O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, garantiu esta quarta-feira que a autarquia está a atuar “com todo o rigor técnico e científico” na preservação, através do registo arqueológico, dos vestígios do antigo Convento de São Bento, descobertos no âmbito da construção do novo Mercado Municipal.

Durante uma visita técnica às escavações arqueológicas, acompanhada pela comunicação social, o autarca explicou que o município está a seguir “as melhores práticas” para assegurar a documentação e valorização do património encontrado.
Segundo Luís Nobre, a principal transformação do antigo convento aconteceu já no final do século XIX, quando, após a extinção das ordens religiosas, o município decidiu demolir as estruturas não religiosas para construir o primeiro mercado municipal da cidade, conhecido como Mercado das Torres.

“O que foi preservado na altura foram as partes mais nobres do convento, nomeadamente a igreja e os claustros, e queremos agora valorizá-las ainda mais, colocando-as ao serviço dos vianenses”, afirmou.
O presidente da autarquia revelou ainda a intenção de avançar com o processo de classificação da Igreja de São Bento e dos claustros como Monumento de Interesse Público, defendendo que o espaço possa assumir uma dimensão religiosa, cultural e turística.
A Câmara Municipal pretende igualmente colaborar com a Paróquia e a Diocese de Viana do Castelo na reabilitação deste património, através do programa municipal “Valorizar o Património”.
Apesar das descobertas arqueológicas, Luís Nobre assegurou que a construção do novo Mercado Municipal “não está em causa”, sublinhando que a obra irá avançar respeitando os princípios de preservação e registo científico.
O Chefe da Unidade Orgânica de Arqueologia da autarquia, Miguel Costa, explicou que já foram escavados cerca de mil metros quadrados, revelando estruturas associadas às várias fases de ocupação do convento fundado no século XVI, incluindo dormitórios, enfermarias e áreas técnicas.
“As cidades são organismos vivos, que evoluem e se transformam ao longo do tempo”, referiu o arqueólogo, acrescentando que as escavações trouxeram à luz “cinco séculos de história preservados debaixo da terra”.
Os trabalhos arqueológicos irão prosseguir, alargando-se aos arruamentos envolventes numa área adicional de cerca de 700 metros quadrados.
O futuro Mercado Municipal é considerado um projeto estruturante para a revitalização do centro histórico de Viana do Castelo. A nova infraestrutura terá uma área bruta de construção superior a 8.500 metros quadrados, distribuída por três pisos, integrando 56 bancas, 28 espaços comerciais e de serviços e um parque de estacionamento subterrâneo com 91 lugares.
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