A União dos Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL) contesta as alterações ao regime jurídico da conservação do lobo ibérico e acusa o Governo de não responder aos principais problemas enfrentados pelas explorações pecuárias.

Em reação ao Decreto-Lei n.º 158/2026, de 4 de agosto, a associação considera que o diploma fica “muito aquém” das reivindicações apresentadas pelos criadores de gado, sobretudo ao nível da prevenção dos ataques, da rapidez no pagamento das indemnizações e da avaliação dos prejuízos.
Segundo a UPGALL, os ataques de lobo continuam a provocar animais mortos, feridos e desaparecidos, perdas reprodutivas e prejuízos económicos significativos. A organização denuncia também atrasos recorrentes no pagamento das compensações e afirma que muitas participações não são validadas, deixando os produtores a suportar integralmente os danos.
A associação questiona ainda a imparcialidade do modelo de avaliação. Em causa está o facto de a entidade responsável pela conservação da espécie também decidir sobre a confirmação ou rejeição dos autos de ataque.
Para a UPGALL, a avaliação deve ser realizada com base em critérios técnicos transparentes e independentes, garantindo maior confiança e igualdade de tratamento aos produtores.
A organização defende que a proteção do lobo ibérico não pode colocar em causa a sobrevivência da pecuária, contribuir para o abandono das explorações familiares ou agravar a desertificação do mundo rural.
A UPGALL promete manter a contestação e anuncia a apresentação, nos próximos dias, de propostas concretas de alteração ao diploma, acompanhadas por dados, testemunhos e fundamentação técnica. A associação apela ao Governo, à Assembleia da República e aos partidos para que revejam o regime.
“Os produtores não pedem privilégios. Pedem justiça, respeito pelo seu trabalho e medidas que permitam compatibilizar a conservação da natureza com a sobrevivência de quem produz alimentos e mantém vivo o território rural”, conclui.
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