A “Queridos Avós”, empresa localizada em Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo, ajuda famílias com a prestação de cuidados de saúde a pessoas idosas, tendo surgido da necessidade de duas primas tratarem da avó após ter adoecido.

Joana Galvão e Nádia Cardoso, responsáveis da “Queridos Avós”, tiveram a ideia de começar o projeto aquando da doença da avó, que acabou por morrer em fevereiro de 2023.
“A nossa avó era uma senhora autónoma para todas as atividades da vida diária e, de repente, teve um acidente vascular cerebral (AVC), acabando por ficar com algumas dependências. No entanto, o pior foi quando teve outro AVC, pois ficou completamente dependente, ficou numa cama, não conseguia fazer nada sozinha, era alimentada por uma sonda, ou seja, o que ela era deixou de ser”, afirma Joana Galvão, que também é enfermeira.
Depois de sair do hospital, a família de Joana e Nádia tomou a decisão de não colocar a avó numa instituição, uma vez que a idosa também tinha o desejo de ficar na própria casa.
Nesse momento, os familiares começaram a perceber as dificuldades dos cuidados de saúde.
“Ao tomar esta decisão [de cuidar da avó em casa], surgiram muitas dúvidas, porque no hospital fazem os ensinos de como tratar em casa de alguém doente, mas é muito difícil transportar essa informação para o dia a dia e nós vimos essa dificuldade”, revela Joana Galvão.
Quando a avó de Joana e Nádia regressou do hospital após o primeiro AVC, a primeira dificuldade que a família enfrentou esteve relacionada com o facto da idosa só poder comer comida com uma determinada consistência devido à disfagia [dificuldade de engolir alimentos e líquidos acompanhada de dor].
No entanto, as duas primas admitem que, mesmo com as dúvidas que surgiram, a família conseguiu fazer face às necessidades médicas da avó mais facilmente, uma vez que têm pessoas na família que, tal como Joana, estão na área da saúde e “podiam esclarecer eventuais dúvidas, ir até à casa e explicar”.
Cientes de que muitas famílias “não têm ninguém que as possa ajudar com os cuidados”, Joana e Nádia começaram a pensar em criar tal resposta.
“Às vezes, as pessoas acham que estão a fazer o certo e para eles é o certo e o melhor que conseguem, mas cometem muitos erros, o que leva a haver outras complicações. Daí surgiu a nossa ideia de criar esta empresa, para apoio a famílias e para os idosos que decidam ficar em casa, ao invés de irem para uma instituição”, diz Joana Galvão, em declarações à Lusa.
Após alguns meses a preparar o projeto, as responsáveis constituíram a empresa em outubro de 2023, tendo começado apenas por promover o projeto nas redes sociais.
Acompanhamento 24 horas, gestão da medicação, higiene, alimentação, limpeza da habitação, apoio às saídas e venda ou aluguer de produtos ortopédicos são alguns dos serviços prestados pela “Queridos Avós”, que adequa o cuidado a cada pessoa de acordo com as necessidades.
A “Queridos Avós” arrancou a prestação de cuidados em fevereiro deste ano, altura em que inauguraram um espaço, com a Joana e Nádia a mencionar que ainda estão “no arranque”, uma vez que, atualmente, são as duas que realizam todos os serviços prestados.
Questionadas sobre o motivo de as pessoas procurarem a empresa para ajudar no cuidados aos mais velhos, Joana e Nádia dizem tratar-se de pessoas que apresentam dúvidas sobre como tratar deles, mas também que “não têm tempo para fazê-lo ou estão longe, são emigrantes e têm os pais a viver cá”.
No futuro, as responsáveis admitem que a ideia é expandir e contratar mais pessoas, sobretudo porque dizem haver grande procura do acompanhamento 24 horas por dia, algo que, para já, consideram “complicado”, devido à quantidade de funcionários necessários para garantir o apoio durante todo o dia a várias pessoas, admitindo tratar-se de um encargo elevado “até mesmo para as famílias”.
“Nós queremos ter o nosso pessoal e, à hora de contratar, vamos ser muito seletivas. Têm de ser pessoas que nos transmitam confiança, uma vez que vão ter a cargo idosos com várias necessidades. Esta empresa é familiar, é um projeto muito sentimental para nós e queremos levar às pessoas aquilo que levamos à nossa avó”, concluiu Joana Galvão.
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