A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) vai disponibilizar, a partir de quinta-feira, 1.800 consultas semanais para reduzir em pelos 10% as admissões nos três serviços de urgência do distrito de Viana do Castelo.

Em causa está o projeto “Ligue antes, salve vidas”, apresentado em conferência de imprensa no hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, que “tem como objetivo primordial reservar os serviços de urgência para doentes, efectivamente urgentes e reservar a capacidade instalada para esses doentes”.
O projecto entra em funcionamento nos serviços de urgência médico cirúrgica, em Viana do Castelo, e nos dois serviços de urgência básica em Monção e Ponte de Lima, bem como na urgência pediátrica.
O objectivo é levar as pessoas a ligar para o número 808 24 24 24 antes de se dirigirem ao hospital e, conforme os casos, serão orientados para auto cuidados, consulta no centro de saúde, ou encaminhados para o serviço de urgência.
O presidente do conselho de administração ULSAM, João Porfírio Oliveira, explicou que, com a entrada em funcionamento do projeto, os utentes que queiram “aceder aos serviços urgência terão necessariamente de fazer referenciação através da linha SNS24”.
João Porfírio Oliveira a “grande diferença em relação ao que já acontecia com a linha SNS24 é que vai ser possível encaminhar os utentes para uma unidade de cuidados de saúde primários, com marcação de consulta na agenda dessa unidade”.
Os “utentes são convidados a ligar antes para a linha SNS24 que fará uma triagem prévia, assente em critérios clínicos, que determinará o seu percurso, ou para o serviço de urgência ou para uma consulta nos cuidados de saúde primários, num prazo de 24 horas, no máximo”.
As 1.800 consultas por semana, agendadas quer através do SNS24 quer dos serviços de urgência, acrescem às consultas abertas que já existem nos centros de saúde.
O administrador admitiu que, na quinta-feira, o projeto poderá não estar a funcionar em pleno por ser necessário fazer “algumas adaptações e alterações”.
A diretora do serviço de urgência do hospital de Santa Luzia, Soraia Oliveira, sublinhou que, atualmente, “os doentes triados com pulseira branca, azul ou verde representam 43% do total de admissões no serviço de urgência do hospital de Santa Luzia e 51% na urgência pediátrica”.
No serviço de urgência básica de Ponte de Lima a percentagem é de 52% e em Monção chega 61%.
“Ninguém ficará sem atendimento”, frisou Soraia Oliveira, sublinhado que o objetivo é “orientar os doentes para os cuidados necessários e otimizar a resposta nos serviços de urgência”.
“A procura elevada por utentes que não tem critérios de urgência contribui para a sobrecarga dos serviços e afeta a capacidade de resposta aos casos realmente graves. O que se pretende é melhorar a eficácia e eficiência do atendimento e reduzir o tempo de espera é o objetivo”, realçou.
A responsável relembrou que “qualquer pessoa com sintomas de situações potencialmente graves, como suspeita de AVC, enfartes, vítimas graves de acidente devem continuar a ligar o 112”.
“Os utentes que entrem na urgência sem referenciação, serão apoiados pelos profissionais de saúde que os orientarão na chamada para a linha SNS24, sendo que, em breve, serão instalados nos serviços de urgência telefones que irão facilitar esse contacto”, disse.
O diretor clínico dos cuidados primários de Saúde, José Manuel Cunha, realçou que o projeto “não é estanque e que, em uma semana, é possível aumentar ou diminuir o número de consultas reservadas [1.800]”.
O responsável garantiu que as equipas dos cuidados primários “estão preparadas e motivadas”, reconhecendo que possam ocorrer “alguns constrangimentos”, na quinta-feira quando o projeto começar a funcionar.
O presidente do conselho de administração da ULSAM anunciou que o canoísta Fernando Pimenta, natural de Ponte de Lima, é o embaixador do projeto e que nos próximos dias irá avançar uma campanha de divulgação do projeto, através ‘outdoors’ e ‘mupis’.
João Porfírio Oliveira pretende ainda envolver as Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, instituições e sociedade civil na divulgação do projeto no distrito com uma “dispersão territorial expressiva”.
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