Logo
Regional

Ambientalistas do Alto Minho preocupados com desinformação sobre linha alta tensão

8 Junho, 2024 | 9:55
Partilhar
Pedro Sérgio Xavier
4 min. leitura

Associações ambientalistas do Alto Minho manifestaram-se preocupadas com a desinformação em torno do projeto da linha de Alta Tensão Ponte de Lima-Fontefria (Galiza) e apreensivas com o impacto do projeto na região.

Há uma grande desinformação da população. É um tema bastante dramático porque estamos a falar de um assunto de saúde pública bastante grave. As linhas de muito alta tensão tem cargas eletromagnéticas elevadas quer para a população, sobretudo nas zonas mais densamente habitadas, quer para o ambiente. Daí haver esta desinformação para que as populações não tenham a noção do que as espera”, afirmou à agência Lusa Fernando Barros, o representante dos movimentos de defesa da Serra da Peneda e do Soajo e SOS Serra D’Arga.

Em causa está a “linha Dupla Ponte de Lima – Fontefría, Troço Português, a 400 kV”, que em julho de 2023 recebeu parecer favorável condicionado no RECAPE – Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução, de acordo com os documentos disponíveis no ‘site’ da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), consultados pela Lusa.

A linha abrange os concelhos de Vila Verde, no distrito de Braga, e Ponte de Lima, Ponte da Barca, Vila Verde, Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço, no distrito de Viana do Castelo.

Contactado pela agência Lusa, Fernando Barros disse que a falta de informação pública afeta não apenas a população, como as associações ambientais que “não foram contactadas”, referindo-se às entidades que licenciam e à que vai executar o projeto.

“A entidade que vai ocupar os terrenos e que vai instalar a linha devia fazer informação direta em todas as freguesias por onde vai passar [o projeto]. Esclarecer não só os proprietários dos terrenos, mas também as aldeias que vão ficar nas imediações da linha e cuja saúde da população vai ser posta, diretamente, em causa”, apontou Fernando Barros.

Fernando Barros, que integra a comissão de cogestão do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), em representação das associações de ambiente da região, nomeado pelo FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade e pela Quercus, acrescentou que “as entidades oficiais que estão a licenciar o projeto também não fizeram sessões de esclarecimento”.

“A Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que encabeça o processo, e a empresa que vai colocar os postes nos terrenos e passar os cabos por cima das várias freguesias teriam, a meu ver, a obrigação de esclarecer devidamente a população de que a linha vai passar, qual a sua potência e quais os possíveis impactos na saúde das populações e na desvalorização das propriedades das pessoas”, sustentou.

Fernando Barros não excluiu a possibilidade de novos protestos, promovidos pelos movimentos ambientalistas, “claramente contra” um projeto “altamente prejudicial para a saúde das populações locais que ficam próximas das linhas e para o ambiente, sobretudo para espécies como as aves”.

Para o responsável, há ainda a ter em conta “os impactos patrimoniais e paisagísticos” do projeto.

“Uma linha destas vai rasgar completamente a paisagem. É um impacto de larga escala, de vários quilómetros. Um território como o Alto Minho, que tem determinadas características ambientais e paisagísticas, a partir do momento que tenha uma linha destas a passar por cima de terrenos e casas implica uma desvalorização direta das propriedades das pessoas, que não vão ser ressarcidas”.

Na quarta-feira, os autarcas de concelhos do Alto Minho que contestam a linha de muito alta tensão manifestaram surpresa com a indicação de ‘luz verde’ para a obra sem serem informados e sem desfecho dos processos judiciais.

“Quando digo que as populações não estão devidamente esclarecidas, a posição das câmaras vem corroborar que os trâmites processuais e legais também não estão a ser devidamente atendidos. Há um conjunto significativo de situações que não estão devidamente acauteladas. Mais preocupados ficamos porque é sinal de que as coisas não vão ser positivas”, alertou.

A ministra do Ambiente e Energia já revelou que está a reunir a informação necessária para avaliar o projeto.

“A ministra está, em articulação com os organismos e entidades competentes, a munir-se dos elementos necessários para uma avaliação do projeto de instalação desta linha”, indicou fonte do ministério tutelado por Maria da Graça Carvalho, numa resposta escrita enviada a questões da Lusa.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Nacional 22 Julho, 2026

Encontrado no rio Minho corpo do jovem desaparecido em Caminha

O corpo do jovem de 23 anos que estava desaparecido desde domingo no rio Minho, em Seixas, no concelho de Caminha, foi encontrado na manhã desta quarta-feira.

Internacional 22 Julho, 2026

Ponte Tui–Valença recebeu milhares de pessoas em 12 horas de cultura ibérica

Milhares de pessoas atravessaram, no sábado, a Ponte Internacional Tui–Valença, que esteve encerrada ao trânsito e transformada num palco cultural para celebrar os 140 anos da ligação entre Portugal e Espanha.

Nacional 22 Julho, 2026

Viana do Castelo avança com sistema de videovigilância no centro histórico

A Câmara Municipal de Viana do Castelo e o Comando Distrital da PSP assinaram, esta terça-feira, um protocolo para financiar a instalação e utilização de um sistema de videovigilância na cidade.

Regional 22 Julho, 2026

Celebrações em Viana do Castelo evocam legado de São Bartolomeu dos Mártires

A Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo, recebeu as celebrações em honra de São Bartolomeu dos Mártires, numa cerimónia marcada pela evocação do seu testemunho de fé, humildade e serviço à Igreja.

Nacional 22 Julho, 2026

IPVC passa a Universidade Politécnica de Viana do Castelo

O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) inicia uma nova etapa da sua história ao passar a designar-se Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC).

Nacional 22 Julho, 2026

Morreu Luís Represas, uma das vozes marcantes da música portuguesa

O cantor e compositor Luís Represas morreu esta quarta-feira, aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A informação foi confirmada pela agência responsável pelo agenciamento do músico.

Regional 22 Julho, 2026

Dois homens detidos em Valença por roubo de mochila a mulher de 67 anos

Dois homens, de 21 e 35 anos, foram detidos pela GNR por suspeita de terem roubado a mochila a uma mulher de 67 anos, através do método de esticão, no concelho de Valença.