Logo
Nacional

Artesão fez da madeira forma de arte e constrói réplicas de catedrais famosas

12 Maio, 2024 | 14:50
Partilhar
Viana TV
3 min. leitura

O artesão Guilhermino Rodrigues constrói réplicas em madeira de famosas catedrais numa oficina, em Vila Pouca de Aguiar, onde corta e cola as milhares de peças que já ergueram a Sagrada Família ou a Basílica de São Pedro.

“O novo projeto é a catedral da Pedra, no Brasil. Este é o meu maior desafio. Fazia mais depressa quatro do Vaticano do que esta”, afirmou o artesão, de 78 anos, à agência Lusa.

Na aldeia da Carrica, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, Guilhermino Rodrigues tem a oficina onde dá vida à sua forma de arte, usando diferentes tipos de madeiras, e um pequeno espaço a que chama “Museu réplica das catedrais da Europa e América”.

Dentro do seu museu guarda a Sagrada Família (Barcelona, Espanha), a Basílica de São Pedro (Vaticano), as catedrais de São Patrick (Nova Iorque, Estados Unidos na América), de Notre-Dame (Paris, França), de Milão (Itália), do Quito (Equador), de Colónia (Alemanha), do Cristo Redentor (Brasil) e ainda do Mosteiro da Batalha, o seu primeiro projeto.

O artesão espera ver concretizado o projeto do município Vila Pouca de Aguiar para a construção de um espaço museológico ali ao lado, junto à Estrada Nacional 2 (EN2), onde poderão ficar expostas as suas obras de arte.

Replica estes monumentos internacionais através de fotografias dos edifícios e de maquetes, sem nunca os ter visto presencialmente. “Para já nunca vi nenhuma delas ao vivo”, referiu, confessando que gostava de visitar a Sagrada Família e até aperfeiçoar alguns pormenores na sua réplica.

Criou ainda uma igreja da sua autoria e recriou a igreja local de Telões.

Fazer “as coisas mais difíceis e complicadas” é o que o motiva e desafia e, por isso, agora Guilhermino Rodrigues concentra-se na catedral da Pedra.

“Esta arquitetura é totalmente diferente, é quase como se fizesse duas catedrais, faço uma e depois tenho que revesti-la, mas o trabalho tem que ser feito por partes”, referiu.

É como uma espécie de puzzle. O artesão está a construir peças que depois vai montar até concluir o templo religioso que é conhecido pelas diferentes cores de pedra com que as suas fachadas foram construídas.

Para replicar, Guilhermino está a usar madeira de cores diferentes e contou que já fez “cerca de 200 mil peças” que vai, agora, colar para dar vida ao templo religioso.

Na oficina, há madeiras espalhadas e equipamentos que usa como uma serra de fita, um torno, uma lixadora ou um grampo.

O trabalho é dificultado pela artrite reumatoide (doença reumática que afeta principalmente as articulações) que lhe foi diagnosticada aos 50 anos e que lhe afetou as mãos, mas que não o impede de trabalhar.

“Não consigo estar quieto”, confessou à Lusa.

Depois de uma vida dedicada ao trabalho, quer em madeira ou pedra, à construção ou recuperação de igrejas e capelas, em 2011 ouviu o cunhado contar que tinha visto na televisão uma réplica pequena do Mosteiro da Batalha e decidiu que iria fazer uma maior.

“O Mosteiro da Batalha demorou 36 dias a fazer e tem muito rendilhado”, salientou.

Para além das fachadas dos edifícios, dos telhados, torres e cúpulas, o artesão faz também o interior dos templos religiosos, como os altares, naves, arcos e a sua iluminação.

Guilhermino Rodrigues integra a Rota dos Artesãos, um projeto promovido pela Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), que pretende ser uma “homenagem às mãos criativas que, ao longo de décadas, têm vindo a moldar e a preservar a identidade cultural do território”.

A ADRAT salientou, aquando da apresentação da iniciativa, em abril, que “o artesanato é um testemunho vivo da evolução do engenho humano ao longo dos séculos” e que o Alto Tâmega e Barroso “é rico em manifestações artesanais”.

No projeto, que está em construção, já estão inscritos artesãos de diferentes municípios deste território do distrito de Vila Real.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Nenhuma descrição de foto disponível.

 

Fotos: Guilhermino Rodrigues – Arte em madeira

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Regional 17 Janeiro, 2026

Ponte de Lima promove atelier de broa de milho

No âmbito das comemorações dos 900 anos da fundação da vila de Ponte de Lima, o Centro de Interpretação do Território (CIT) organiza, no próximo dia 24 de janeiro, às 14h00, um atelier dedicado à confeção artesanal da broa de milho, em forno antigo a lenha.

Desporto 17 Janeiro, 2026

Juventude Viana recebe Termas esta noite no Pavilhão José Natário

A Juventude Viana entra em ação esta noite, recebendo o Termas OC às 21h30, no Pavilhão José Natário, em jogo da 13.ª jornada do Campeonato Nacional da II Divisão de hóquei em patins.

Nacional 17 Janeiro, 2026

IPVC e SEDES assinam protocolo para reforçar desenvolvimento do Alto Minho

O Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e a SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social assinaram um protocolo de colaboração com o objetivo de reforçar a ligação entre investigação académica, políticas públicas e desenvolvimento sustentável no Alto Minho.

Regional 17 Janeiro, 2026

Teatro do Noroeste promove sessão intergeracional nas Oficinas Regulares de Teatro

O Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana realizou, esta semana, uma sessão especial no âmbito das suas Oficinas Regulares de Teatro, substituindo o trabalho habitual de palco por um momento de conversa e reflexão entre os participantes.

Desporto 17 Janeiro, 2026

Santa Luzia e Freixo entram hoje em ação na Taça de Portugal

O futsal feminino do Alto Minho entra hoje na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, com dois jogos de destaque.

Nacional 17 Janeiro, 2026

Viana do Castelo acolhe sessão do ciclo “Tratar o Cancro por Tu” dedicada à prevenção

Viana do Castelo vai receber, no próximo 19 de fevereiro, uma sessão do ciclo nacional “Tratar o Cancro por Tu”, iniciativa do IPATIMUP – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto que pretende aproximar cientistas e cidadãos e esclarecer mitos sobre o cancro, uma doença que hoje é cada vez mais controlável. Segundo o investigador Manuel Sobrinho Simões, dois terços das pessoas diagnosticadas com cancro já não morrem da doença.

Cultura 16 Janeiro, 2026

Museu do Traje apresenta obra emblemática de Henrique Medina

Está patente ao público, na Sala Dr. Francisco Sampaio (Piso 0) do Museu do Traje, a emblemática pintura “Tipo Minhoto – Les Yeux Rieurs”, de Henrique Medina, uma obra a óleo sobre tela datada de 1959.