Logo
Opinião

OPINIÃO: Desmaterialização

14 Junho, 2023 | 11:27
Partilhar
Ilda Araújo Novo
3 min. leitura

Não é de agora a tendência crescente, nas nossas escolas, da generalização de ambientes de aprendizagem virtual. 

 “A Suécia decidiu acabar com os “tablets” nas escolas para regressar aos tradicionais manuais escolares em papel. A decisão é tomada com base em vários estudos que demonstram que os ecrãs interactivos refreiam o desenvolvimento da inteligência. A presença dos tablets na sala de aula estava a ser mais prejudicial do que benéfica para um saudável desenvolvimento da aprendizagem. A notícia foi publicada quinta-feira, dia 1, na página 20 do jornal francês “Liberation”.”

Não é de agora a tendência crescente, nas nossas escolas, da generalização de ambientes de aprendizagem virtual. 

Professores e alunos fazem já uma utilização intensiva dos recursos educativos digitais disponibilizados pelas diversas editoras que, cumulativamente com a aquisição dos manuais em papel, proporcionam o acesso ao manual digital.

No concelho de Viana do Castelo, na sua generalidade, as escolas estão hoje em dia equipadas de boas estruturas tecnológicas. A utilização do computador ou de quadros interactivos, o uso de tablets e até de smartphones – estes menos comuns nas salas de aula -, fazem a diferença como suporte e mediadores de novas formas de proporcionar aprendizagens significativas.

Um manual digital interactivo é, efectivamente, um factor de mudança, quando alicerçado em ambientes de aprendizagem activa, que se desejam e que, a generalizar-se com os adequados equipamentos de suporte, poderá implicar mudar totalmente o paradigma do ensinar e aprender. 

Portanto, merece séria ponderação dotar a comunidade escolar de uma solução tecnológica abrangente, que se adeque aos diferentes contextos de aprendizagem, quer em sala de aula, quer no estudo autónomo nos diferentes níveis de ensino.

Contudo, há igualmente que ponderar e avaliar os impactos da sua eventual universalização, que muitos preconizam. É que a bondade da pretensão pode resultar, não na atenuação, mas sim em descriminação e na potenciação de diferenças sociais e económicas e, a longo prazo, em  prejuízos no próprio processo de aprendizagem. 

É do conhecimento público a existência de projectos piloto e estudos a decorrer nesta área. Há que os concluir e avaliar adequadamente, nomeadamente no que respeita aos impactos e objectivos pretendidos. 

Com efeito, é inegável haver indícios que apontam vantagens na dimensão da motivação e da aquisição de competências transversais. Todavia, segundo um estudo da Universidade Católica Portuguesa, o impacto na aprendizagem e, mais concretamente, a relevância nos resultados escolares, não é ainda suficientemente concludente.

Não basta tecnologia, espaço e alunos para que as aprendizagens se façam. A realidade não é assim, há outras dimensões a considerar. 

A título de exemplo: um estudo realizado em 10 países europeus – Portugal incluído – e asiáticos, levado a cabo na London School of Economics pelo Departamento Media & Communications, concluiu que escrever à mão e ler – livros ou material didáctico – em papel, facilita a concentração e proporciona uma maior absorção de informação.

Este estudo vem ao encontro das razões subjacentes à decisão na Suécia. 

Pretende-se fazer mais e melhor com menos, ensinar e aprender melhor. Mas um processo de 

simples substituição de manuais em papel por manuais em suporte digital exige prudência e ponderação.  

Para ter um eventual sistema 1:1, seja por acção institucional, seja numa política de BYOD (Bring your own device = traz o teu próprio equipamento), naturalmente, para introduzir novas e adequadas metodologias e estratégias educativas, há que considerar o que outros países já concluíram: que o digital nem sempre é o melhor. 

Devo ainda salientar que, segundo o artigo no “Liberation”, “a leitura em ecrã fica menos “impressa” na memória do que a leitura em papel (…), sendo sublinhado “que a escola reclama paciência, um discurso personalizado, o diálogo, o questionamento para compreender o mundo”. 

No meu entendimento, o equilíbrio e a complementaridade deverão ser considerados, nunca a desmaterialização generalizada ou definitiva dos manuais escolares.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Nacional 4 Fevereiro, 2026

Depressão Leonardo mantém país sob alerta para cheias e inundações até quinta-feira

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) mantém o alerta para risco de inundações urbanas, cheias, derrocadas e acidentes em zonas costeiras, devido à passagem da depressão Leonardo por Portugal continental.

Nacional 3 Fevereiro, 2026

Luís Nobre: “Faremos tudo para que o cinema continue a existir em Viana do Castelo”

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, assegurou que fará “tudo ao seu alcance” para que o cinema continue a existir no concelho e no distrito, face ao encerramento das salas da Cineplace.

Cultura 3 Fevereiro, 2026

Tui e Valença celebram 14 anos de Eurocidade com concerto gratuito

O Teatro Municipal de Tui acolhe, no próximo sábado, dia 7 de fevereiro, às 19h00, o Concerto do 14.º Aniversário da Eurocidade Tui–Valença, um evento que celebra a união cultural e artística entre as duas cidades fronteiriças.

Regional 3 Fevereiro, 2026

Viana do Castelo lança passe único de 20 euros e amplia rede de transportes urbanos

A Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou esta terça-feira o novo regulamento do transporte público urbano, que simplifica tarifas e lança um passe único de 20 euros por mês, válido para todas as linhas do TUViana.

Regional 3 Fevereiro, 2026

Câmara de Viana do Castelo aprova tolerâncias de ponto para 2026

A Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou esta terça-feira, por unanimidade, as tolerâncias de ponto para os trabalhadores municipais, incluindo os serviços municipalizados, ao longo do ano de 2026. A medida permite que os funcionários possam planear as férias em consonância com datas festivas, sem comprometer o funcionamento dos serviços essenciais.

Nacional 3 Fevereiro, 2026

Monção coloca em consulta pública regulamento de apoio aos bombeiros voluntários no pagamento do IMI

O projeto de regulamento municipal que prevê a atribuição de apoios aos Bombeiros Voluntários de Monção, incluindo comparticipação no pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), entrou esta terça-feira em consulta pública, após publicação em Diário da República.

Regional 3 Fevereiro, 2026

Executivo de Viana do Castelo aprova parecer favorável à elevação de Vila de Punhe a vila

O executivo da Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou, esta terça-feira, a emissão de um parecer favorável ao Projeto de Lei n.º 354/XVII, que propõe a elevação da povoação de Vila de Punhe à categoria de vila.