Um em cada três doentes crónicos que falha a toma da medicação não comunica essa situação ao médico, sobretudo por não a considerar relevante. A conclusão é de um estudo recente sobre a adesão à terapêutica em doenças crónicas, que traça um retrato preocupante do comportamento dos doentes em Portugal.

O inquérito mostra um aparente paradoxo: embora dois em cada três doentes afirmem que o médico questiona regularmente sobre o cumprimento da medicação, as respostas nem sempre refletem a realidade. A omissão de informação continua a ser frequente, o que pode comprometer o controlo das doenças.
Entre as patologias mais prevalentes destacam-se o colesterol elevado, referido por mais de metade dos inquiridos, e a hipertensão arterial. Apesar de a maioria dos doentes estar medicada, uma parte significativa não segue corretamente as indicações médicas. Cerca de 40% admitem não cumprir a terapêutica como prescrito, sendo o esquecimento apontado como o principal motivo.
O estudo evidencia ainda que muitas destas doenças são silenciosas, o que leva os doentes a subestimarem os riscos. Entre aqueles que não fazem medicação, a maioria não demonstra receio de agravamento do estado de saúde. Além disso, aumentou o número de pessoas que optam por não se medicar por se “sentirem bem”, bem como os casos sem acompanhamento médico regular.
Outro dado relevante prende-se com a literacia em saúde: quase metade dos inquiridos apresenta dificuldades em compreender e aplicar a informação médica no dia a dia. Este fator contribui para o distanciamento entre as recomendações clínicas e a sua implementação prática.
Apesar disso, existe consciência teórica sobre a importância da adesão à terapêutica. A maioria dos doentes reconhece que o incumprimento pode levar ao descontrolo da doença e ao aumento de internamentos ou idas às urgências. Ainda assim, essa perceção nem sempre se traduz em comportamentos consistentes.
O estudo sublinha a necessidade de reforçar estratégias de acompanhamento, simplificar a comunicação em saúde e promover rotinas que ajudem os doentes a cumprir a medicação de forma mais eficaz.
A investigação envolveu 600 participantes com mais de 35 anos e diagnóstico de doença crónica, tendo sido realizada entre fevereiro e março de 2026.
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