A esteatose hepática, antes designada como "fígado gordo", corresponde à acumulação de gordura em mais de 5% da massa do fígado.

Nalguns casos, a acumulação de gordura pode permanecer como tal, sem doença significativa do fígado, mas noutros, há progressão da doença com inflamação e fibrose, levando a formas de doenças mais graves, como a cirrose, o carcinoma hepatocelular e ao comprometimento da função hepática.
A Doença Hepática Esteatósica, é uma doença silenciosa, que habitualmente não causa qualquer sinal ou sintoma. Pode ter várias origens e fatores de risco, sendo as mais comuns, o consumo de álcool, a obesidade e a Diabetes.
De acordo com o Global Liver Institute, trata-se de uma epidemia global, estimando-se que, até 2030, mais de 357 milhões de pessoas sejam afetadas por esta doença. Em Portugal, os dados publicados em 2020, apontavam para uma prevalência estimada de esteatose hepática em quase 38% dos adultos, com 17% deles, com “fígado gordo não alcoólico”.
A prevalência da esteatose hepática em pessoas sem consumo habitual de álcool, ou apenas com pequenos consumos, relacionados sobretudo com fatores de risco como por exemplo, obesidade, diabetes, aumento das gorduras no sangue, tem vindo a aumentar globalmente. Estimando-se que afete atualmente cerca de um terço da população mundial global, embora variando consoante as populações, registou um aumento significativo nos últimos anos e deverá afetar uma parte ainda maior da população, no futuro. Este aumento está intimamente ligado ao crescimento marcado da prevalência dos fatores de risco, como a obesidade, a diabetes tipo 2 e a chamada síndrome metabólica, relacionada com a perda de eficácia da insulina (insulino resistência) e associada ela própria a riscos cardíacos e metabólicos marcados.
A esteatose hepática surge, na maioria dos casos, devido a hábitos de vida não saudáveis, diretamente relacionados com estilos de vida menos saudáveis, nomeadamente a alimentação com excesso de calorias e uma vida sedentária, que concorrem para o surgimento da esteatose hepática, havendo ainda a evidência de riscos genéticos em muitos doentes, como no caso de pessoas sem excesso de peso, onde a doença pode surgir também.
O consumo de açucares em excesso (doces e por exemplo refrigerantes ricos em açúcar), e de alimentos ricos em gorduras, é tão prejudicial para a saúde do fígado como o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Assim, a prevenção passa essencialmente pela adoção de uma alimentação saudável, com menor consumo de gorduras, hidratos de carbono, alimentos processados e ultraprocessados, muito ricos em energia, sendo recomendado reforçar a ingestão de alimentos naturais menos processados, de vegetais e de fibras. De igual modo, deve-se reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, ou mesmo manter a abstinência alcoólica e manter uma prática regular de exercício físico.
É importante consultar o seu médico assistente regularmente, para prevenir os fatores de risco da doença, fazer exames periódicos de rotina e detetar precocemente a doença. A saúde é um todo e ao adotar um estilo de vida saudável, protege o fígado e simultaneamente favorece o bom funcionamento de todo o organismo.
A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) tem desenvolvido campanhas de sensibilização no âmbito do Dia Internacional da Doença Hepática Esteatósica, alertando para a relevância de prevenir, detetar e tratar precocemente esta doença silenciosa que afeta uma parcela significativa da população portuguesa.
Jorge Leitão, Secretário-Geral da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF).
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