Logo
Opinião

OPINIÃO: A importância da Medicina Física e de Reabilitação no tratamento da incontinência urinária

24 Março, 2025 | 10:55
Partilhar
Inês Táboas
3 min. leitura

A incontinência urinária é uma entidade muito prevalente; estima-se que afete até 17% das mulheres com mais de 20 anos e até 38% das mulheres acima de 38 anos. Nos homens a prevalência não está tão bem documentada, mas estima-se que atinja até 34% na população com mais de 65 anos.

É cerca de 2 vezes mais frequente na mulher e aumenta com a idade, sendo particularmente elevada na população de mulheres institucionalizadas, podendo atingir quase 80%.

Não obstante, apenas 25 a 61% procuram cuidados de saúde. Alguns estudos têm vindo a sugerir que a incontinência no homem poderá ter um impacto social e emocional e na qualidade de vida superior ao da mulher, sendo, contudo, objetivada uma procura ainda menor de cuidados de saúde (aproximadamente metade da procura nas mulheres).

A incontinência possui um impacto na saúde, que vai além da perda urinária em si, associando-se a complicações locais como infeções, úlceras cutâneas e até quedas e fraturas (sobretudo nos doentes com urgência miccional).

Outro dado importante é o seu impacto na qualidade de vida e participação em atividades profissionais, lúdicas e sociais, associando-se com frequência a depressão, ansiedade, isolamento social e diminuição da participação, levando a um maior risco de institucionalização.

É também causa de elevados custos em saúde, quer custos diretos, quer custos com assistência de cuidadores, quer por restrição da participação e absentismo laboral/reformas precoces.

Existem vários fatores de risco, como por exemplo: a idade (o principal), obesidade, gravidez, número e tipo de parto, história familiar, consumo de tabaco, álcool, alguns medicamentos, obstipação crónica, diabetes, algumas doenças neurológicas, menopausa, cirurgias pélvicas, radioterapia e reduzida mobilidade.

Existem três tipo de incontinência urinária: esforço, urgência e mista. Na incontinência de esforço a perda é precedida de um aumento da pressão abdominal durante atividades como tossir, espirrar, gargalhada, transporte e manipulação de cargas. Na de urgência, a perda é precedida por uma vontade urgente e imperiosa de urinar. Por fim, temos a incontinência mista, a mais frequente, que resulta da combinação das anteriores.

O diagnóstico é realizado por um médico, não sendo habitualmente necessários exames complementares. Após o diagnóstico, o doente deve ser encaminhado para consulta de médico fisiatra, que irá avaliar e decidir o tratamento mais adequada a cada doente.

As principais associações científicas recomendam o tratamento conservador/reabilitação como primeira opção de tratamento e cada vez mais, a referenciação para Medicina Física e de Reabilitação (MFR) ou Fisiatria é mais frequente.

A reabilitação deve incluir equipas multiprofissionais coordenadas por médico especialista em MFR e com o doente no centro das decisões; esta equipa pode também incluir profissionais como fisioterapeuta, enfermeiro de reabilitação, psicólogo, nutricionista.

O tratamento da incontinência será sempre individualizado, de acordo com a avaliação médica prévia. Poderá incluir medidas de educação do doente, correção/redução de fatores de risco – recomendações dietéticas, redução ponderal, correção de obstipação, monitorização de líquidos, reduzir estimulantes (bebidas gaseificadas, café, chocolate); treino vesical; exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico (exercícios de kegel no domicílio), exercícios de fortalecimento e flexibilização lumbopélvica ou neuromodelação periférica.

A avaliação médica inicial é fundamental porque é com base nisso que vai ser estabelecido um plano de tratamento. Cerca de 1/3 das mulheres não sabe contrair voluntariamente o pavimento pélvico, pelo que esses doentes não conseguirão realizar os exercícios no domicílio e irão necessitar de realizar exercícios sob supervisão individual, em grupo ou com recurso a electroestimulação ou biofeedback.

Em alguns casos, poderá estar indicado tratamento farmacológico, sobretudo nos casos de urgência, mas também existe um fármaco aprovado para a incontinência de esforço.

Em alguns casos particulares ou quando os tratamentos anteriores não são eficazes, poderá estar indicada a realização de exames complementares de diagnóstico e referenciação para a consulta de outras especialidades, como Ginecologia e Urologia.

Inês Táboas, Médica Fisiatra na ULS de Entre Douro e Vouga e coordenadora da Unidade de Reabilitação do Pavimento Pélvico do serviço de MFR.

Programas de Autor

Episódios Recentes Ver Mais

Notícias

Regional 26 Março, 2026

Escola Secundária de Santa Maria Maior assinala 20 anos da “Semana Maior”

A Escola Secundária de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, deu início às comemorações dos 20 anos da “Semana Maior” com uma sessão solene que reuniu a comunidade educativa.

Cultura 26 Março, 2026

Lanheses celebra o Dia Mundial do Teatro com “Um morto muito vivo!”

Lanheses vai celebrar o Dia Mundial do Teatro com o espetáculo “Um morto muito vivo!”, do grupo Colectivo do Teatro aos Quartos, no Auditório Gabriel Gonçalves, no dia 28 de março, às 21h15.

Desporto 26 Março, 2026

Caminhada pela Longevidade juntou gerações em Viana do Castelo

Viana do Castelo assinalou, esta quarta-feira, o Dia do Gerontólogo com a realização da “Caminhada pela Longevidade: para todas as idades!”, iniciativa que reuniu dezenas de participantes num percurso por vários pontos emblemáticos da cidade.

Regional 26 Março, 2026

Valença reforça prevenção das dependências com ação escolar e demonstração da GNR

O Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho promoveu uma ação de sensibilização centrada na prevenção das dependências e no combate ao consumo de drogas, envolvendo a comunidade escolar numa iniciativa que visou reforçar a segurança e o bem-estar dos alunos.

Internacional 26 Março, 2026

Viana do Castelo associa-se à Hora do Planeta com apagão simbólico

O Município de Viana do Castelo volta a aderir à Hora do Planeta, iniciativa internacional de sensibilização para as alterações climáticas que, em 2026, celebra 20 anos.

Nacional 26 Março, 2026

Linha do Minho vai ter plataformas maiores para receber Intercidades

Várias estações e apeadeiros da Linha do Minho vão sofrer obras de ampliação das plataformas já este ano e ao longo de 2027, com o objetivo de garantir que os comboios Intercidades possam parar em segurança e com melhores condições para os passageiros.

Regional 26 Março, 2026

Cerveira mobiliza 200 jovens para conhecer “oportunidades que fazem a diferença”

A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira promoveu uma sessão dedicada ao tema “Oportunidades que Fazem a Diferença”, integrada na Semana Aberta do Agrupamento de Escolas do concelho, reunindo cerca de 200 alunos da Escola Básica e Secundária no Palco das Artes.