Os empreendimentos turísticos do Algarve vão ter à sua disposição uma linha de apoio específica de 10 milhões de euros para apoiar a execução de medidas de eficiência hídrica, no âmbito do selo ‘Save Water’, foi, esta segunda-feira, anunciado.

A Linha +Eficiência Hídrica Algarve, que estará disponível a partir de 01 de abril, foi criada especificamente no contexto deste programa de eficiência hídrica que atestará a redução de consumos de água pelos empreendimentos turísticos, explicou o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade.
O responsável falava na apresentação pública do selo de eficiência hídrica ‘Save Water’, que integra 60 medidas, e da respetiva campanha de sensibilização aos turistas, realizada hoje na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro.
Esta foi uma das medidas aprovadas em fevereiro pelo Conselho de Ministros para reduzir em 15% o volume de água consumido pelo setor urbano, onde se inclui o setor turístico, no âmbito do combate à situação de seca na região.
A linha de financiamento, com apoio concedido a fundo perdido, conta com uma verba de 10 milhões de euros, a partir de receitas próprias do Turismo de Portugal. Todos os investimentos necessários à realização das medidas são elegíveis, com uma taxa de incentivo de 50% sobre as despesas elegíveis e um valor máximo por empresa de 50 mil euros.
As empresas que exploram empreendimentos turísticos no Algarve terão também acesso à Linha de Apoio ao Turismo + Sustentável, de âmbito nacional, que conta com um montante global de 50 milhões de euros para apoiar investimentos na área da sustentabilidade ambiental, revelou ainda o presidente do Turismo de Portugal.
Este instrumento de apoio passa por um empréstimo concedido pela banca (máximo de 750 mil euros), com um prémio de desempenho de 30% que pode ser atribuído às empresas desde que cumpram os indicadores de desempenho relativos à eficiência hídrica.
As 60 medidas previstas para adesão voluntária ao selo ‘Save Water’, a executar em três fases até ao final do ano, dividem-se entre 20 prioritárias, aquelas que darão resultado mais imediato, e 40 estruturantes, nas áreas de dispositivos, origens alternativas, rega, piscinas, equipamentos, limpeza, comportamentos, e gestão e manutenção.
As medidas serão monitorizadas pela Adene – Agência para a Energia, através de um portal especificamente criado para o efeito, onde as empresas também vão reportar os seus consumos.
“Se não implementarem as medidas a que se comprometeram, ou se não comunicarem os reportes dos consumos, deixarão de ostentar o selo”, disse o presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes, que numa segunda fase quer alargar o âmbito do selo ‘Save Water’ aos alojamentos locais e outras empresas ligadas ao setor.
O dirigente estimou uma “adesão massiva” das unidades de alojamento turístico da região, apesar de ser uma iniciativa voluntária, lembrando que algumas delas já estão a implementar há meses medidas relacionadas com eficiência hídrica.
O Turismo de Portugal vai criar uma campanha de sensibilização para os turistas, que na zona de chegadas do Aeroporto de Faro, ao levantarem as suas bagagens, serão confrontados com seis malas transparentes que terão, no seu conjunto, 235 litros de água.
Este é o volume de água que, segundo a Organização Mundial de Saúde, um turista “consciente e responsável pode poupar, por dia, na sua estadia”, explicou Lídia Monteiro, vogal do Turismo de Portugal, sobre uma ação que pretende criar impacto direto nos turistas.
O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, salientou que o projeto ‘Save Water’ contribuirá para “reafirmar o Algarve como um destino que vai liderar a sustentabilidade do turismo à escala mundial”.
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