A Câmara de Ponte da Barca (PSD) aprovou, com os votos contra do PS, as contas de 2023, realçando um aumento da execução da receita, cerca de 70% e, da despesa, 69,5%, face ao ano anterior, foi hoje anunciado.

Em comunicado enviado às redações, a autarquia do distrito de Viana do Castelo adiantou que na “execução da receita o valor foi superior a 16,1 milhões de euros e, uma da despesa de cerca de 15,9 milhões de euros”.
O “resultado líquido alcançado em 2023 é positivo, fixando-se em 438.556,51 euros, representando um aumento comparativamente com o resultado alcançado em 2022”, cujo valor na especifica.
Em 2023, ano a que dizem respeito as contas aprovadas pelo executivo municipal, o Orçamento da Câmara de Ponte da Barca apresentou um valor de 22.231.965,00 euros, mais de 450 mil euros que em 2022.
Para a maioria PSD na Câmara de Ponte da Barca, “os resultados alcançados em 2023 são prova do dinamismo municipal e do investimento que está a ser feito por todo o território, em que se destacam várias intervenções como o parque empresarial do Rodo, as cantinas do agrupamento de escolas de Ponte da Barca, a expansão da rede de abastecimento de água e saneamento, requalificação e pavimentação de vias, entre outros investimentos”.
“Desde 2017, o executivo municipal de Ponte da Barca não recorre a revisões orçamentais no final do ano para aumentar a execução orçamental, pelo que os valores alcançados em 2023 são valores reais”, sustenta a autarquia.
“Os resultados obtidos reforçam a nossa motivação para continuar a colocar em prática, todos os dias, uma política de honestidade, transparência e rigor, assim como continuar a investir na promoção do crescimento sustentável, honrando as expectativas dos nossos munícipes quando escolheram Ponte da Barca para viver, trabalhar e investir”, afirma o presidente da Câmara, Augusto Marinho, citado na nota.
Para os vereadores do PS, as contas de 2023 “demonstram que não há crescimento e que a consolidação financeira é uma fábula”.
“Em vez de fantasia exige-se mais rigor e transparência”, sustentam na declaração de voto apresentada em reunião camarária.
No documento, a que a Lusa teve hoje acesso, o PS refere que “a dívida conhecida da autarquia ultrapassa os 8,5 milhões de euros e, na falta de competência e de prudente gestão dos dinheiros públicos, que são desbaratados com contratações e despesas correntes, o recurso a empréstimos bancários com amortizações a 15 e 20 anos está a tornar-se um hábito – uma tábua de salvação”.
Contactado pela Lusa, Augusto Marinho explicou que o total do passivo é cerca de 8,4 milhões de euros, mais baixo que em 2017, quando o PSD chegou à Câmara de Ponte da Barca o valor era de mais de 8,8 milhões de euros”.
“O peso do passivo face ao total da receita é de 52%, quando em 2017 era de 70%”, frisou.
Já o valor dos empréstimos bancários rondava, em 2023, os 4,5 milhões de euros quando, em 2017, era de 5,5 milhões de euros”.
“Estes são os dados das contas de gerência para que cada um tire as suas conclusões. Não faço mais declarações sobre o assunto”, afirmou o social-democrata.
Para o PS considera que “as contas apresentadas comprovam, mais uma vez, que os orçamentos do executivo PSD são sempre empolados e, em vez, de traduzirem a realidade financeira, são um mero mecanismo de propaganda política que ano após ano procura continuar a alimentar expectativas que, mais uma vez em 2023, não se concretizaram”.
Para os vereadores do PS, o “documento, com 176 páginas, integra um relatório que se resume a frases, em grande parte irrealistas e desvirtuadas da realidade barquense e a uma prestação de contas onde se inscrevem números em rubricas generalistas”.
As contas de 2023 serão apreciadas e votadas, na terça-feira, na Assembleia Municipal.
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