Os trabalhadores da empresa DS Smith, em greve desde sábado, acusaram hoje a administração de, com a ajuda da GNR, deixar entrar na fábrica de Viana do Castelo trabalhadores externos sem estarem garantidas condições de segurança.

“A laboração está parada e a responsabilidade da segurança de instalações e equipamentos é do piquete de greve. Desde as 07:00 que a GNR está nas três portarias da fábrica e estamos a tentar explicar aos trabalhadores de empresas externas que não devem entrar por motivos de segurança, mas a administração, com a ajuda da GNR, está a deixar entrar todos esses trabalhadores que não têm segurança nenhuma”, afirmou José Flores.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador da comissão de trabalhadores e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE Norte) adiantou que, apesar da “forte presença policial, não se registaram desacatos” na empresa britânica de produção de papel e embalagens.
Fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo disse à Lusa que, para prevenir qualquer incidente, estão no local várias patrulhas e, de reserva, o pelotão de intervenção.
José Flores explicou que a greve, que decorre desde sábado às 16:00 e até às 24:00 de terça-feira, resulta de “muita saturação acumulada ao longo dos últimos anos” e “pela ausência do acordo de empresa para 2024”.
“A negociação do acordo de empresa para 2024 começou no dia 19 de fevereiro. A segunda reunião foi no início de abril, mas sem resultados. A empresa está a levar muito a sério estas negociações”, sublinhou José Flores.
Em causa, adiantou o representante dos trabalhadores, está “um aumento do salário em 4,3%, no mínimo de 150 euros e um aumento de 4,3% nas cláusulas pecuniárias que inclui subsídio de alimentação, prevenção e prémio de risco, entre outras”.
José Flores referiu ainda que “a empresa há mais de 20 anos que está a tirar 65% do prémio de produção que devia pagar os trabalhadores”, questão que vai ser dirimida em tribunal.
O responsável disse ainda que “a empresa não está a pagar, em dias de feriado, as horas de prevenção aos trabalhadores”.
Contactada pela Lusa, a administração da DS Smith garantiu que a situação na fábrica está calma e que a GNR está no local apenas para evitar distúrbios e garantir a entrada dos trabalhadores de empresas externas”.
Em comunicado, a empresa lamentou que os seus “colaboradores tenham optado por uma ação coletiva, especialmente tendo em conta as conversações positivas” que têm sido desenvolvidas.
“Gostaríamos de sublinhar que a proposta salarial que apresentámos é muito generosa. Tal como a do ano passado, esta proposta oferece um aumento superior à inflação, num contexto de condições de mercado desafiantes”, sustente a nota.
A DS Smith garante “continuar emprenhada em encontrar uma solução que apoie os colaboradores e a empresa”.
“Como sempre, mantemo-nos focados nos nossos clientes e estabelecemos planos para garantir que continuamos a prestar o melhor serviço possível”, acrescenta a DS Smith, empresa líder em soluções de ‘packaging’ sustentável que, este ano, está a celebrar os 50 anos da fábrica de papel ‘kraft’ de Viana do Castelo.
A fábrica de Viana do Castelo começou a ser construída em 1971, mas a operação contínua só começou em janeiro de 1974.
Atualmente, a fábrica está a ser alvo de processo de modernização, anunciado em 2023, no valor de 145 milhões de euros.
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