O presidente da Câmara de Caminha prometeu não se calar até que o Governo resolva o assoreamento do rio Minho, lamentando que o executivo tenha “esquecido” a região e o tema na cimeira ibérica de quarta-feira.

“O problema carece de solução urgente. Agora o Governo vai ter de resolver, porque não me vou calar até que esta situação deixe de ser esquecida pelo Governo de Portugal”, afirmou Rui Lages (PS), em declarações à Lusa, lembrando o ofício conjunto com os presidentes dos municípios de A Guarda e O Rosal, na Galiza, enviado em outubro ao primeiro-ministro para que o tema fosse incluído na agenda da cimeira com Espanha.
Para o autarca, o assoreamento e a navegabilidade do rio Minho é uma “questão estratégica” e a cimeira era “uma oportunidade grande de debater o assunto”.
Em comunicado divulgado hoje, a coligação PSD/CDS/Aliança/PPM naquele município criticou Rui Lages por não ter “força política nem estratégia”, considerou que o assoreamento é um tema de “gestão corrente” entre os dois governos e apelou “à união na luta por uma ponte” de ligação a A Guarda, na Galiza, Espanha.
“Na cimeira ibérica, pela ordem de grandeza, era uma ponte pela qual todos deveriam lutar, mas não precisamos de uma cimeira para a pôr na agenda política nacional”, assinala a coligação.
Para a coligação, “o desassoreamento tem que ser tratado pelos governos dos dois países na gestão corrente de manutenções de navegabilidade do rio Minho”, sendo “uma questão que não pode estar à espera de decisões de cimeiras ibéricas”.
Rui Lages sustenta que “algo anda a falhar na gestão corrente” do problema que tem “décadas”.
“Estes fóruns servem para isso mesmo. Se este não é o fórum ideal, não sei qual era. Era importante o Governo português ter-se entendido com o de Espanha para ver quem e quando teria a responsabilidade de fazer o desassoreamento”, disse.
O autarca considera que “olhar para o assoreamento é ver o território como um todo”, por estar em causa “a navegabilidade do rio Minho, as pescas, o turismo e a segurança marítima nacional, que tem um posto em Caminha e se depara com as suas embarcações em bancos de areia”.

“Fiz chegar estas preocupações ao Governo. Enviei diversas missivas. As respostas foram sempre zero. A voz não me vai doer até ver esta situação resolvida”, avisou.
Quanto à travessia para ligar Caminha à Galiza, o autarca recorda o estudo do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho divulgado em outubro de 2023, de acordo com o qual a opção por um ‘ferryboat’ elétrico não pode ser descartada no curto/médio prazo, “mesmo no caso hipotético de se estudar uma ponte”.
A preocupação, disse, “é que o rio volte a ter dinâmica e a criar riqueza”.
Insistindo que “em cimeiras ibéricas tem que se lutar por uma ligação rodoviária efetiva”, a coligação revela que vai “promover reuniões com responsáveis, mostrar o estudo e trabalho já feito e sensibilizar as entidades”, para que a ponte “seja tema de aprofundamento nas relações entre os governos de Portugal e Espanha”.
De acordo com o estudo de pré-viabilidade do reforço de ligações entre Caminha e a Guarda, “mesmo no pressuposto de que se optasse por uma solução tipo ponte, há que ter presente que, para a sua materialização, seriam necessários 15 a 20 anos, pelo que seria de manter a ligação por ‘ferry’ elétrico”.
O ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia começou a cruzar o rio Minho entre Caminha e A Guarda em 1995, mas ao longo dos anos a travessia esteve várias vezes interrompida, em algumas situações por largos períodos, ou devido a avarias na embarcação ou pelo assoreamento do canal de navegação.
Caminha é único concelho do vale do Minho que depende do transporte fluvial para garantir a ligação à Galiza.
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