A Câmara Municipal de Viana do Castelo aprovou esta terça-feira o pagamento de mais 2,1 milhões de euros para a construção do acesso rodoviário entre a zona industrial do Vale do Neiva e o nó da A28, numa decisão viabilizada pela maioria socialista e contestada pela oposição.

O reforço financeiro resulta de erros, omissões e trabalhos imprevistos identificados após o início da obra, relacionados sobretudo com a fraca qualidade dos terrenos encontrados durante as escavações. A proposta foi chumbada pelos vereadores da Aliança Democrática (AD) e pelo vereador do Chega.
A nova via, com 5,2 quilómetros de extensão e prevista no Plano Diretor Municipal, representa um investimento global de 13,5 milhões de euros, incluindo a aquisição de terrenos.
Segundo informação da autarquia, a empresa construtora apresentou, nos 60 dias seguintes à consignação, uma lista de erros e omissões no valor de cerca de 4,48 milhões de euros. Após parecer técnico da fiscalização da obra, o município decidiu aceitar um montante de 2.117.474 euros, acrescido de IVA.
Os técnicos explicam que as sondagens geotécnicas realizadas na fase de projeto não permitiram identificar a real natureza do solo. Durante a execução da empreitada foi detetado um terreno de “muito fraca qualidade”, com baixa resistência e elevada presença de água, obrigando à adoção de soluções construtivas não previstas.
Cerca de 630 mil euros correspondem a erros e omissões, relacionados com trabalhos como desmatação, demolição de muros de vedação ocultos pela vegetação, drenagens, captação de águas, regularização de aterros e aplicação de geossintéticos. Já os trabalhos imprevistos, associados ao reforço da base da via com material pétreo de maior dimensão, representam um custo adicional superior a 1,19 milhões de euros.
A oposição criticou a decisão. O vereador da AD, Duarte Martins, afirmou que o acréscimo financeiro “resulta de falhas na fase de projeto” e defendeu que uma obra com esta dimensão estratégica exigia “maior rigor técnico e estudos prévios mais aprofundados”. Pelo Chega, Eduardo Teixeira considerou tratar-se de “um valor elevado” que recai sobre os cofres do município.
O novo acesso rodoviário irá ligar as zonas empresariais e industriais de Carvoeiro, Barroselas, Vila de Punhe e Alvarães ao ICI/A28 e às EN103 e EN13, no nó da zona industrial de Neiva. A obra tem como objetivo melhorar a mobilidade empresarial, retirar trânsito pesado do interior das freguesias e aumentar a segurança rodoviária em todo o Vale do Neiva.
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