A população portuguesa tem disponível, em média, 4.079 calorias por dia, o dobro do recomendado para um adulto com peso saudável. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quinta-feira no âmbito da Balança Alimentar Portuguesa (BAP), e mostram que o consumo calórico se mantém praticamente inalterado face ao período de 2015-2019 (4.077 Kcal).

O INE destaca que 2020, primeiro ano da pandemia, registou o valor mais baixo da última década (3.894 Kcal), mas o excesso calórico voltou a crescer nos anos seguintes.
Segundo o instituto, as disponibilidades alimentares continuam a refletir uma “oferta excessiva e desequilibrada”, com consumo a mais de carne, pescado e ovos (+12,4 pontos percentuais face ao recomendado), e défices em hortícolas (-8,1 p.p.) e frutos (-3,7 p.p.).
Em termos médios, a carne de aves representa quase 40% do total disponível, seguida da carne de porco (27,4%) e da carne de vaca, que aumentou ligeiramente.
O pescado diminuiu 2,1%, mas o consumo de crustáceos e moluscos subiu mais de 20%, com o peixe fresco a manter-se como o principal produto (55,1% do total).
O consumo de ovos também cresceu, com cada residente a ter disponível cerca de meio ovo por dia (183 ovos por ano).
Por outro lado, o leite e os produtos lácteos registaram uma quebra de 3,6%, tal como os cereais, cuja produção nacional cobriu apenas 23% das necessidades de consumo.
Já o consumo de fruta aumentou 13,9%, e o das bebidas alcoólicas também cresceu 10% face a 2015-2019, com uma média de 332 mililitros por dia por habitante — o equivalente a 52 litros de vinho e 60 litros de cerveja por ano.
O INE conclui que, apesar de algumas melhorias, a dieta portuguesa mantém-se acima do valor calórico recomendado e com desequilíbrios alimentares, reforçando a importância de uma alimentação mais equilibrada e próxima das orientações da Roda dos Alimentos.
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