Logo
Opinião

OPINIÃO: Os desafios à habitação com e sem caráter social

21 Junho, 2023 | 10:31
Partilhar
Claudia Marinho
4 min. leitura

Sabemos hoje, que os empregos precários, o aumento do custo de vida e a especulação imobiliária, enviaram segmentos da população (jovens, famílias monoparentais trabalhadores e pensionistas) para as listas de espera das habitações camarárias. Listas já de si, longas por falta de parque habitacional publico.

As habitações sociais devem constituir-se como mais valia para o concelho, porque permitem efetivar o direito constitucional a habitação condigna para todos. Ora pelo menos é isso que se espera, mas se tivermos uma visão mais abrangente do cenário atual podemos constatar uma serie de constrangimentos no parque habitacional publico existente:

A habitação social não pode ser somente um aglomerado de habitações com o objetivo de oferecer o maior numero de fogos possíveis a quem deles precisa, deve ter em linha de conta o local onde se inserem, para que seja possível a integração plena dos seus moradores e não a segregação espacial que se verifica. Urge a necessidade de o poder político perceber, se a atribuição de uma habitação social num bairro facilita a integração na vida ativa dos seus moradores, ou se se está a perpetuar o fenómeno de guetização das pessoas. A atribuição de habitações, carrega consigo, como é óbvio, a oportunidade de melhorar a qualidade residencial dos agregados, integra-os, mas será que os incluí? O tempo de permanência dos agregados em habitações sociais leva-nos a acreditar que não, tendo em linha de conta, que passados alguns anos, a maioria ainda não se encontra em condições de concorrer ao mercado de arrendamento normal, o que por si só, é sinónimo de exclusão. A conotação negativa imputada aos aglomerados populacionais dos bairros sociais, não permite a inclusão das pessoas na comunidade, existe perda de laços sociais e dificuldade de mobilidade social. Integrar nestes bairros pessoas com diferentes bases culturais poderia ser enriquecedor se existissem no terreno equipas especializadas que ajudassem a esbater as diferenças e promovessem a coesão social e os laços de vizinhança, que envolvessem os arrendatários na criação e cumprimento de um código de conduta comum a todos os moradores. O próprio tecido empresarial poderia ajudar a melhorar a imagem dos bairros, se criassem serviços e comércio nestes aglomerados, que permitissem a abertura dos espaços e a afluência de outras pessoas ao território. A par de tudo isto, é importante perceber que a velha máxima de “ dividir para conquistar” se constituiria como uma mais valia, se o poder político, evitasse a construção de blocos habitacionais sociais e revitalizasse o parque habitacional publico para integrar arrendatários sociais em zonas habitacionais do mercado formal, acabando assim com a segregação daqueles que estão em situação de fragilidade.

Infelizmente, a habitação acessível e de qualidade ainda não é uma realidade para todos em Portugal. Apesar do reconhecimento constitucional do direito à habitação, existem vários desafios e obstáculos que dificultam o acesso à habitação adequada para muitos cidadãos. Alguns dos principais problemas incluem:

  1. Escassez de habitação acessível: A oferta limitada de habitação acessível é um dos principais problemas enfrentados. Os preços das casas têm aumentado, especialmente nas áreas urbanas, tornando difícil para muitas pessoas comprarem uma casa ou alugarem a preços acessíveis.
  2. Desigualdade na habitação: A desigualdade habitacional é uma preocupação significativa. Existem disparidades entre diferentes grupos socioeconômicos em termos de acesso a habitação de qualidade. Pessoas com baixos rendimentos, famílias monoparentais, idosos e grupos vulneráveis podem enfrentar dificuldades adicionais na obtenção de uma habitação adequada.
  3. Especulação imobiliária: A especulação imobiliária é um problema que afeta o mercado de habitação em Portugal. A valorização excessiva dos imóveis, muitas vezes impulsionada pelo investimento estrangeiro, pode dificultar o acesso à habitação para os residentes locais.
  4. Falta de habitação social adequada: Embora exista habitação social em Portugal, a oferta não é suficiente para atender à demanda. Muitas vezes, as listas de espera para habitação social são longas, e a qualidade das habitações disponíveis pode variar.
  5. Impacto do turismo e do alojamento local: O aumento do turismo e do alojamento local pode levar à escassez de habitação para os residentes locais. Alguns proprietários optam por disponibilizar suas propriedades para alugar a curto prazo a turistas, o que reduz ainda mais a oferta de habitação para os habitantes locais.

Embora haja conscientização sobre essas questões, é um desafio complexo enfrentar a crise habitacional de forma abrangente e igualitária. É emergente reduzir as desigualdades habitacionais. 

A habitação é mais do que um teto sobre nossas cabeças é o alicerce de dignidade, segurança e igualdade. Garantir a todos o direito a uma habitação adequada é construir uma sociedade justa e inclusiva.

Claudia Marinho

Técnica Superior de Educação Social e Vereadora da CDU na Camara Municipal de Viana do Castelo.  

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Regional 13 Abril, 2026

Câmara de Viana debate contas, habitação e apoios na reunião de 14 de abril

A Câmara Municipal de Viana do Castelo reúne, esta terça-feira, 14 de abril, pelas 16h00, no salão nobre dos Paços do Concelho, com uma agenda extensa que cruza gestão financeira, obras públicas e apoios ao tecido associativo.

Desporto 13 Abril, 2026

Vianense Francisco Santos vence 1.ª etapa do Campeonato Nacional de Canoagem de Mar

O canoísta vianense Francisco Santos, do Clube Náutico de Ponte de Lima, conquistou este domingo a vitória na 1.ª etapa do Campeonato Nacional de Canoagem de Mar, na categoria SS2 Sénior, em parceria com Mateus Ornelas, da Associação Náutica de Câmara de Lobos.

Nacional 13 Abril, 2026

Ponte da Barca celebra 25 de Abril com ballet, música e homenagem à liberdade

Ponte da Barca vai celebrar o 52.º aniversário da Revolução dos Cravos com um programa que cruza cerimónia institucional e iniciativas culturais, evocando a liberdade e a democracia conquistadas em 25 de abril de 1974.

Regional 13 Abril, 2026

Paredes de Coura assinala 25 de Abril e Foral com concerto de Sérgio Godinho

O concelho de Paredes de Coura vai assinalar os 52 anos da Revolução de 25 de Abril e os 511 anos do Foral com um programa cultural que se estende por vários espaços e envolve diferentes públicos.

Cultura 13 Abril, 2026

Viana do Castelo volta a destacar-se com três vencedores no Prémio Cinco Estrelas Regiões 2026

O concelho de Viana do Castelo voltou a afirmar-se como referência nacional ao conquistar três distinções na 9.ª edição do Prémio Cinco Estrelas Regiões 2026. Entre os vencedores destacam-se três ícones profundamente ligados à identidade local: a Romaria d’Agonia, o Santuário de Santa Luzia e a Filigrana.

Regional 13 Abril, 2026

Viana do Castelo investe mais de 7 milhões de euros na valorização do património religioso

A Câmara Municipal de Viana do Castelo já investiu mais de 7 milhões de euros na requalificação do património religioso do concelho, reforçando a rede de equipamentos de apoio às populações e promovendo melhores condições de dignidade e proximidade.

Regional 13 Abril, 2026

Coro Diocesano de Viana do Castelo celebra 10 anos ao serviço da música litúrgica

O Coro Diocesano de Viana do Castelo assinala o seu 10.º aniversário, desde a sua fundação a 10 de abril de 2016, na Sé Catedral de Viana do Castelo, com uma mensagem de felicitação do Bispo diocesano, D. João Lavrador, que destaca o contributo do grupo para a valorização da Música Litúrgica na Diocese.