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Opinião

OPINIÃO: Células estaminais no tratamento da leucemia e linfoma

25 Setembro, 2023 | 9:20
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Andreia Gomes
4 min. leitura

Entre várias caraterísticas, as células estaminais apresentam uma enorme versatilidade, capacidade de autorrenovação e de diferenciação (especialização) em vários tipos celulares.

O cordão umbilical tem provado ser uma fonte válida e rica em células estaminais, cuja colheita é fácil, indolor, não invasiva e totalmente segura para a mãe e para o bebé. As células estaminais provenientes do cordão umbilical acabam por ter algumas vantagens face a outras fontes de células estaminais como, por exemplo, a facilidade de colheita, a disponibilidade imediata para transplante, a não exigência de uma compatibilidade rigorosa (maior tolerância nos fatores de compatibilidade HLA), assim como um menor risco de desenvolver doença do enxerto contra o hospedeiro, uma complicação potencialmente fatal dos transplantes hematopoiéticos alogénicos (em que o dador e o recetor são pessoas diferentes).

O transplante de células estaminais é já uma realidade de tratamento para alguns tipos de cancro como a leucemia e linfoma. Estes dois tipos de cancro desenvolvem-se quando as células sanguíneas saudáveis ​​começam a dividir-se de forma descontrolada e anormal. A leucemia normalmente desenvolve-se nos linfócitos, mas também se pode desenvolver nas células mieloides. As células cancerosas da leucemia podem assim, espalharem-se por todo o corpo, mas afetam principalmente a medula óssea e o sangue. Existem vários tipos de leucemia. Alguns tipos de leucemias são agudas, o que significa que crescem rapidamente outros tipos são crónicos ou de crescimento lento. De forma semelhante a algumas formas de leucemia, o linfoma começa nos linfócitos. No entanto, ao contrário da leucemia, o linfoma geralmente afeta os gânglios linfáticos e outros órgãos, em vez da medula óssea. O linfoma é dividido em dois tipos principais e vários subtipos. Os principais tipos de linfoma são o linfoma de Hodgkin e o linfoma não-Hodgkin.

Em 2018, de acordo com o Global Cancer Observatory, a leucemia foi destacada como o 15º cancro mais diagnosticado e a 11ª principal causa de mortalidade por cancro em todo o mundo, sendo responsável por 437.033 casos de cancro incidentes e 309.006 mortes por cancro. Relativamente ao linfoma não-Hodgkin, foram diagnosticados 509.590 novos casos e foram estimadas 248.724 mortes por linfoma não-Hodgkin. Os tratamentos destes tipos de cancro variam dependendo do tipo desenvolvido. A taxa de sobrevivência de cinco anos para todos os tipos de leucemia combinados é pouco menos de 66%.

E aqui é quando surge a pergunta: “E o transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical é uma ferramenta considerada para tratar leucemias ou linfomas?”. E, de facto, a resposta é: sim.

Os transplantes de células estaminais com sangue do cordão umbilical têm sido utilizados para curar crianças e adultos com leucemia desde o início da década de 1990. Foram contabilizados mais de 45 mil transplantes de sangue do cordão umbilical, e a maioria deles foi para leucemias e linfomas.  Em 2016, um estudo publicado no New England Journal of Medicine, comparou transplantes de sangue do cordão umbilical com transplantes de medula óssea para pacientes com leucemia. Os dois grupos tiveram uma sobrevivência pós-transplante comparável, mas os pacientes com sangue do cordão umbilical tenderam a viver mais tempo e, mais importante ainda, os pacientes tratados com sangue do cordão umbilical apresentaram menos probabilidade de recaída.

Apesar de ter uma designação associada a um estigma de gravidade, atualmente, o diagnóstico deste tipo de cancros é baseado nos sintomas, e da mesma forma a outros cancros, a deteção precoce e o tratamento da leucemia ou do linfoma conduzem frequentemente a melhores resultados. Os tratamentos variam dependendo do tipo de leucemia ou linfoma, sendo o transplante de células estaminais um deles.

Desta forma, guardar o cordão umbilical em detrimento de o descartar, representa:  facilidade e segurança na colheita das células estaminais, sem risco ou desconforto para a mãe e para o bebé; maior tolerância nos fatores de compatibilidade HLA; menor risco de desenvolver doença doenças graves do tipo do enxerto contra o hospedeiro; acesso imediato às células (uma vez que estas estarão guardadas num banco de células estaminais) e, portanto, consegue-se ter a possibilidade de tratamento mais imediato, o que pode é vantajoso para transplantes urgentes.

Por todos estes motivos, é importante refletir e avaliar de forma mais atenta o que a criopreservação de células estaminais do cordão umbilical pode representar no combate a problemas de saúde.

Andreia Gomes – Diretora Técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida

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