentes Helena Santos Rodrigues, tutora do projeto, e Nuno Domingues, cotutor.
No Equador, Cláudia Loureiro ficou responsável por apresentar o projeto perante uma plateia com mais de 90 pessoas. Além da exposição pública, enfrentou o desafio de fazer toda a apresentação em espanhol.
“Era a única pessoa que não tinha o espanhol como língua nativa a apresentar. No final, senti alívio e a sensação de dever cumprido”, conta.
A edição reuniu representantes de cerca de duas dezenas de universidades de 14 países ibero-americanos, numa semana dedicada à formação, ao trabalho colaborativo, ao desenvolvimento de projetos e ao intercâmbio cultural.
Apesar de o “Norte Flex” não ter vencido a competição, a participação na fase final constituiu um dos momentos mais relevantes do percurso académico da estudante.
As experiências em Macau e no Equador permitiram a Cláudia Loureiro contactar com contextos sociais e culturais distintos e desenvolver competências linguísticas, académicas e pessoais.
Além de melhorar o espanhol e iniciar a aprendizagem de mandarim, a jovem reforçou a capacidade de adaptação, o pensamento crítico e a confiança para trabalhar em ambientes multiculturais.
“Vivemos todos no mesmo mundo, mas em realidades diferentes”, afirma, destacando a importância de conhecer outras culturas e formas de interpretar os mesmos problemas.
Durante a licenciatura, Cláudia foi ainda “Guide-friend” de estudantes internacionais e integrou a associação ligada ao curso de Gestão, tendo participado na coordenação das Jornadas de Gestão de 2025.
A jovem, que entrou no ensino superior com dúvidas sobre a adaptação à vida académica, descreve-se agora como uma “mulher multifacetada”, moldada pelas pessoas, dificuldades e oportunidades encontradas ao longo dos últimos três anos.
Aos estudantes que ponderam realizar uma experiência internacional, deixa um incentivo: “Se sentirem aquele puxão para fazer uma mobilidade, atirem-se de cabeça.”
Cláudia Loureiro iniciou o último ano do seu percurso académico em Macau, terminou-o no Equador e regressou a Portugal como licenciada em Gestão. Agora, prepara-se para enfrentar uma nova etapa profissional, levando consigo a convicção de que o desconhecido pode ser também um lugar de oportunidades.
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