A organização da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa desenvolveu uma estratégia de inclusão baseada em seis pontos e, a menos de um mês do evento, conta com 1.500 inscrições de pessoas com algum tipo de deficiência.

“Estamos a fazer todos os esforços para que a JMJ seja acessível a todos, é isso que queremos. Temos inscritas cerca de 1500 pessoas com algum tipo de deficiência, oriundas de várias partes do mundo”, disse à agência Lusa Carmo Diniz, do Gabinete de Diálogo e Proximidade, do Comité Organizador Local (COL).
De acordo com a responsável, as pessoas com deficiência inscritas na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que decorre na primeira semana de agosto, vão participar de diversas formas, nomeadamente integradas em grupos das dioceses, de algumas instituições, e individualmente. Carmo Diniz, que é diretora do serviço de Pastoral a pessoas com deficiência do Patriarcado de Lisboa e da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), garante que os organizadores da JMJ trabalham “há muito numa estratégia de atenção à deficiência, que tem vindo a ser desenvolvida com um grupo alargado de instituições das várias áreas da deficiência”.
Segundo a responsável, “a estratégia implementada assenta em seis eixos fundamentais: convite, participação, comunicação, alojamento, acessibilidade e mobilidade. “É à volta destes seis eixos que temos estado a desenvolver uma série de iniciativas, com o propósito de garantir a participação das pessoas com deficiência na Jornada Mundial da Juventude como um todo, dentro da sua liberdade e vontade”, refere.
Ao nível da comunicação, Carmo Diniz explica que estão a ser trabalhados temas como a língua gestual, o braille, e os sistemas de comunicação alternativa, como o Sistema Pictográfico de Comunicação.
“Estamos a trabalhar com o Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, que está a produzir vários materiais de comunicação para todos. Ou seja, a pegar em peças fundamentais da jornada e a colocá-las em formatos acessíveis”, refere, acrescentando que “foi assumido desde o início que o site da JMJ e a aplicação teriam de ser acessíveis a todos”. Segundo Carmo Diniz, as pessoas com deficiência que não se inscreverem na JMJ e queiram deslocar-se aos dois espaços do evento — o Parque Tejo e o Parque Eduardo VII — conseguem aceder a todas as informações no site do evento.
A organização decidiu não ter voluntários específicos nos locais onde está prevista a presença de pessoas com deficiência, optando antes por preparar todos para essa realidade: “Com a direção de acolhimento e voluntariado criámos um módulo específico com indicações e de atenção à deficiência”. “Não vamos pessoas especificas para lidar com a deficiência, o que teremos, nos locais designados será um reforço do número de voluntários, pois, naturalmente, será precisa muita ajuda”, afirma.
Carmo Diniz garante que a organização portuguesa falou com organizadores de jornadas anteriores, nomeadamente da JMJ do Panamá, que decorreu em 2019, sobre a forma como foi tratada a temática da deficiência, mas destaca “as diferentes realidades de cada país”. “Temos sempre de ajustar as condições à nossa realidade, e à nossa forma de fazer as coisas”, afirma a responsável, acrescentando que foram também replicadas as formas de lidar com a temática utilizadas no Santuário de Fátima e na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a JMJ vai realizar-se entre 01 e 06 de agosto em Lisboa, sendo esperados cerca de 1,5 milhões de pessoas. A edição deste ano contará com a presença do Papa Francisco, que estará em Portugal entre 2 e 6 de agosto.
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