Normalmente, dou o benefício da dúvida aos treinadores que chegam a um dos chamados três grandes, sejam eles portugueses ou estrangeiros.

Quase todos se apresentam com um discurso positivo. Falam em respeito pelos adversários, fair play, humildade e capacidade para saber ganhar e perder. Ao início, parecem trazer uma forma diferente de estar no futebol.
O problema é que essa postura raramente dura muito tempo. Quando os resultados deixam de aparecer e a pressão aumenta, o discurso muda. Surgem as desculpas, as críticas aos árbitros e as provocações aos adversários.
Roger Schmidt foi um exemplo recente. Chegou ao Benfica com uma imagem serena e um discurso positivo. Mais tarde, pressionado pelos resultados, acabou por perder essa tranquilidade.
Farioli parece seguir um caminho semelhante. Pode ter qualidade, boas ideias e capacidade para preparar uma equipa. Isso não está em causa. Mas provocar os adversários, pressionar constantemente os árbitros ou inflamar o público não é sinal de liderança.
Farioli será, provavelmente, apenas mais um treinador de passagem pelo futebol português. Ganhará alguns jogos, perderá outros e, mais cedo ou mais tarde, seguirá o seu caminho. Como tantos outros, o tempo acabará por fazê-lo esquecer.
Marco Silva é um caso diferente. É português, conhece o nosso futebol e construiu uma carreira sólida no estrangeiro. O seu percurso merece reconhecimento e cria, naturalmente, grandes expectativas.
Espero que não se deixe transformar pelo ambiente do futebol português. Não precisa de provocar adversários para afirmar a sua autoridade, nem de pressionar árbitros para defender a equipa. O seu trabalho, a sua experiência e os resultados deverão falar por si.
O futebol português precisa de bons treinadores, mas também de melhores exemplos. Precisa de pessoas capazes de competir com intensidade, sabendo ganhar sem humilhar e perder sem procurar culpados.
Já existe ruído suficiente fora das quatro linhas.
Destes “misters”, que transformam cada jogo numa batalha e cada decisão num escândalo, o futebol português não precisa de mais.
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