Logo
Opinião

OPINIÃO: É hora de agir!

26 Julho, 2024 | 14:25
Partilhar
Rita Serras Jorge
3 min. leitura

A velocidade com que a humanidade vive o quotidiano é alucinante. As efemérides sucedem-se, as comemorações são várias e solenes, mas o facilitismo com que viramos a página sem a modificação das nossas ações é alarmante, sobretudo numa época em que são vários os recursos disponíveis para fazer percorrer novos rumos. Este ano, o tema escolhido para a comemoração do dia 28 de julho, Dia Mundial das Hepatites Virais, não podia, no meu entender, ser mais adequado: é hora de agir!

Grandes têm sido os esforços encetados para a erradicação das Hepatites B e C, capazes de evoluir para a cronicidade e de causar cirrose e cancro do fígado. Apesar disso, a cada 30 segundos uma pessoa morre vítima de alguma complicação relacionada com as hepatites. Um dos principais passos para a mitigação destas doenças foi a criação da vacina contra a hepatite B pelo cientista Dr. Baruch Blumberg nascido precisamente nesta data e vencedor do Prémio Nobel devido a esta importante descoberta. Não obstante, a nível mundial, menos de 50% das crianças são vacinadas nas primeiras 24h de vida, como se preconiza. Muitos grupos de risco, como os viajantes, os doentes com doenças hepáticas crónicas ou sob imunossupressão, não estão também vacinados. A vacinação é altamente eficaz na prevenção da doença e os seus riscos são desprezíveis pelo que é fundamental uma aposta numa cobertura vacinal mais universal.

A hepatite C não dispõe de vacina, mas temos neste momento ao nosso dispor fármacos de elevada potência e com efeitos secundários mínimos, capazes de prevenir as complicações acima mencionadas quando a administrados antes do desenvolvimento de doença hepática significativa, nomeadamente fibrose avançada e cancro do fígado. Dos dados disponíveis, sabemos que nos últimos anos a comunidade médica e civil em Portugal tem sido capaz, através de esforços consideráveis para chegar às populações mais vulneráveis, de manter um número de tratamentos constante, impedindo os riscos para o doente individual e mitigando o contágio.

Apesar de estas duas formas de hepatite serem as que têm merecido mais atenção dada as suas complicações potenciais, neste dia, é meu desejo deixar também uma palavra sobre a hepatite A e E. A primeira, de transmissão fecal oral, tem sido responsável por alguns surtos em Portugal na última década, sem mortalidade significativa associada, mas com morbilidade importante e por vezes necessidade de internamento. Está disponível também a vacinação contra esta doença pelo que esta deve ser considerada a todos os grupos de risco ou a quem o desejar. A hepatite E, endémica na Europa neste momento, é uma preocupação sobretudo em grávidas e em doentes imunodeprimidos (doentes com doenças oncológicas, com doenças autoimunes, transplantados, etc). Nos países subdesenvolvidos, transmite-se sobretudo por via fecal oral e não evolui par a cronicidade mas é capaz de produzir uma mortalidade de até 25% nas grávidas. Na Europa, a doença é sobretudo transmitida através de carne porco ou javali malcozinhada e pode evoluir para formas crónicas nos doentes mais vulneráveis e até causar falência hepática aguda. O consumo destes produtos deve ser evitado, sobretudo em doentes com os fatores de risco já mencionados.

A variabilidade das hepatites virais não nos deve confundir ou paralisar. É hora de agir e felizmente temos já disponíveis algumas armas de alta eficácia para diminuir a morbimortalidade destas doenças. A primeira e talvez a mais importante, será sempre a informação!

Rita Serras Jorge – Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado da SPMI

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Desporto 8 Outubro, 2026

UNIPVC recebe exposição que mostra como o desporto constrói valores

A Oficina Cultural da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) recebeu a exposição itinerante “Move-te por Valores”, uma iniciativa que recorre a histórias reais para mostrar como o desporto pode contribuir para a construção de valores como o respeito, a entreajuda, a resiliência, o compromisso e o fair play.

Regional 8 Outubro, 2026

Visita às obras do Viana STARTS revela futuro espaço dedicado à ciência, tecnologia e arte

O programa do S+T+ARTS Day – AQUA MOTION & Viana STARTS incluiu uma visita às obras do futuro espaço Viana STARTS, em Viana do Castelo, cuja construção está perto da conclusão.

Regional 8 Outubro, 2026

Valença assinalou 116 anos da República com foco na escola e na cidadania

O Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho acolheu, a 6 de outubro, as comemorações dos 116 anos da Implantação da República em Portugal, este ano sob o mote “A escola que forma cidadãos”.

Regional 8 Outubro, 2026

Viana do Castelo promove atividades solidárias no âmbito do Outubro Rosa

A Câmara Municipal de Viana do Castelo promove, ao longo de outubro, um programa de atividades desportivas e de convívio integrado no Outubro Rosa 2026. As iniciativas têm caráter solidário e revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, associando a prática de exercício físico à sensibilização para a prevenção do cancro da mama.

Regional 8 Outubro, 2026

Viana do Castelo abre pedidos para queimas de sobrantes a partir desta quinta-feira

A Câmara Municipal de Viana do Castelo anunciou que, a partir desta quinta-feira, 8 de outubro, podem ser apresentados pedidos para a realização de queimas de sobrantes no concelho. A decisão tem em conta as condições meteorológicas e a evolução do perigo de incêndio rural.

Desporto 8 Outubro, 2026

João Moura assume liderança executiva da Vianense SAD

João Moura é o novo CEO da Vianense SAD. O dirigente chega a Viana do Castelo depois de ter desempenhado funções de diretor desportivo do Marítimo, onde integrou a estrutura que alcançou a subida à Primeira Liga.

Regional 8 Outubro, 2026

UNIPVC garante cumprimento do contrato e acompanha situação dos trabalhadores da limpeza

A Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) está a acompanhar a situação denunciada pelos trabalhadores da empresa responsável pelos serviços de limpeza nas suas instalações, na sequência de alegados salários em atraso.