Duas associações culturais de Viana do Castelo e da ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe, vão trabalhar em conjunto para preservar uma representação popular com mais de 200 anos, foi hoje divulgado.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente do Núcleo Promotor do Auto da Floripes 5 de Agosto, Pedro Rego, adiantou que, na terça-feira, em Viana do Castelo, as duas associações assinaram um carta de intenção “que materializa a parceria e calendariza um conjunto de iniciativas e projetos a desenvolver nos próximos 18 meses”.
“O Auto da Floripes celebra-se nos contextos próprios de cada uma das duas comunidades. Ele afirma uma cultura viva, num contexto histórico, e imprime uma identidade. Ao mesmo tempo, ele dialoga com territórios e experiências históricas específicas, preservando na oralidade um livro com séculos e perto de 1.000 anos de uma história que se transformou em símbolo de lutas e diálogos. Por todas estas razões, os responsáveis e herdeiros desta tradição do teatro popular manifestam a necessidade e a intenção de projetar a salvaguarda e promoção do Auto da Floripes”, lê-se na carta de intenção a que a Lusa teve hoje acesso.
Segundo Pedro Rego, a assinatura do protocolo de cooperação entre as duas associações acontecerá em agosto, na ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.
“Esta parceria justifica-se pelo património cultural imaterial excecional que o Auto da Floripes representa, ao ser vivido e celebrado em contextos tão diferenciados e com histórias comunitárias tão contrastantes”, sublinhou o responsável.
O acordo foi celebrado na sequência de uma visita a Viana do Castelo da secretária regional da Cultura, Economia e Turismo da Região Autónoma do Príncipe, Sónia Cármen da Mata, e do presidente da associação cultural “Auto de Floripes” da ilha do Príncipe, João Pina Batista.
A deslocação, a convite da câmara da capital do Alto Minho, acompanhada pelo vereador da Cultura, Manuel Vitorino, “mobilizou as duas associações para um projeto comum de salvaguarda do Auto da Floripes e de promoção social das comunidades que o herdaram e vivem”.
“As duas comunidades do Príncipe e de Viana do Castelo definem o Auto da Floripes como um dos rostos da universalidade da cultura lusófona e, ao entendê-lo como um íman que une dois povos diferentes, numa relação de amizade e de respeito mútuo, desejam que esta manifestação seja um ponto de partida para novos contextos, relações e parcerias”, destacou Pedro Rego.
A par disso, prossegue, as comunidades acreditam na cultura e na diversidade cultural como via para o desenvolvimento, para a fraternidade e para a paz entre os povos.
Em Viana do Castelo, a representação popular é realizada todos os anos na tarde de 05 de agosto, durante as festividades do lugar das Neves, comum a três freguesias, Vila de Punhe, Mujães e Barroselas, todas na margem esquerda do rio Lima, em Viana do Castelo.
O auto é levado à cena por cerca de 25 comediantes populares da região e baseia-se num episódio extraído da guerra entre o imperador Carlos Magno e o rei turco Almirante Balaão, uma disputa entre cristãos e mouros, que os primeiros acabam por vencer.
Em São Tomé e Príncipe, o Auto da Floripes é representada no dia 15 de agosto na ilha do Príncipe, por ocasião das Festas de São Lourenço.
“Na génese destas tradições está a história ficcionada de Carlos Magno e os seus 12 pares de França, a qual, depois de ser moldada por séculos de traduções, adaptações e reinterpretações, chegou recheada de imaginação e fantasia a vários cantos do Mundo. Entre eles, ressalta o lugar tripartido das Neves [Viana do Castelo] e a ilha do Príncipe [São Tomé e Príncipe], locais que, para além de imprimirem a sua matriz diferenciadora, são os que preservaram ininterruptamente a celebração deste auto popular”, acrescenta a carta de intenção.
A petição que contesta a interrupção da iluminação pública entre as 03h00 e as 05h00 em Viana do Castelo ultrapassou as mil assinaturas, segundo o promotor da iniciativa, Ricardo Luis. As assinaturas foram enviadas à Câmara Municipal, juntamente com um pedido de audiência ao presidente do Município.
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