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Opinião

OPINIÃO: Futebol – Educação para Todos 

5 Junho, 2023 | 15:44
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Paulo Gomes
3 min. leitura

“No futebol, em primeiro lugar, dever-se-ia educar a pessoa como pessoa e não como  futebolista.” 

“No futebol, em primeiro lugar, dever-se-ia educar a pessoa como pessoa e não como  futebolista.” 

Johan Cruyff 

No términus de mais uma época desportiva, urge alertar, todos os intervenientes, que a prática  desportiva vai muito para além do mero exercício físico.  

Mais importante do que as ideias de jogo ou métodos de treino, são ou deveriam ser, os valores  humanos. Perante alguns exemplos, demasiados até, observados semanalmente, onde  prevalece a deterioração de valores nos comportamentos, da maioria dos intervenientes, vulgo  agentes desportivos, reveste-se de vital importância a análise desta temática.  

Converge-se para a ideia de que tudo vale para chegar ao sucesso, onde, competir é ganhar a  todo custo e qualquer custo. A agressividade atinge patamares de grande preocupação,  nomeadamente, nos escalões mais jovens. Nos últimos tempos, a violência verbal, agravou-se  de tal forma que passou para a violência física. Em Espanha, na Alemanha, em Portugal,  registaram-se um sem número de casos, que foram devidamente noticiados na comunicação  social, cada vez mais ávida e necessitada deste tipo de notícias.  

“O desenvolvimento, incluindo o desenvolvimento do futebol, depende também da dimensão  cultural e ética dos seus agentes e não pode reduzir-se a um projeto meramente desportivo.” 

José Mourinho 

Sendo transversal a todos os desportos, a violência, assume no futebol contornos preocupantes.  Todos os fins de semanas recebemos relatos de agressões a árbitros, jogadores, adeptos, etc.,  resultantes, na sua maioria, do lema “tudo vale para ganhar”. Assume ainda uma maior gravidade, que seja nos jogos de escalões de formação que se verifiquem a maioria destes casos.  Infelizmente, os pais, treinadores e diretores, sem qualquer compreensão pedagógica daquilo  que é o desporto, são, na sua maioria, os principais causadores destas situações.  

Será que as qualidades futebolísticas estão dissociadas das qualidades humanas? Pensarão os  pais, treinadores e diretores que um jovem bem formado, educado, e com bom carácter não  poderá, simultaneamente, ser um atleta de excelência?  

Ao contrário do que se possa pensar, a grande mudança comportamental não é ao “nível do  relvado”. É nas bancadas e, por vezes, no banco de suplentes, que se verifica o principal foco de  dispersão e agressividade. Basta passar uma manhã, num recinto desportivo, para rapidamente  nos apercebermos da quantidade de atitudes inacreditáveis daqueles que deveriam ser o  exemplo para os seus educandos. Desde chamadas de atenção constantes para os filhos,  agressões verbais para árbitros e adversários, tudo ou quase tudo pode acontecer. 

Entender que é necessário, haver policiamento em jogos de sub14 (iniciados), é, na minha  opinião, atingir um limite inaceitável e inimaginável.  

Não é difícil perceber onde está a raiz do problema. Na realidade e até pelas posições que  ocupam, uns podem ser mais culpados que outros, no entanto, considero que todos somos  culpados.  

A solução passará por cada vez mais, se promover e defender as Lideranças Éticas. Quem está à  frente de um projeto desportivo, seja qual for a função, deverá sempre fazer prevalecer a  liderança ética, ou seja, ensinar a criança ou jovem atleta a saber ganhar e perder, sobretudo a  saber perder, momento mais delicado da competição.  

Como chamada de atenção aos formadores/treinadores: nunca coloquem o resultado acima de  qualquer processo. A Ética e os Valores no desporto devem ser ensinados e valorizados. Urge  uma mudança radical na nossa cultura desportiva. Reeduquemos, portanto, todos os  intervenientes no fenómeno desportivo nacional, principalmente pais e dirigentes, que por  norma, são aqueles que têm menos formação desportiva. 

Paulo Gomes

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