O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta quarta-feira, em Caminha, que Portugal irá disponibilizar “em princípio” 10% das suas reservas estratégicas de petróleo com o objetivo de aumentar a oferta no mercado e ajudar a conter a subida dos preços dos combustíveis.

A medida surge no seguimento de uma decisão coordenada da Agência Internacional de Energia (AIE), que determinou a libertação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos países membros, numa resposta conjunta à crise energética provocada pelo encerramento do Estreito de Ormuz.
À saída das jornadas parlamentares do Partido Social Democrata (PSD), realizadas em Caminha, no distrito de Viana do Castelo, o chefe do Governo afirmou que Portugal está “alinhado com aquilo que está a acontecer no âmbito da União Europeia e de outros países”.
Segundo explicou, a decisão pretende reforçar a oferta global de petróleo e ajudar a reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis que afeta famílias e empresas.
Montenegro acrescentou ainda que, em reuniões recentes com parceiros europeus, foi solicitado ao Governo português que apresentasse o mecanismo de desconto no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), para avaliar a possibilidade de aplicação de medidas semelhantes noutros países.
“Estamos a partilhar exatamente aquilo que cada um está a fazer para poder conformar uma estratégia comum que possa, de alguma maneira, conter os efeitos sobre as famílias e sobre as empresas”, afirmou.
De acordo com o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, a libertação dos 400 milhões de barris de petróleo pretende compensar a perda de abastecimento resultante do bloqueio do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de crude.
O encerramento daquela passagem marítima ocorreu após o agravamento do conflito no Médio Oriente, na sequência de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que respondeu com ataques a bases norte-americanas e alvos israelitas na região.
Esta é a sexta vez que a Agência Internacional de Energia coordena a libertação de reservas estratégicas de petróleo. A intervenção agora anunciada supera largamente a anterior operação recorde da organização, realizada após o início da Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando foram libertados 182 milhões de barris de petróleo.
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