Os trajes que há mais de um século dão cor à Romaria d'Agonia estão em destaque numa exposição de rua em Viana do Castelo. São 20 painéis fotográficos que explicam o que representam, bem como as suas origens e forma de os usar.
A exposição “O Traje na Romaria” está patente ao longo do Jardim Marginal da cidade, junto ao recinto da Feira de Artesanato, e pretende fomentar a sua divulgação, nomeadamente aspetos por vezes desconhecidos, como a forma de uso.
“Queremos, com este conjunto de fotografias e respetivo enquadramento, dar a conhecer os trajes da Romaria, sobretudo o que representam, de onde provêm, mas também em que momentos estes são usados”, explica o diretor executivo da VianaFestas, António Cruz.
Os Trajes de Noiva e Noivo, dos mais emblemáticos usados nos desfiles e cortejos da Romaria d’Agonia, estão em destaque nesta exposição.
Nomeadamente todo o rigor e imponência do Traje de Noiva, ricamente decorada com vidrilhos, missangas e lantejoilas, num fundo negro apenas aliviado pelo reluzir do ouro e do alvo véu, enquanto o do Noivo prima pela simplicidade.
“A Romaria de Nossa Senhora d’Agonia, muito mais do que um vasto conjunto de devoções e tradições de tempos passados, as quais, são representadas ano após ano, é uma festa viva, em evolução, a qual, à medida que a fé dá continuidade à devoção, a tradição surge, recriasse e transporta os usos e costumes de antanho aos tempos de hoje”, explica o preâmbulo de apresentação da exposição.
É assim que, por entre os vários momentos da Romaria, os trajes vianenses permitem “deslumbrar toda uma cidade em festa”, pelo que “os diferentes momentos que a vasta paleta de cores que os trajes desta região suportam, compõe, acompanham e alavancam, ganham vida e transforma esta festa na Romaria das Romarias”.
Ao longo desta exposição fotográfica são igualmente detalhadamente explicados, em português e inglês, os habituais trajes de Mordoma, das mulheres mais jovens, e de Morgada, das mulheres de casas abastadas usadas em dias de grande festividade.
Igualmente os icónicos Trajes à Vianesa da Ribeira Lima, que sempre abrilhantam com as suas cores desde o Desfile da Mordomia e do Cortejo Etnográfico, até aos desfiles e atuações dos Grupos Folclóricos deste concelho.
Variando de freguesia para freguesia, ou entre grupos de freguesias, existem vários tipos de Trajes à Vianesa, como é documentado na exposição, como os da Ribeira Lima, também designados por trajes à moda de Santa Marta de Portuzelo, que caracterizam pelo uso de saias listradas de barras pretas ricamente bordadas, ou os de Afife, mais
singelos, tanto o traje vermelho, como o azul (de “Dó”), tradicionalmente usados pelas lavradeiras desta freguesia.
Outros Trajes à Vianesa retratados na exposição, com especificidades próprias, são os de Areosa, o mais vermelho de todos, os de Carreço, ou os verdes das Terras de Geraz, ou ainda os de Freixieiro de Soutelo.
Os diversos Trajes de Domingar, típicos da região vianense, e que representam os variados modos de vestir que os camponeses das aldeias locais usavam aos Domingos, para irem à missa, ou às sextas-feiras, quando estes vinham vender ou comprar no mercado semanal, em Viana do Castelo, também não podiam deixar de ser retratados.
O mesmo acontece com os diferentes Trajes de Trabalho, que variam entre as ocupações, do monte, de ir à erva, dos sargaceiros e o Traje de Festa da Ribeira, retratados e explicados em detalhe nesta exposição, que conta com o apoio dos grupos folclóricos do concelho, da Câmara Municipal de Viana do Castelo e do Turismo do Porto e Norte de Portugal, e que fica patente ao longo do mês de agosto.
Está patente ao público, na Sala Dr. Francisco Sampaio (Piso 0) do Museu do Traje, a emblemática pintura “Tipo Minhoto – Les Yeux Rieurs”, de Henrique Medina, uma obra a óleo sobre tela datada de 1959.
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