O selecionador Roberto Martínez defendeu, esta quinta-feira, que o "jogador português é o melhor profissional que há no futebol europeu", pelo que se sente sortudo por ter à disposição 82 jogadores convocáveis para a equipa das 'quinas'.

O técnico espanhol, de 50 anos, esteve presente no almoço de empresários da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, em Lisboa, para falar sobre a experiência de liderança em grupo, deixando muito elogios à equipa principal das ‘quinas’, que qualificou para o Euro2024.
“Na Federação [FPF] temos lendas como Pauleta, Hélder Postiga e João Pinto, que é diretor da FPF. Isto mostra cultura, mostra passado, o que realmente precisam para jogar pela seleção. O jogador português é o melhor profissional que há no futebol europeu. Portugal tem 82 jogadores nas grandes ligas do mundo e é uma sorte para mim poder orientar estes jogadores. O meu trabalho é priorizar as dinâmicas no grupo, porque podemos jogar com um estilo defensivo, de ataque e de contra ataque”, declarou o selecionador português.
A mentalidade ganhadora do jogador luso foi o que mais surpreendeu Roberto Martínez, algo “nunca tinha visto”.
“O jogador português é competitivo. Isso é uma grande virtude e difícil de encontrar hoje em dia”, apontou.
Depois, falou do passado na seleção da Bélgica, que treinou entre 2016 e 2022, revelando as dificuldades com que se deparou, contrastando com o que encontrou quando entrou no balneário luso há pouco mais de um ano.
“Senti um sentimento especial [na seleção portuguesa]. Foi como voltar a casa na forma de viver, o clima e hospitalidade do português. Encontrei uma federação que tinha um trabalho de 12 anos e uma estrutura profissional. A FPF tem isso para trabalhar ao máximo nível”, contou.
E prosseguiu: “Vim da Bélgica onde tive de construir esse ambiente para poder trabalhar. No balneário há uma cultura homogénea, a mesma língua, a mesma cultura e uma das minhas responsabilidades é saber onde nasceram os nossos jogadores, quais são os seus objetivos de jogar na seleção. Na Bélgica, que tem 11 milhões habitantes, há, por exemplo, três idiomas”.
Martínez considerou que “trabalhar no futebol é igual a trabalhar em negócios”, em prol do “mesmo objetivo, sendo que, no desporto ‘rei’, “não dá para esperar por bons resultados a longo prazo”.
“A grande diferença dos grupos de negócios e dos grupos desportivos é a emoção de ganhar e de perder um jogo. Mas pode-se perder e continuar a seguir os objetivos. Na minha cabeça vou estar nos próximos 50 anos [no cargo] e tomar as decisões para o melhor da empresa. A minha responsabilidade foi sempre de criar equipas ganhadoras e essa é a forma de trabalhar”, argumentou.
Por fim, abordou a gestão dos egos, quando se trata de treinar jogadores de elite e, obrigatoriamente, ter de fazer escolhas, defendendo, por outro lado, que uma equipa não se motiva.
“O ego é o mais positivo que existe. Isso quer diz que a pessoa se sente capaz e sente-se mais capaz do que os outros. O importante é o comportamento, é criar um ambiente de alto rendimento. Uma equipa não se motiva. Essa não é parte forte, mas sim o compromisso”, terminou.
No Euro2024, Portugal, campeão em 2016, vai defrontar Turquia, República Checa e o vencedor do caminho C dos play-offs (Geórgia, Luxemburgo, Grécia ou Cazaquistão), estreando-se na prova perante os checos, em 18 de junho, em Leipzig.
Após o primeiro encontro, diante da República Checa, Portugal defrontará os turcos, em 22 de junho, em Dortmund, antes de fechar a fase de grupos em 26 de junho, em Gelsenkirchen, diante do adversário que vencer o caminho C dos play-offs, agendado para março.
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