A redação do Jornal de Notícias (JN) criou uma petição contra o despedimento coletivo anunciado, alertando que será “a morte” daquele diário e que terá consequências para região Norte, que conta hoje com mais de 2.700 assinaturas.

Na petição, intitulada “Somos JN – Em defesa do Jornal de Notícias, do jornalismo e das pessoas”, é explicado que a Global Media Group (GMG), que detém o JN, anunciou a intenção de proceder ao despedimento de cerca de 150 pessoas, das quais 40 pertencem àquele titulo diário, que entre a sede no Porto e a delegação de Lisboa tem cerca de 90 profissionais.
“Um corte desta dimensão será a morte do JN como o conhecemos e a destruição da ligação centenária às pessoas, às instituições e aos territórios. Se esta impensável decisão avançar, o título até pode sobreviver mais um ano ou outro, mas nunca será capaz de continuar a fazer a diferença“, alerta o texto.
Segundo a petição, o JN, “mesmo nestes conturbados tempos para a Imprensa, apresenta anualmente resultados positivos, na ordem dos milhões de euros” mas “não é uma prioridade para a nova administração do GMG”.
No texto, é salientado o papel do JN: “Um jornal de causas, com 135 anos de história de proximidade e de ligação às pessoas. Uma história sobre e para o país, como tantas, mas contada a partir do Norte e do Porto, como mais nenhuma. Agora sob ameaça”, lê-se.
A petição alerta para as consequências do desaparecimento daquele diário, salientando que “a machadada que parece estar a caminho do JN poderá ter também consequências numa região, num país e nos milhares de pessoas que diariamente confiam em nós para estar informados e para se fazerem ouvir”.
Descrevendo o papel que o JN teve na denúncia de vários casos, referindo que é um “jornal que denuncia, que alerta, que ouve e que resolve”, a petição pede aos leitores e a “todos os que prezam a liberdade de imprensa e de expressão”, bem como a todas as personalidades e instituições do país, que assinem a petição e “ajudem a proteger 135 anos de história ao lado das pessoas”.
A redação do JN repudiou ainda as declarações da administração do GMG à comunicação social no dia 23 de novembro, em que negou esta aquela intenção, considerado “um ato de desrespeito pela redação na pessoa dos seus representantes eleitos”.
O novo presidente do Conselho de Administração do GMG, José Paulo Fafe, referiu na quinta-feira ao portal Eco que “não há decisão nenhuma”.
“Há a necessidade de conter despesas, de aumentar receitas e de racionar os custos. Há várias medidas que podem ser implementadas, estamos a estudá-las“, salientou José Paulo Fafe.
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