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Desporto

Direção da Associação Desportiva Afifense demite-se por não querer viver “sobre uma mentira”

1 Maio, 2024 | 14:44
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Eduarda Alves
6 min. leitura

Num comunicado enviado à Viana TV, e após posterior contacto, a direção do único clube de Andebol com escalão Sénior, do distrito de Viana do Castelo, dá nota da sua demissão. O presidente do clube, Carlos Sampaio exige "respeito pela ADA". Em causa estão castigos por alegados comportamentos incorretos do público durante o jogo nº 282 e multas aplicadas ao clube por "árbitros que estão acima da lei".

No comunicado pode ler-se:

“A direção da Associação Desportiva Afifense apresentou no dia 28 abril a sua demissão em bloco ao presidente da Assembleia Geral, direção liderada pelo presidente Carlos Sampaio.

Dia 12 de janeiro de 2024, o Conselho Disciplinar da Associação de Andebol de Braga, condenou a Associação Desportiva Afifense em pena de multa por comportamento incorretos do público durante o jogo nº 282, realizado no dia 6 de janeiro de 202, nos termos do n. 1 do artigo 56. do Regulamento Disciplinar da Federação de Andebol de Portugal, com base num relatório de jogo calunioso e sem assegurar o contraditório (Audiência prévia).

Por este motivo, foi dirigida Reclamação ao Abrigo do n.5 do artigo 7 do Regulamento Disciplinar da Federação de Andebol de Portugal a requeria a nulidade da decisão, por preterição das formalidades essências (contraditório) e pela não ocorrência dos factos que terão motivado a punição. No entanto, por despacho de 29 de janeiro de 2024, o conselho Disciplinar decidiu não dar provimento à reclamação apresentada.

Perante esta situação, dia 7 de fevereiro de 2024, foi interposto recurso da decisão do Conselho Disciplinar da Associação de Braga de 12 janeiro, que aplicou a pena de multa de 500 euros, requeremos a nulidade da decisão. Apesar de tudo, o Conselho de Justiça da Federação de Andebol de Portugal manteve a decisão do Conselho disciplinar da Associação de. Braga, por acórdão de 16 de abril de 2024, desfavorece e recriminando a Associação Desportiva Afifense.

Pelo vertido, a direção Associação Desportiva Afifense verificou não reunir as condições para continuar a exercer as suas funções, pois considerou estar a ser alvo de uma condenação injusta, discricionária e sem precedentes pelo Conselho Disciplinar da Associação de Andebol de Braga com o consentimento do conselho de Justiça da Federação de Andebol de Portugal.

Importa referir que, a Direção da Associação Desportiva Afifense fez tudo o que estava ao seu alcance para defender o seu bom nome e repor a verdade, em prol do bom funcionamento e prestígio da instituição, mas facto é que o Conselho Disciplinar da Associação de Andebol de Braga e o conselho de Justiça da Federação de Andebol de Portugal lhe vedaram essa possiblidade, pelo que não restou outra opção que a DEMISSÃO EM BLOCO DOS MEMBROS DA DIREÇÃO.

A direção demissionária.”

A Viana TV entrou em contacto com o presidente da ADA (Associação Desportiva Afifense), Carlos Sampaio, que afirma que “quem quer acabar com a modalidade de Andebol na ADA, é a Associação de Andebol de Braga e a Federação Andebol de Portugal e sem o apoio da Associação Andebol de Viana do Castelo”. “Nós estamos em competição há 42 anos, mas neste momento e depois dos acontecimentos alguém tem que por travão a estas atitudes. Não quero terminar a modalidade de andebol quero respeito pela ADA”.

Ainda sobre a sua decisão o presidente da Associação diz que o clube não pode “viver sobre uma mentira”, garantindo estar de consciência tranquila:

“Toda gente me conhece e sabe que eu nunca iria aceitar este desfecho. Ainda na semana passada paguei uma multa de 250 euros de 2019 e paguei porque sei que era verdade e foi muito bem aplicado o castigo. Não fujo das minhas responsabilidades diretivas mas sobre uma mentira jamais! Venha outro presidente venha outra direção”.

Carlos Sampaio que conta com o apoio do Presidente da Junta de Freguesia de Afife, Duarte Oliveira, admite já ter reunido com o vereador responsável pelo pelouro do desporto da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Ricardo Rego,  para o ajudar a repôr a verdade, porém se não obtiver uma resposta positiva ao pedido, admite tomar outras medidas.

“Vou enviar uma carta para Presidente da Assembleia Municipal de Viana do Castelo e ao Presidente da Assembleia de Freguesia de Afife, para tomarem uma posição contra AAB (Associação de Andebol de Braga) e FAP (Federação de Andebol de Portugal). Por fim vou pedir apoio aos deputados eleitos por Viana do Castelo para se juntarem a nós e pedir esclarecimentos ao Secretário de Estado do Desporto e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude) em relação a este assunto. A verdade tem que ser reposta por segurança das direções, dos atletas e adeptos. Se este problema não ficar resolvido estamos todos vulneráveis e à mercê de dupla de árbitros que estão acima da lei.”

Ao que a Viana TV conseguiu apurar, os adeptos e apoiantes do clube apoiam a decisão da atual direção, tendo-lhes sido enviada uma justificação a dar conta dos acontecimentos e onde se pode ler o seguinte:

“Nós, Associação criamos uma linha de diálogo com os árbitros no mesmo dia e com a associação de Andebol de Braga. Tentamos reverter o castigo aplicado porque nunca foi detonado nenhum engenho explosivo dentro do pavilhão David Freitas, onde estavam mais de 175 adeptos. Não houve pânico, não houve cheiro a pólvora e não houve clarão, mas dupla se arbitragem alega que aconteceu por 2 vezes em alturas diferentes. A compreensão foi nossa de uma luta de mais de 3 meses para fazer prova do que estava no relatório e não aconteceu. O presidente da junta de Afife que nesse jogo estava no pavilhão relatou como testemunha que os engenhos explosivos foram detonados na via publica. Mesmo assim fomos punidos com 500 euros de multa por algo que nunca aconteceu. Seria uma vergonha para esta direção e mesmo para nome da instituição ADA aceitar por aceitar uma culpa que nunca aconteceu. Isto não é uma guerra mas sim o respeito pela nossa instituição ADA de 42 anos de andebol interrupto. Esta direcção e no meu caso como presidente desta associação e por ser como família e por amar este clube, não posso deixar que nos humilhem a este ponto. A verdade tem que ser reposta, porque hoje foi uma mentira de engenhos explosivos, amanhã será uma mentira maior e com consequências ainda mais graves e com multas mais altas. Depois deste relatório de arbitragem os diretores, treinadores e jogadores estão em perigo, porque nunca sabemos o que se pode inventar num relatório de arbitragem e nunca conseguirmos provar a nossa inocência e segundo a associação, a débil de Braga, os árbitros são soberanos e tem fé neles.Nós para ajudarmos os jovens temos que ser tratados com respeito e dignidade. Nós para mantermos o desporto vivo em Afife e o Andebol temos que ser respeitados pelas associações de andebol e pela Federação Andebol de Portugal e não é com um castigo e multa de 500 euros que vamos conseguir unir as pessoas. Este castigo e a multa só revolta quem trabalha e dá o seu melhor pela associação. Exigimos que seja revertido o acórdão da FAP e um castigo a dupla de árbitros por declarações falsas.”

Recorde-se que a ADA é presidida por Carlos Sampaio há mais de 10 anos.

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