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OPINIÃO: Ganhar o futuro no presente 

22 Maio, 2023 | 10:00
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Tiago Manuel Rego
4 min. leitura

O futuro do planeta ganha-se ou perde-se no presente, pelo que a capacidade de agirmos coletivamente será determinante para o sucesso de medidas promotoras da  almejada sustentabilidade social, económica e ambiental. O desenvolvimento  harmonioso dos territórios, gerador de uma efetiva igualdade de oportunidades, surge, assim, como a premissa maior de um progresso civilizacional sonhado e desejado.  

Atualmente, metade da população mundial vive em cidades e, em meados do século,  dois terços residirá em urbes. Contrariar esta centralização e um êxodo rural impiedoso  para aldeias e vilas ou gerir este aumento da centralidade sem comprometer a qualidade  de vida é um exercício de governação exigente, para o qual ainda não se encontrou uma  métrica virtuosa, cabendo a cada território agir de acordo com as suas especificidades. 

Assim, projetar o futuro, antevendo e antecipando os desafios, é fundamental para  ganhar terreno e preparar os territórios para uma relação simultânea de cooperação e  de competição pela fixação de pessoas, empresas e serviços. A construção de um  modelo de sociedade mais participativa, ecológica e progressista, que privilegia o bem 

estar, a inovação e o desenvolvimento sustentável, é bem acolhida pelas populações e reivindicada pelas jovens gerações. 

Em Viana do Castelo está a acontecer uma transformação, que paulatinamente tem  despoletado novas formas de sentir e viver um concelho de todos e para todos, com os  olhos postos no futuro, pois, pensar além do nosso tempo, é crucial para alcançar o  progresso e uma condição essencial para quem decide, que exige uma elasticidade de  pensamento e de planeamento, que por vezes é pouco entendido ou de difícil perceção  face aos ganhos, a médio e a longo prazo. É nesta senda que assistimos ao vingar de um  projeto para Viana do Castelo, que contempla uma perspetiva holística do  desenvolvimento sustentado deste concelho, assente na ideia de que “a melhor forma  de prever o futuro é criá-lo”.  

A projeção de Viana do Castelo no Norte de Portugal e na Galiza é nada mais do que reflexo de uma ação planeada e consequente, que tem entre os seus indicadores a  pertença deste concelho ao top ten dos municípios mais exportadores do norte de  Portugal e a presença num ranking anual da Bloom Consulting que considerou Viana do  Castelo como um dos melhores municípios para viver, visitar e fazer negócios. A  estratégia de crescimento económico, alicerçada no setor automóvel, na indústria do  papel e na economia do mar, a par de um regime de incentivos municipais aliciante,  têm-se revelado ganhadora e um bom desafio para acolher as muitas empresas que se  querem instalar ao longo do estuário do rio Lima. 

A vontade e ambição de fazer de Viana um concelho vanguardista e progressista está  bem presente na criação de um centro internacional para as energias renováveis  offshore, que junta o município, a academia e as empresas num projeto catalisador da  inovação nas energias eólicas no mar, no qual Viana do Castelo já é um farol.  

Entre os desafios do mundo moderno, o futuro de Viana do Castelo certamente não  passará ao lado da inevitável transição digital, que ganhou um novo folgo durante a crise  pandémica, que acarreta riscos e oportunidades, que são preciso acautelar e aproveitar.  A inclusão de todas e todos na digitalização de serviços municipais e acesso à tecnologia  são ainda hoje uma barreira à qual devem continuar a ser criadas respostas, para que  ninguém fique para trás, certos de que literacia digital é inclusão social. Em  contrapartida, o digital eliminou a periferia e o centralismo, favorecendo a agilidade de  serviços e o trabalho em qualquer lugar com um ponto de ligação à internet,  posicionando Viana do Castelo como um município aliciante para os nómadas digitais. A  ação perante esta revolução ganha respaldo na pioneira “Agenda Digital de Viana do  Castelo” que organiza a estratégia e define um caminho, criando o conceito de espaços  digitais capazes de transformar para melhor o dia a dia dos vianenses. 

A transição verde, que surge como uma prioridade mundial com atraso, exige uma ação  conjunta de todos, sob o lema pensar global, agir local, para agirmos na mitigação do  impacto das alterações climáticas, bem como na criação de espaços mais ecológicos e  sustentáveis no concelho, tendo no Plano Municipal da Ação Climática e na Estratégia  Municipal de Ambiente e Sustentabilidade, em construção, um itinerário. Neste eixo, a  mobilidade suave é parte da solução pelo que a criação de uma travessia ciclável e  pedonal sobre o rio Lima, que é hoje necessária e reclamada, iria garantir, por um lado,  a ligação da ecovia litoral com a ciclovia urbana, potenciando a coesão territorial, e, por  outro lado, promoveria a consciencialização das populações para opções de transporte  menos poluentes, em busca da neutralidade carbónica, que o Plano Municipal de  Mobilidade Urbana Sustentável, em desenvolvimento, pretenderá certamente  contribuir.   

O compromisso de Viana do Castelo com o futuro é, assim, a garantia da prosperidade  de um concelho que se afirma pelas suas tradições, identidade e património, pela  capacidade de inovação dos seus agentes e pelos arrojados modelos de governança nos  quais a criação conjunta de políticas públicas se faz entre cidadãos e agentes políticos,  comprometidos com a construção de uma comunidade na qual cada uma e cada um  possa concretizar o seu projeto de vida.  

Acredito, convictamente, que o vingar de projetos visionários como este e que a  conquista de melhores resultados, dependerá da nossa disponibilidade para sermos  parte e participarmos no agora, porque o futuro é já amanhã, e dependerá daquilo que  fizermos no presente. 

Tiago Manuel Rego

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