O pedido de inscrição como Património Cultural Imaterial (PCI) do ‘castrejo’, língua utilizada pelos habitantes de Castro Laboreiro, em Melgaço, distrito de Viana do Castelo, vai ser formalizado em junho por iniciativa da câmara local.
Em declarações hoje à agência Lusa, o antropólogo Álvaro Campelo explicou que, nos últimos três anos, foi realizado um “trabalho de campo, com entrevistas e filmagens, que mostrou da ainda relativa pujança do ‘castrejo’ entre alguns dos habitantes de Castro Laboreiro, a maior freguesia do concelho de Melgaço e integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).
“O facto de este dialeto/fala estar em claro risco de desaparecimento, por ser quase só falado por pessoas de idade, obriga à sua classificação e aprofundamento do seu estudo”, defendeu o investigador e professor universitário, responsável pelo processo de candidatura.
Segundo Álvaro Campelo, a candidatura está concluída, aguardando apenas a formalização do pedido de inscrição do ‘castrejo’ no inventário nacional de PCI.
No documento, a que a Lusa teve acesso, o investigador sublinha que “a Câmara de Melgaço, consciente do riquíssimo PCI do concelho, tem desenvolvido várias atividades de estudo, investigação e promoção deste património”.
“O espaço territorial de montanha do concelho de Melgaço legou um rico património oral, não só nas cantigas e lendas, mas na prevalência de uma forma arcaica da língua, aqui chamada de ‘castrejo’ ou ‘Fala dos castrejos’, que faz parte do legado linguístico de um momento da história comum do território atual de Portugal e Galiza [em Espanha]”, lê-se no resumo da candidatura.
Esse “património linguístico comum contribuiu para dar origem ao português padrão atual, uma língua que muitos filiam no galaico-português, mas que evoluiu, como língua de comunicação, de cultura e literária, com o avançar da ocupação dos territórios do centro e sul de Portugal e com o contacto com povos e culturas de outros continentes”.
Álvaro Campelo explicou que a classificação pretende “preservar um legado cultural, mas também, através da sua inventariação, estar a dar a conhecer à comunidade nacional e internacional um dos seus patrimónios culturais imateriais, no campo da cultura oral e da linguística, que muitos dos seus habitantes ainda hoje utilizam para comunicarem”.
“Inventariar e dar a conhecer este PCI é respeitar o legado de gerações de castrejos, de histórias e estórias vividas e transmitidas, algumas delas em risco de desaparecimento e outras já desaparecidas”, acrescentou.
Segundo o investigador, o município de Melgaço “tem consciência dos riscos de perda irremediável deste património linguístico, por razões muito diversas”.
“A urgência em dar a conhecer o ‘castrejo’, ainda hoje utilizado na comunicação entre os habitantes de Castro Laboreiro, é uma obrigação a que não se furta”, realçou.
“Não sendo uma língua classificada, como o português e o mirandês, é ainda hoje utilizado na comunicação entre as gentes de Castro Laboreiro”, mas também noutros concelhos, como Monção, pela proximidade à Galiza.
Segundo o trabalho realizado por Álvaro Campelo, “a prevalência histórica desta tradição oral revela a mundivisão e a cultura tradicional desta comunidade, fundamental para se entender como ela se construiu ao longo de séculos”.
“Comunidade situada na raia fronteiriça, com a preservação do ‘castrejo’ encontramos uma das manifestações culturais que nasceu e sobreviveu em profunda relação com essa condição”, é outra das razões que sustentam a classificação.
Na madrugada do próximo domingo, 29 de março de 2026, Portugal continental e a Região Autónoma da Madeira fazem a transição para o horário de verão. A mudança ocorre às 01h00, momento em que os relógios devem ser adiantados uma hora, passando automaticamente para as 02h00.
A iniciativa “Páscoa Doce” regressa ao centro histórico de Viana do Castelo entre os dias 27 de março e 6 de abril, trazendo uma programação diversificada que alia celebração religiosa, tradição e animação cultural. A organização é da Câmara Municipal, em parceria com a Associação Empresarial do Distrito e a Diocese de Viana do Castelo.
Ponte de Lima volta a afirmar-se como palco de referência da canicultura em Portugal com a realização da IX Exposição Canina Nacional e da VIII Exposição Canina Internacional do Alto Minho, agendadas para os dias 18 e 19 de abril de 2026, no Pavilhão de Feiras e Exposições da Expolima.
A Casa do Conhecimento de Ponte da Barca acolheu a sessão “Territórios de Fronteira, Lugares de Encontro”, uma iniciativa dedicada à análise dos territórios raianos enquanto espaços de cooperação, proximidade e construção coletiva.
O Município de Vila Nova de Cerveira e a cidade norte-americana de Newark, no estado de New Jersey, formalizam esta quarta-feira, 25 de março, um protocolo de geminação, numa cerimónia realizada à distância, através da plataforma Zoom.
A Câmara Municipal de Viana do Castelo garantiu apoio à requalificação da Sé Catedral e da Igreja de Santo António, duas intervenções de relevo no património religioso do concelho, apresentadas publicamente esta segunda-feira.
A Igreja da Sagrada Família, em Viana do Castelo, recebe este sábado, 28 de março, pelas 18h30, a representação “Última Ceia, Última Cura”, uma encenação que recria o momento em que Jesus Cristo partilha a última refeição com os apóstolos.