Logo
Regional

Rui Lage não se vai calar até Governo resolver assoreamento do rio Minho

27 Outubro, 2024 | 17:25
Partilhar
Pedro Sérgio Xavier
4 min. leitura

O presidente da Câmara de Caminha prometeu não se calar até que o Governo resolva o assoreamento do rio Minho, lamentando que o executivo tenha “esquecido” a região e o tema na cimeira ibérica de quarta-feira.

“O problema carece de solução urgente. Agora o Governo vai ter de resolver, porque não me vou calar até que esta situação deixe de ser esquecida pelo Governo de Portugal”, afirmou Rui Lages (PS), em declarações à Lusa, lembrando o ofício conjunto com os presidentes dos municípios de A Guarda e O Rosal, na Galiza, enviado em outubro ao primeiro-ministro para que o tema fosse incluído na agenda da cimeira com Espanha.

Para o autarca, o assoreamento e a navegabilidade do rio Minho é uma “questão estratégica” e a cimeira era “uma oportunidade grande de debater o assunto”.

Em comunicado divulgado hoje, a coligação PSD/CDS/Aliança/PPM naquele município criticou Rui Lages por não ter “força política nem estratégia”, considerou que o assoreamento é um tema de “gestão corrente” entre os dois governos e apelou “à união na luta por uma ponte” de ligação a A Guarda, na Galiza, Espanha.

“Na cimeira ibérica, pela ordem de grandeza, era uma ponte pela qual todos deveriam lutar, mas não precisamos de uma cimeira para a pôr na agenda política nacional”, assinala a coligação.

Para a coligação, “o desassoreamento tem que ser tratado pelos governos dos dois países na gestão corrente de manutenções de navegabilidade do rio Minho”, sendo “uma questão que não pode estar à espera de decisões de cimeiras ibéricas”.

Rui Lages sustenta que “algo anda a falhar na gestão corrente” do problema que tem “décadas”.

“Estes fóruns servem para isso mesmo. Se este não é o fórum ideal, não sei qual era. Era importante o Governo português ter-se entendido com o de Espanha para ver quem e quando teria a responsabilidade de fazer o desassoreamento”, disse.

O autarca considera que “olhar para o assoreamento é ver o território como um todo”, por estar em causa “a navegabilidade do rio Minho, as pescas, o turismo e a segurança marítima nacional, que tem um posto em Caminha e se depara com as suas embarcações em bancos de areia”.

“Fiz chegar estas preocupações ao Governo. Enviei diversas missivas. As respostas foram sempre zero. A voz não me vai doer até ver esta situação resolvida”, avisou.

Quanto à travessia para ligar Caminha à Galiza, o autarca recorda o estudo do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho divulgado em outubro de 2023, de acordo com o qual a opção por um ‘ferryboat’ elétrico não pode ser descartada no curto/médio prazo, “mesmo no caso hipotético de se estudar uma ponte”.

A preocupação, disse, “é que o rio volte a ter dinâmica e a criar riqueza”.

Insistindo que “em cimeiras ibéricas tem que se lutar por uma ligação rodoviária efetiva”, a coligação revela que vai “promover reuniões com responsáveis, mostrar o estudo e trabalho já feito e sensibilizar as entidades”, para que a ponte “seja tema de aprofundamento nas relações entre os governos de Portugal e Espanha”.

De acordo com o estudo de pré-viabilidade do reforço de ligações entre Caminha e a Guarda, “mesmo no pressuposto de que se optasse por uma solução tipo ponte, há que ter presente que, para a sua materialização, seriam necessários 15 a 20 anos, pelo que seria de manter a ligação por ‘ferry’ elétrico”.

O ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia começou a cruzar o rio Minho entre Caminha e A Guarda em 1995, mas ao longo dos anos a travessia esteve várias vezes interrompida, em algumas situações por largos períodos, ou devido a avarias na embarcação ou pelo assoreamento do canal de navegação.

Caminha é único concelho do vale do Minho que depende do transporte fluvial para garantir a ligação à Galiza.

Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço dispõem de pontes internacionais.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Cultura 3 Outubro, 2026

Filme da Romaria d’Agonia conquista Prata em festival internacional

O filme “O Legado em Cada Gesto – Romaria d’Agonia”, produzido pela VianaFestas, conquistou o Silver Award na categoria Tourism Products no Terres Travel Festival – Films & Creativity 2026, realizado em Tortosa, Espanha.

Opinião 3 Outubro, 2026

OPINIÃO: Dia Internacional do Idoso – “Com a minha idade, ainda vale a pena?”

Chamemos-lhe António. Tem 82 anos. Não existe exatamente — ou, melhor, existe em muitos dos doentes que se sentam à minha frente.

Desporto 3 Outubro, 2026

Fernando Pimenta inspira alunos da Escola Secundária de Santa Maria Maior

O atleta olímpico Fernando Pimenta visitou a Escola Secundária de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, no âmbito das VI Jornadas da Atividade Física, num encontro com os alunos dedicado à motivação, à determinação e à perseverança.

Regional 3 Outubro, 2026

Ponte da Barca promove caminhada solidária para assinalar Outubro Rosa

Ponte da Barca recebe, no dia 18 de outubro, uma caminhada solidária para sensibilizar a população para a importância da prevenção do cancro da mama. A iniciativa é organizada pelo município, em parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional Norte.

Música 3 Outubro, 2026

Parque Ecológico de Viana recebe concerto dedicado à música de Jorge Palma

O Parque Ecológico Urbano de Viana do Castelo recebe este sábado, 3 de outubro, às 18h30, um concerto dos professores da Escola de Música Amadeus dedicado ao repertório de Jorge Palma.

Regional 3 Outubro, 2026

Luís Nobre reúne com ULS do Alto Minho para discutir investimentos na saúde

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, reuniu-se com o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), acompanhado pela deputada à Assembleia da República Marina Gonçalves, para abordar os investimentos considerados estruturantes e urgentes na resposta de saúde à população.

Nacional 3 Outubro, 2026

Época balnear regista 30 mortes até setembro, com ocorrências em Caminha e Esposende

A Autoridade Marítima Nacional (AMN) registou 30 vítimas mortais, 1.418 salvamentos e 2.609 ações de primeiros socorros entre 1 de maio e 30 de setembro, no balanço dos primeiros cinco meses da época balnear de 2026. Entre as ocorrências constam um afogamento em Caminha e uma morte por provável doença súbita em Esposende.