As mulheres são a maioria da população portuguesa e contribuem para uma das maiores taxas de participação no mercado de trabalho da União Europeia, mas ganham menos do que os homens em todas as categorias de profissões.

De acordo com informação da Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para assinalar o Dia Internacional das Mulheres, em 08 de março, as mulheres estão em maioria na população portuguesa (52%) e a proporção de mulheres aumenta ao longo dos escalões etários.
“Por cada 100 mulheres, existem 92 homens, colocando o país em 4.º lugar dos 27 países da União Europeia (UE27) com menor número de homens por cada cem mulheres”, refere a Pordata, sublinhando, no entanto, que o cenário varia consoante o escalão etário.
Entre o grupo dos zero aos quatro anos, há mais homens do que mulheres, “mas a proporção aumenta gradualmente até aos 70-74 anos (54,4% de mulheres)” e, segundo a Pordata, é “bastante superior no escalão etário mais elevado: a partir dos 100 anos, há quatro vezes mais mulheres do que homens”.
Em relação ao mercado de trabalho, “Portugal tem uma das maiores taxas da União Europeia de participação feminina no mercado de trabalho” e as mulheres portuguesas trabalham sobretudo a tempo inteiro, apesar de haver uma “grande precariedade de vínculos contratuais”, já que “quase uma em cada cinco mulheres tem um contrato de trabalho temporário”.
Por outro lado, quase metade (49%) das mulheres empregadas trabalhavam em três das categorias de profissões que auferem salários mais baixos e na categoria de trabalhadores não qualificados, as mulheres representam 69% do total de trabalhadores.
“Em todas as categorias de profissões (…) há uma disparidade de ganhos entre homens e mulheres — sem exceção e penalizadora para a população trabalhadora feminina”, salienta a Pordata.
Destaca que as mulheres ganham, em média, menos 16% do que os homens, com uma diferença de 238 euros no ganho médio mensal, e que a desigualdade salarial aumenta com a progressão na carreira, atingindo uma diferença de 26% nos cargos de topo, o que equivale a menos 760 euros por mês para as mulheres.
Também nos cargos de topo e de liderança, a presença de mulheres “é significativamente inferior à dos homens” e, segundo a Pordata, “nos órgãos de decisão das empresas, havia menos de uma mulher por cada quatro homens (17%) nos cargos seniores”.
Esta situação coloca Portugal na base do ‘ranking’ dos países europeus, ficando em 22.º lugar entre os 27.
A vulnerabilidade das mulheres reflete-se também no risco de pobreza que, no geral, é mais elevado do que nos homens.
“Em particular, [é] mais elevado nas mulheres com 65 anos ou mais, e maior também nas famílias monoparentais com filhos (onde, uma grande maioria — 90%, o adulto sozinho com as crianças é mulher)”, refere a Pordata.
Já no que diz respeito à educação, as mulheres apresentam menores taxas de abandono escolar em comparação com os homens e têm uma presença significativa no ensino superior.
“Entre os 25 e os 64 anos, 34% das mulheres concluíram a licenciatura, em contraste com 25% dos homens. Essa diferença torna-se ainda mais evidente na faixa etária dos 25 aos 34 anos, onde 48% das mulheres possuem um diploma universitário, em comparação com 35% dos homens”, diz a Pordata.
Noutro indicador analisado, a Pordata constata que as mulheres portuguesas têm vindo a adiar a maternidade, com a idade ao primeiro filho a ultrapassar os 30 anos, ao mesmo tempo que as gravidezes na adolescência têm diminuído.
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