A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), em Viana do Castelo, vai ser palco de um projeto inovador que pretende reforçar a segurança digital no setor da saúde e garantir a recuperação rápida de dados em caso de ataques informáticos.

A iniciativa, denominada Rescueware, resulta de uma parceria entre investigadores da Universidade do Porto, através do INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, e a empresa tecnológica InvisibleLab. O projeto será testado em ambiente real na ULSAM, que integra os hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima.
O objetivo principal é proteger sistemas hospitalares contra ataques de “ransomware” — um tipo de software malicioso que bloqueia o acesso a dados ou sistemas, exigindo o pagamento de um resgate — e assegurar a recuperação eficiente da informação crítica, minimizando interrupções nos serviços de saúde.
Segundo os responsáveis, a crescente digitalização dos hospitais torna estas instituições particularmente vulneráveis a ciberataques. Registos clínicos, diagnósticos e prescrições dependem hoje de sistemas informáticos, o que significa que qualquer falha pode ter impacto direto na prestação de cuidados.
“A indisponibilidade dos sistemas pode comprometer diretamente os cuidados aos doentes. Garantir uma recuperação rápida e integral da informação é essencial”, sublinha Francisco Cruz, fundador da InvisibleLab.
A participação da ULSAM como unidade piloto é vista como estratégica, colocando Viana do Castelo na vanguarda da inovação em cibersegurança na saúde. Para Orlando Dantas, responsável de cibersegurança da unidade, este envolvimento demonstra o compromisso da região com a proteção dos sistemas críticos e a segurança dos utentes.
O projeto prevê o desenvolvimento de ferramentas que combinam deteção precoce de ataques com mecanismos avançados de recuperação de dados, reduzindo o tempo de inatividade e evitando prejuízos financeiros, como o pagamento de resgates.
Além da vertente tecnológica, o Rescueware inclui ações de formação em ciberhigiene dirigidas a profissionais de saúde, promovendo boas práticas e reforçando a resiliência digital das instituições.
Com duração de três anos, o projeto é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional NORTE 2030, e destaca-se pela ligação entre investigação científica, desenvolvimento tecnológico e aplicação prática em contexto hospitalar real.
A iniciativa posiciona Viana do Castelo como um território de referência na inovação em saúde digital, contribuindo para sistemas mais seguros e preparados para responder a ameaças cada vez mais frequentes no mundo digital.
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