O Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio, é uma oportunidade para refletirmos sobre os efeitos prejudiciais do consumo de tabaco na saúde. Embora os danos causados sejam frequentemente associados às doenças respiratórias e cardiovasculares, é fundamental destacar também que tem um impacto significativo na saúde digestiva.
Atualmente o tabaco é um conhecido fator de risco para múltiplas doenças gastrointestinais, uma vez que os seus componentes tóxicos, como a nicotina, as nitrosaminas e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (considerados carcinogéneos do tipo 1) provocam alterações inflamatórias e genéticas na mucosa do aparelho digestivo.
De acordo com o relatório publicado em 2022 pelo Tobacco Atlas, 21% dos portugueses eram fumadores ativos e a mortalidade associada ao tabaco era de 7%. Estes números demonstram que, apesar dos esforços para reduzir o consumo, o tabagismo continua a ser um grave problema de saúde pública em Portugal.
Refluxo gastroesofágico
O consumo de tabaco a longo prazo prejudica o funcionamento do esfíncter esofágico inferior (a “válvula” que separa o esófago do estômago), facilitando os episódios de refluxo ácido para o esófago, contribuindo para o aparecimento de complicações como a esofagite. Os episódios de refluxo provocam sintomas como azia, ardor e dor no peito.
Úlceras gástricas e duodenais
O tabaco atua em conjunto com o Helicobacter pylori (bactéria presente no estômago de 60-80% dos portugueses), contribuindo para o desenvolvimento de úlceras gástricas e duodenais, pela redução dos mecanismos protetores (diminuição de prostaglandinas), aumento da produção de ácido e diminuição do fluxo de sangue na mucosa.
Pancreatite crónica
O tabagismo por si só, mesmo sem consumo de álcool associado, é um fator de risco para o desenvolvimento de pancreatite crónica. As toxinas presentes no fumo do tabaco provocam a destruição do tecido pancreático com consequente fibrose e perda de função pancreática.
Doença inflamatória intestinal
A relação entre o tabaco e a doença inflamatória intestinal é complexa, sendo um fator de risco estabelecido para a Doença de Crohn (DC). Os fumadores têm maior risco de ter a doença, que se apresenta habitualmente de forma mais agressiva, com maior necessidade de intervenções cirúrgicas e de tratamentos imunossupressores.
Neoplasias do aparelho digestivo
Os fumadores apresentam um risco significativamente superior de desenvolver neoplasia (cancro) do esófago, estômago, pâncreas, fígado, cólon e reto em comparação com os indivíduos não fumadores. No esófago, o tabaco em combinação com o álcool, são os principais fatores de risco para o carcinoma de células escamosas (subtipo de cancro do esófago). No estômago, aliado à bactéria Helicobacter pylori, contribuem para a gastrite crónica, que se caracteriza por inflamação persistente, que pode evoluir para o adenocarcinoma gástrico. No fígado, aliado ao álcool e a outros vírus, o tabaco contribui para o desenvolvimento do carcinoma hepatocelular. Por fim, no cólon e reto, o fumo do tabaco promove mutações genéticas que favorecem a formação de pólipos que, com o tempo, podem evoluir para adenocarcinoma colorretal.
Alterações do microbioma intestinal
A exposição prolongada ao fumo do tabaco altera significativamente a composição da microbiota intestinal, promovendo a disbiose, que se caracteriza pela redução da diversidade bacteriana e pelo aumento de espécies patogénicas, contribuindo para o desenvolvimento de doenças metabólicas e gastrointestinais.
Saúde em primeiro lugar: cuidar do presente para proteger o futuro
A cessação tabágica é uma medida fundamental para a prevenção e manutenção da saúde digestiva. Os benefícios para a saúde são imediatos, verificando-se uma redução do risco cardiovascular logo nos primeiros dias, mas também na saúde digestiva, a longo prazo, ao reduzir o risco de cancro e doenças gastrointestinais, e contribuindo para um equilíbrio intestinal mais saudável.
Posto isto, nunca é tarde para mudar. O primeiro passo para um futuro mais saudável e com mais qualidade de vida pode começar hoje. A escolha é sua: pela sua saúde, não fume.
Daniela Abrantes, Médica interna de formação específica em Gastrenterologia do Hospital Beatriz Ângelo, membro da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.
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