O presidente da Comissão Episcopal responsável pelo setor dos media, em Portugal, apelou hoje, em Viana do Castelo, a uma “ecologia da informação”, que permita distinguir o trabalho jornalístico de outros conteúdos presentes nas plataformas digitais.

“A sua missão é, não apenas a de fornecer a informação como também a de garantir a verdade dessa informação. É isso que distingue o seu trabalho daquilo que nos chega vindo das inúmeras redes que pululam (e poluem) o nosso ambiente humano. Também aqui necessitamos de ecologia — uma ecologia da informação’”, referiu D. Nuno Brás, na sessão de apresentação da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2024.
O bispo do Funchal apelou à reflexão sobre a criação de uma “Ordem dos Jornalistas”, para que os profissionais do setor possam defender as regras próprias de acesso e exercício da profissão, com capacidade de “defender efetivamente” o seu código deontológico.
“Era o momento de retomar esse assunto, com toda a seriedade”, prosseguiu.
O responsável apelou aos jornalistas a ter uma “atitude proativa” na defesa da “verdade”.
Num encontro acolhido pelo Colégio do Minho, na Diocese de Viana do Castelo, o responsável católico manifestou solidariedade aos profissionais das comunicações sociais, “face às difíceis situações em que se encontram e em que trabalham”.
“São jornalistas, pedimos-lhe que continuem a sê-lo: é isso que os torna indispensáveis”, sustentou.
O bispo do Funchal falou num mundo da “informação” e da “desinformação”, manifestando a sua preocupação com a “dificuldade em distinguir entre informação verdadeira e desinformação”.
“Não nos basta saber. Precisamos de saber se é verdade. É por isso que os jornalistas são essenciais ao nosso mundo”, precisou.
O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais convidou os profissionais dos media a “adotar padrões rigorosos de comportamento ético, capazes de facilmente os distinguir do fluxo informativo das redes”.
“Creio que as recentes questões à volta da sobrevivência de meios de comunicação e das condições de trabalho dos jornalistas estão relacionadas com toda esta problemática”, acrescentou.
Não podemos dispensar esta instituição que dá pelo nome de Comunicação Social. Não é imaginável um mundo em que ela não exista. Ou melhor: um mundo em que não exista comunicação social é algo que não queremos, sequer, imaginar”.

D. Nuno Brás saudou o papel da imprensa regional e dos que acompanham a atualidade religiosa, apelando a uma “comunicação de coração”, pedida pelo Papa, que distingue o ser humano da inteligência artificial, uma comunicação que “não dispensa a ética nem a procura da verdade”.
Na sua mensagem, divulgada hoje pelo Vaticano, o Papa Francisco reflete sobre a ‘Inteligência artificial e sabedoria do coração’, alertando para a importância de “regulamentar instrumentos” que podem causar “cenários negativos” em mãos erradas.
“É importante ter a possibilidade de perceber, compreender e regulamentar instrumentos que, em mãos erradas, poderiam abrir cenários negativos”, pode ler-se.
Num comentário a esta mensagem, D. Nuno Brás observou que a inteligência artificial vai tornar “o mundo mais globalizado” e a vida “mais veloz”, mas “não será nunca o mistério pessoal que cada ser humano constitui”.
“Cabe a todos nós tomar consciência de que, enquanto nos admiramos, e procuramos entrar neste admirável mundo novo, ao nosso lado e neste nosso mundo real, muitos milhões de seres humanos não possuem sequer o mínimo para sobreviver. Também disso o jornalismo não se pode nunca alhear”, concluiu, reforçando o apelo a uma “comunicação do coração”.
Durante o encontro, com mais de duas dezenas de profissionais, incluindo uma equipa da Viana TV, Isabel Figueiredo, diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS), assumiu a importância de tornar a identidade local “algo de palpável”.
A responsável sublinhou a necessidade de despertar nos mais novos “o desejo de ser jornalistas” e de dar atenção ao fenómeno religioso, defendendo o “caráter imprescindível” do jornalismo.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se, em cada ano, no domingo antes do Pentecostes – 12 de maio, em 2024.
A diretora do SNCS anunciou que, em 2025, o encontro anual com os profissionais dos media vai decorrer em Roma, assinalando o Jubileu dos Jornalistas, a 24 de janeiro.
O Santa Luzia FC somou o primeiro ponto na Liga Feminina Placard ao empatar sem golos na receção ao Maia FC/Mercainox, este sábado, no Pavilhão Municipal José Natário, em Viana do Castelo.
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