As refeições escolares dos cerca de dois mil alunos do pré-escolar ao ensino secundário de Arcos de Valdevez começaram a incluir, em 2021, carne cachena e, este ano, foi introduzido o feijão tarreste, outro produto autóctone do concelho.

A diretora-geral da Cooperativa Agrícola de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, Beatriz Silva, adiantou que a parceria com a câmara municipal vai continuar com a introdução de outros produtos locais nos menus das escolas como as frutas, legumes e o mel.
A responsável adiantou que, desde 2021, a cooperativa, ao abrigo dos protocolos de valorização dos produtos locais que celebra, anualmente, com a Câmara de Arcos de Valdevez, já forneceu 5.680 quilogramas de carne cachena às escolas do concelho.
Típica do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a carne de vaca cachena tem DOP (denominação de origem protegida) desde 2002, sendo criada, de “forma extensiva, o mais natural possível, no Solar da Raça Cachena, em plena liberdade, em pastos de alta montanha”.
A vaca cachena da Peneda é a mais pequena raça bovina portuguesa e uma das mais pequenas do mundo. O animal atinge uma altura máxima de 110 centímetros e sobrevive ao frio nas serras da Peneda, Soajo e Amarela, no Parque Nacional na Peneda-Gerês (Norte de Portugal).
Além desta carne, este ano, a cooperativa forneceu mais de 200 quilogramas de feijão tarrestre, cultivado nas serras da Peneda e Soajo, para a confeção de pratos servidos aos cerca de dois mil alunos do concelho, como sopas, saladas ou no arroz.
Para a diretora técnica da cooperativa detentora da DOP da carne cachena e da marca registada do feijão tarrestre, a parceria dos últimos quatro anos tem tido “um impacto estrondoso”.
“Temos de tirar o chapéu à câmara municipal, porque realmente este é um exemplo a seguir. Não digo que seja único, mas não deve haver muitos no país”, salientou Beatriz Silva.
Na segunda-feira, a autarquia arcoense renovou o protocolo com a cooperativa, para fomentar a produção pecuária no concelho, através da comparticipação de 50% da despesa inerente à sanidade animal, que abrange centenas de produtores de gado do concelho.
Para Beatriz Silva, com este acordo, “a dieta alimentar das crianças e jovens dos agrupamentos escolares passou a incluir produtos que não são acessíveis em termos financeiros”.
“Colocámos este produto no mercado a um preço que tem uma mais-valia financeira muito grande para o produtor. A autarquia assegura este acréscimo de valor da produção e, assim, as nossas crianças não deixam de o consumir pelo facto de ser mais caro pelas suas características nutricionais associadas à forma de produção, assente em técnicas ancestrais e às particularidades do território”, adiantou.
Além de ser “um processo educativo alimentar” das crianças é também, segundo a responsável, “uma forma de os ensinar a privilegiar o setor primário”.
“Temos de fazer com que todas estas crianças, que vão ser o futuro do nosso país, entendam que a agricultura não é o setor depreciativo. É muito importante estar nele, porque nós somos os primeiros numa cadeia de setores e representamos o início do processo”, destacou.
Depois da introdução, este ano, do feijão tarrestre, ainda com “um problema de produção em escala”, a parceria quer “inovar” e está a “estudar a sazonalidade na introdução dos produtos”.
“Por exemplo, as compotas. Criar protocolos com produtores a nível da transformação caseira, com recurso a técnicas ancestrais de produtos biológicos para os lanches das crianças, dos infantários, do pré-primário, do primeiro ciclo. Outro exemplo: quando há produção de kiwis, fazer compotas. O mesmo para o marmelo ou a abóbora”, especificou.
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