Mais de uma centena de alunos do 9º ano, da Escola EB 2,3 Pedro Barbosa, de Viana do Castelo, puseram mãos à obra, durante uma manhã, no Monumento Natural do Cemitério de Praias Antigas do Alcantilado de Montedor, em Carreço, para controlar as espécies exóticas invasoras e plantar novas espécies autóctones. A “II Eco Maratona de Montedor” foi orientada pelos técnicos da Divisão de Ambiente e Alterações Climáticas da Câmara Municipal de Viana e contou com o apoio da Junta de Freguesia de Carreço.
A Acacia longifolia, a acacia dealbata, as canas ou as mimosas foram algumas das espécies invasoras extraídas das parcelas de terreno devidamente sinalizadas, na Avenida de Montedor, por estes alunos. Sara Nunes, do gabinete técnico florestal da Câmara Municipal de Viana, explicou que a escolha de Carreço se deveu ao facto de ser uma área de “fácil acesso” e por se encontrar, de momento, “bastante” ocupada por estas espécies invasoras. “O problema do nosso concelho é que há muitas propriedades pequenas e como não existe um cadastro há muitas pessoas que não conseguem sequer identificar quais são os terrenos delas. Por isso, é que, atualmente, temos tanto abandono das propriedades. Portanto, se conseguirmos incutir algumas normas e diretivas para salvaguardar este território melhor”, afirmou, destacando o “importante” papel dos jovens. “Eles são o futuro. Temos de começar a incutir neles este bichinho da sustentabilidade antes que seja tarde demais”, relembrou Sara Nunes, realçando que ao longo da iniciativa os jovens também tiveram a oportunidade de plantar novas espécies autóctones. “Entre elas, o pinheiro bravo e manso, o medronheiro e o azevinho. No fundo, acabaram-se com as invasoras e plantaram-se novas espécies autóctones”, sublinhou, com um sorriso.

João Pinho, presidente da Junta de Freguesia de Carreço, referiu ainda que a iniciativa só pecou pela sua “curta” durabilidade. “Esta iniciativa deveria acontecer com mais regularidade porque há muita dificuldade em eliminar esta vegetação infestante, nomeadamente, as acácias”, lamentou. “Nós tentamos incentivar que as pessoas limpem, mas as pessoas nem sempre têm condições físicas e económicas para o fazer. Portanto, todas estas iniciativas são de louvar. Além de que aproveitamos as aprendizagens e os ensinamentos dos mais jovens”, contou João Pinho, destacando a “satisfação” que sentiu por ver tantos estudantes em Carreço. “Não podia estar mais feliz. Ainda por cima, há muitos que são da terra… Daqui a 20 anos muitos destes jovens serão os proprietários destes terrenos e é necessário que eles comecem já a ter consciência da importância destas ações de limpeza e de controlo das infestantes”, garantiu.

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