Lamento que, tantas vezes, sejam os próprios vianenses os primeiros a falar mal da sua cidade, da Romaria de Nossa Senhora d’Agonia e de tantas outras iniciativas, instituições e símbolos que fazem parte da nossa identidade coletiva.

A crítica é legítima e necessária. Nenhuma instituição está acima do escrutínio. Todos cometemos erros — a Câmara Municipal, a Comissão de Festas, os Serviços Municipalizados, as associações, os clubes e as restantes entidades que trabalham diariamente em benefício do concelho. Devemos apontar esses erros, exigir explicações e contribuir para que sejam corrigidos.
Mas existe uma diferença entre fazer uma crítica construtiva e procurar permanentemente tudo aquilo que possa servir para atacar pessoas, instituições e o próprio nome de Viana do Castelo. Sobretudo quando essa atitude resulta apenas de interesses políticos, rivalidades pessoais ou do hábito de dizer mal por dizer.
Por vezes, parece que criticar se tornou mais importante do que reconhecer aquilo que é bem feito. Há quem esteja sempre disponível para destacar uma falha, mas raramente encontre uma palavra para valorizar o trabalho, a dedicação e o esforço de todos aqueles que contribuem para engrandecer a cidade e o concelho.
Cada pessoa tem o direito de formar a sua opinião e de defender as suas razões. Contudo, não podemos permitir que aquilo que está menos bem se transforme no cartão de visita de Viana do Castelo. Ao insistirmos apenas nos aspetos negativos, somos nós próprios que afastamos visitantes, prejudicamos a imagem da cidade e desvalorizamos o trabalho realizado em áreas tão diferentes como a cultura, o desporto, o turismo, a ação social, o associativismo e a preservação das nossas tradições.
A Romaria de Nossa Senhora d’Agonia é um dos exemplos mais evidentes. É muito mais do que um programa de festas. É fé, tradição, identidade, memória, cultura e emoção. É o brilho dos trajes, o ouro ao peito, os tapetes floridos, a procissão ao mar, a música, a dança e o reencontro entre gerações. É um património recebido dos nossos antepassados que temos a responsabilidade de preservar, valorizar e transmitir.
Mas Viana não se resume à Romaria. É também o trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano pelas associações, coletividades, clubes, instituições sociais, agentes culturais, comerciantes, empresários e milhares de cidadãos anónimos. São essas pessoas que, muitas vezes longe dos holofotes, ajudam diariamente a construir uma cidade mais dinâmica, solidária e preparada para o futuro.
Defender Viana não significa fechar os olhos aos problemas. Significa saber criticar com justiça, equilíbrio e sentido de responsabilidade. Significa reconhecer aquilo que está mal, mas também ter a honestidade de valorizar tudo o que está bem.
E não, não sou pago para falar bem de quem quer que seja. Sou remunerado pelos serviços que presto, como qualquer pessoa é pelo trabalho que realiza. A diferença é simples: amo profundamente a minha cidade, a sua Romaria e tudo aquilo que representa Viana do Castelo. Por isso, custa-me assistir à deturpação da realidade e ver o nome da cidade ser usado em disputas que pouco ou nada contribuem para melhorar aquilo que pertence a todos.
Podemos discordar, questionar e exigir mais. Aliás, devemos fazê-lo. Mas também devemos ser os primeiros a defender Viana do Castelo e a promover o melhor que temos.
Porque, se nem nós valorizarmos a nossa cidade, as nossas tradições, as nossas instituições e as nossas pessoas, dificilmente poderemos esperar que os outros o façam.
Pedro Xavier – Jornalista
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